04/07/2020
DEPOIS DA AULA: CONHEÇA O PROJETO SOCIAL QUE LEVA ESPERANÇA AOS JOVENS DA ZONA RURAL DE CAMETÁ
Projeto social idealizado pelo Sargento Valente e pelo professor José Antônio Borges, o Depois da Aula desenvolve, desde 2014, atividades desportivas e educacionais com o objetivo de evitar que jovens da zona rural do município de Cametá sejam cooptados pelo mundo do crime.
Cametá/PA | 3 de julho de 2020
Da Redação
De manhã bem cedinho, as primeiras crianças começam a chegar no campo de futebol da comunidade de Uxi Beira-Rio, distante cerca de 27 km do centro de Cametá, na zona rural do município. Elas saem das trilhas, no meio da mata, e se reúnem para mais um dia de atividades do Projeto Depois da Aula - Cametá, trabalho voluntário criado pelo policial militar da reserva Sargento Valente e pelo professor José Antônio Borges.
Iniciado em 2014, na comunidade de Maranhão, também na zona rural de Cametá, o objetivo original do projeto era promover algum tipo de atividade desportiva que ocupasse crianças e adolescentes após as aulas, como forma de evitar que fossem cooptadas pelo mundo do crime.
"Em minha carreira como policial militar, andei por muitos lugares. Passei por momentos sensíveis no que diz respeito à juventude e foi aí que percebi a ausência de políticas públicas para essa parcela da população, perceptível pela falta de inclusão social, sobretudo, na zona rural e nas periferias", explica Sargento Valente, coordenador geral do Projeto Depois da Aula.
No começo, o projeto promovia apenas jogos de futebol, e os momentos antes de cada partida eram aproveitados para a promoção da chamada "ordem unida", atividade que consiste em organizar pelotões, por meio dos quais os monitores do projeto trabalhavam a disciplina dos alunos, mas também estabeleciam o diálogo para explicar sobre os perigos das dr**as e da prostituição infantil, destacando o papel transformador da educação na vida das pessoas.
"O projeto teve uma aceitação muito boa e, logo, levamos também para o Livramento, Vila de Juaba, Uxi Beira-Rio, Sulapinho e, mais recentemente, para o Rio Furtados", destaca Valente. "Em cada uma dessas localidades, nós temos coordenadores locais, que são as lideranças da própria comunidade", continua.
Em 2017, Cametá atravessou uma grave crise na educação. Irregularidades no fornecimento da alimentação e do transporte escolar pelo governo municipal colocaram em xeque o processo educativo de muitos estudantes. "Os alunos da zona rural foram os mais prejudicados", explica a professora Luzeli Albuquerque, hoje uma das coordenadoras do projeto. "Muitos jovens têm a merenda escolar como a principal refeição. Agora imaginem essas crianças estudando com fome. Que aproveitamento terão?", questiona.
Foi a partir deste momento que o Projeto Depois da Aula deu uma guinada para o trabalho socioeducativo, promovendo o incentivo à leitura e escrita, além de realizar atividades lúdicas e campanhas de conscientização da população sobre temas importantes dentro do universo dos direitos humanos.
"Para nós, a partir da crise na educação municipal, ficou evidente que o trabalho a ser realizado não deve se limitar em oferecer apenas atividades esportivas", defende Luzeli. "O processo de ensino é muito desigual e, de alguma forma, nós precisamos fazer alguma coisa a respeito". Hoje parado por conta da pandemia do coronavírus, o Projeto Depois da Aula atende cerca de 400 crianças e adolescentes na faixa etária de 4 a 18 anos de idade, nas cinco localidades onde está instalado.
"Nosso trabalho ainda é muito solitário, porque o poder público dificilmente chega até essas pessoas dotadas de sonhos, mas eu tenho esperança de que logo poderemos retornar com o projeto e levar um pouco que seja de oportunidade para esses jovens", finaliza Sargento Valente.
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