08/05/2020
Fundamentado na última Nota de Repúdio escrita por alguns dos Centros Acadêmicos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o DCE UTFPR vem por meio deste se pronunciar em relação ao questionário enviado aos estudantes no dia 30 de abril de 2020, com intuito de consultar os estudantes em relação à um possível retorno de atividades não presenciais. Uma das maiores problemáticas deste questionário foi a forma de abordagem da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional, PROGRAD, em relação aos Bacharéis da instituição, classif**ando os cursos como “Engenharia” e “Outro bacharelado que não engenharia”. Após diversas manifestações repudiando o método de classif**ação dos cursos, usado pela PROGRAD, esse mesmo questionário foi modif**ado excluindo a opção de qualquer curso de Bacharelado que não fosse Engenharia.
Apesar da Universidade justif**ar que aproximadamente 50% dos cursos de Bacharelados são Engenharias, não podemos esquecer de valorizar todos os outros cursos de maneira igualitária. Vale ressaltar que a diferenciação das áreas de bacharelado não iria promover nenhum impacto no resultado do formulário, que visava principalmente dados sobre a saúde mental e acessibilidade dos discentes caso houvesse o retorno das atividades remotas. A forma com que a universidade trata distinguindo cursos de Engenharia e cursos de “não Engenharia” promove uma segregação dentro de toda comunidade universitária, minimizando e desvalorizando aqueles cursos propriamente ditos como não prioritários.
Percebemos que a UTFPR confunde Tecnologia com Engenharia, porém, segundo o dicionário a Tecnologia se dá por: "teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais domínios da atividade humana”, independentemente da área de conhecimento.
O que confere à UTFPR o caráter de Universidade, é justamente a integração de várias áreas do conhecimento, entretanto, o que percebemos é uma completa desvalorização dos cursos de bacharelado que não sejam engenharias em geral e isso f**a claro através de ações e manifestações, ou no caso falta delas, pela parte de quem supostamente nos representaria.
Como cita a nota de autoria do DCE CT em união com outros centros/diretórios acadêmicos de diversos campus que se sentiram prejudicados com o questionário: “A postura adotada pela Pró-reitoria neste questionário não é um caso isolado, mas um reflexo da realidade dos cursos de bacharelado dentro da universidade. É notória a leitura de "não tecnológicos" sustentada pela UTFPR quanto aos cursos não tidos como tradicionais e relevantes, visão de rebaixamento característica de uma Universidade que se constrói para a indústria privada ao invés de se construir para a sociedade e que se traduz em pronunciamentos e regulamentações oficiais excludentes, como a Deliberação 15/2018 do COUNI que aprova a Política e Definição de Diretrizes para criação de Cursos Regulares presenciais vinculados a Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional (PROGRAD)/UTFPR.”
Nós, do DCE UTFPR, órgão que representa todos os estudantes de todos os campus, acreditamos que é nosso dever fazer a representação igualitária de todos os cursos e todos os campus. Repudiamos a atitude da Reitoria de promover essa segregação e de excluí-los no meio da pesquisa. Esperamos que a Reitoria repense e corrija sua postura.