29/07/2026
No dia 29 de julho, após atendermos uma demanda de uma família haitiana no município de Campo Magro, relacionada a um caso de racismo em uma Escola Cívico-Militar, seguimos para a Escola da Colina, em São José dos Pinhais (PR), para um importante momento de diálogo e formação com professoras, professores e equipe pedagógica sobre Educação Antirracista, Relações Étnico-Raciais e Letramento Racial no Fazer Pedagógico.
Durante o encontro, refletimos sobre o racismo estrutural e seus impactos na sociedade e na escola. Também discutimos como, ao longo da história, determinados textos bíblicos foram utilizados de forma colonial para justificar a escravidão e a opressão dos povos africanos, ressaltando que essa interpretação não representa a essência da mensagem cristã, fundamentada na justiça, na dignidade, na liberdade e no amor ao próximo.
Apresentamos a contribuição da teologia africana, que propõe uma leitura da fé a partir da experiência dos povos historicamente oprimidos, afirmando que Deus é defensor da justiça, da liberdade e da vida. Destacamos ainda a riqueza dos saberes e das culturas africanas como fontes legítimas de conhecimento, espiritualidade e humanidade.
Compartilhamos também o pensamento do intelectual haitiano Anténor Firmin, que denunciou a utilização da religião, da ciência e da filosofia para sustentar falsas teorias de superioridade racial. Firmin demonstrou que não existe fundamento científico nem moral para associar a cor da pele à inteligência, à dignidade ou ao valor de uma pessoa.
Inspirados em Paulo Freire, reafirmamos que:
"A educação não transforma o mundo. A educação transforma as pessoas. Pessoas transformam o mundo."
Foi igualmente inspirador conhecer o trabalho desenvolvido pela Escola da Colina, reconhecida por sua atuação internacional por meio do Programa Eco-Escolas. A instituição desenvolve projetos colaborativos sobre sustentabilidade, cidadania e educação ambiental, incluindo o projeto internacional "Safari de Solos e Educação Antirracista", alinhado aos princípios da UNESCO e comprometido com a formação de cidadãos conscientes, críticos e comprometidos com a justiça social.
Em nome da União da Comunidade dos Estudantes e Profissionais Haitianos (UCEPH) e de toda a comunidade migrante, agradecemos à direção da escola, à equipe pedagógica e a todas as professoras e professores pela acolhida, pelo diálogo e pela abertura para construir uma educação cada vez mais inclusiva e antirracista.
Que este encontro seja apenas o começo de uma parceria baseada na escuta, na aprendizagem mútua e na construção coletiva de uma sociedade mais justa, diversa e democrática.
Educar para a igualdade é educar para a humanidade.
Se gostar nosso trabalho, por favor compartilhe.