Rezende (Prof. Carlão)
Em agosto de 2015 descobri que tinha leucemia, e que posteriormente foi diagnosticado como aplasia medular. Como sou muito conhecido, a notícia gerou milhares e milhares de mensagens, envolvimento intenso de pessoas nas mídias sociais, muitas dos quais eu nem conhecia. Amigos se mobilizaram, a imprensa divulgou, houve comoção e resultou em muitas doações de sangue no Hemos
ul. Fui internado no meio de um turbilhão de emoções indescritíveis e a principal delas era não entender porque estava passando por tudo aquilo. Mas em menos de uma semana de tratamento as coisas começaram a ficar claras. Eu estava na cama do hospital, duas meninas da limpeza passaram pelo quarto, bateram na porta, pediram para entrar e tiraram do bolso um certificado de doação de sangue em meu nome. Nesse momento eu entendi a minha missão, o motivo pelo qual estava passando por tudo aquilo, pela experiência de estar doente. Ver pessoas simples, que não tinham muito a doar, mas tinham algo mais valioso que qualquer bem material. Estavam doando vida. Vi a situação de inúmeras pessoas internadas passando por um momento igual ou pior que o meu. Entendi que eu tinha que abraçar a causa e contribuir com a sociedade fazendo campanhas e palestras sobre o tema. Naquele momento nascia o PROJETO SANGUE BOM, ainda longe de ser o Instituto que agora nasce. Saí do hospital em setembro daquele ano e ainda em tratamento já comecei a fazer palestras em escolas, universidades, empresas privadas e órgãos públicos, numa média de cinco por semana, falando sobre mitos e verdades da doação de sangue e medula óssea. Era o início de um ciclo de campanhas de doações de órgãos e medulas. Foram mais de 40 campanhas, sempre com orientação logística e estrutural do Hemosul.