15/09/2026
Nota de pesar: Amelinha Teles
É com profundo pesar que registramos o falecimento de Amelinha Teles, aos 81 anos, nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2026, Dia Internacional da Democracia, instituído pela ONU em 2007.
Jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos, Amelinha dedicou mais de cinco décadas à defesa da democracia e da memória do Brasil. Presa e torturada pela ditadura militar em 1972, ao lado do marido César Teles, dos filhos pequenos Janaína e Edson e da irmã Criméia, testemunhou o assassinato do companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli nas dependências da Operação Bandeirantes (Oban). A partir dessa experiência, transformou a dor em luta: tornou-se uma das vozes mais importantes na denúncia dos crimes da ditadura, na responsabilização do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra e na construção da memória, verdade e justiça no país.
Sua atuação também deixou marcas profundas no movimento feminista brasileiro. Foi diretora da União de Mulheres de São Paulo, coordenadora do Projeto Promotoras Legais Populares (PLPs) e integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, além de autora de diversos livros sobre a ditadura e a resistência das mulheres. Em Campinas, sua influência se fez sentir de perto por meio do grupo de Promotoras Legais Populares Cida da Terra, que levou adiante o trabalho de formação e defesa dos direitos das mulheres inspirado por sua atuação. Em 2023, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de São Paulo.
Amelinha Teles se despede como uma das maiores vozes pela democracia no Brasil, deixando um legado de coragem, memória e luta que seguirá inspirando gerações.