11/05/2026
Sem história, há psicanalista?
A história da psicanálise costuma ocupar um lugar ambíguo na formação: ora como erudição, ora como narrativa de origens, ora como repertório de conceitos já estabilizados. Mas e se ela não fosse apenas isso? E se aquilo que chamamos de “história” dissesse respeito, antes, às controvérsias que definem, em cada momento, o que conta como prática analítica?
A clínica lacaniana não surgiu como simples desenvolvimento interno da teoria freudiana, mas como resposta a impasses, conflitos e forças políticas que atravessam o campo psicanalítico e disputam sua legitimidade. Nesse sentido, a história não é um pano de fundo, mas um campo de forças no qual se reconfiguram o lugar do analista, o estatuto da interpretação e as condições de formação.
Partindo dessa hipótese, esta conferência propõe recolocar a questão: pode um psicanalista se formar sem atravessar a história de sua própria prática? Ou, dito de outro modo, o que se perde, na clínica e na formação, quando a história é reduzida a ornamento?