O projeto teve início após uma oficina com o grupo Matizes Dumont, financiado pelo Banco do Brasil, visando atender municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Embora não estivéssemos nessa clientela, assumimos o compromisso de formar uma associação para apoiar essas comunidades. Com o intuito de estruturar a associação de forma responsável, contamos com o apoio de uma ONG, que nos
acolheu calorosamente. Esta organização é dedicada a fortalecer a equidade de gênero, raça e etnia nas políticas públicas, contribuindo para a cidadania plena das mulheres e a defesa da justiça social. O projeto das Bordadeiras da Chapada dos Guimarães tem como meta promover ações educativas, focando na inclusão social e no acesso à diversidade cultural. O bordado é utilizado como um instrumento sociocultural, permitindo que as artesãs não apenas comercializem seus produtos, mas também recriem suas histórias e encontrem novas alternativas de vida. Essa prática valoriza a herança cultural de nossos antepassados e oferece um espaço terapêutico para o grupo. A Casa das Bordadeiras se transforma em um ateliê, onde os cooperados descobrem novos sentidos na vivência do bordado. É um espaço de construção de histórias e redescoberta da realidade, onde o saber e o prazer se entrelaçam. Buscamos integrar bordado com música, dança e leitura, estimulando o conhecimento da cultura mato-grossense e despertando a criatividade dos participantes. Entrelaçamos o bordado com dança, concerto e sarau, criando um ambiente de afeto e conexão. Nossa casa é um espaço para fortalecer e encantar bordadeiras e bordadeiros, empoderando cada membro a se apropriar de suas asas, usando agulha, pano e linha como instrumentos de pertencimento. O valor econômico gerado pelo nosso grupo promove a sociabilidade, priorizando o benefício coletivo em relação ao individual. Não fazemos distinção entre os colaboradores, pois acreditamos que todos podem construir pontes em busca de justiça social. Enxergamos Deus em todas as coisas, e cada pessoa contribui com solidariedade e cooperação. Estamos desenvolvendo um projeto que integra o bordado a práticas do Sistema Único de Saúde (SUS), visando aliviar a depressão entre as bordadeiras. Em nossa trajetória, participamos de exposições, carregamos a tocha olímpica e contamos muitas histórias da nossa rica cultura, além de despertar a consciência ambiental. Formamos bordadeiras em Chapada e em diversos municípios de Mato Grosso, além de uma turma em São Paulo, onde fomos acolhidos por importantes figuras do mundo da arte. Hoje, Chapada dos Guimarães é reconhecida como a capital do bordado da Baixada Cuiabana, conforme a Lei Estadual nº 10.346, de 8 de dezembro de 2015. Nossa maior riqueza são os sonhos que cultivamos.