Casa Amefricana da Poesia

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Casa Amefricana da Poesia Casa para inter conectar comunidades e redes literárias da Améfrica com propósito de criar oportunidades de intercambios colaborativos e sustentáveis.

Quilombo Amefricano de Literaturas - Brasil, Colômbia e Cuba.

17/08/2026
Há instituições que nascem de um documento. Outras nascem de uma travessia.No dia 19 de julho de 2024, durante a realiza...
19/07/2026

Há instituições que nascem de um documento. Outras nascem de uma travessia.

No dia 19 de julho de 2024, durante a realização do III Quilombo Amefricano de Literaturas, no Salão Nobre da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Caridade e Segredo, em Cachoeira (BA), foi fundada a Casa Amefricana da Poesia – Quilombo da Palavra.

Mais do que criar uma nova instituição, aquele encontro deu forma jurídica a uma rede que já existia na prática: poetas, pesquisadores, artistas, educadores e gestores culturais que, ao longo dos anos, aproximaram o Recôncavo da Bahia de Havana e Cartagena das Índias, fortalecendo uma Améfrica que se reconhece pela palavra, pela memória e pela criação.

A Casa nasce inspirada nas experiências do Quilombo Amefricano de Literaturas, reunindo, entre seus fundadores, representantes do Brasil, de Cuba e da Colômbia, em um compromisso comum com a literatura, a educação, a cultura e a bibliodiversidade.

Sua sede está localizada no coração histórico de Cachoeira, cidade-monumento nacional e um dos mais importantes territórios de memória da diáspora africana nas Américas.

Seguimos acreditando que a palavra também constrói território.

E que um livro, uma biblioteca, um poema ou uma roda de conversa podem transformar destinos.

Estamos apenas começando.

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No lugar onde as palavras criam quilomboPor vezes, uma instituição nasce muito antes de existir.Há cidades que escrevem ...
19/07/2026

No lugar onde as palavras criam quilombo

Por vezes, uma instituição nasce muito antes de existir.

Há cidades que escrevem seus habitantes.

Cachoeira é uma delas.

Quem atravessa lentamente as ruas de pedra, acompanha o curso do Paraguaçu ou permanece alguns minutos diante das fachadas antigas percebe que ali a história não repousa nos monumentos. Ela continua respirando entre os terreiros, as igrejas, os becos, as feiras, os tambores, as bibliotecas, as conversas demoradas e os livros que insistem em nascer longe dos grandes centros editoriais.

Talvez por isso não seja possível compreender a Casa Amefricana da Poesia – Quilombo da Palavra apenas como uma associação cultural.

Ela é consequência de uma geografia.

Nasceu porque um território decidiu falar por si.

Durante muitos anos, encontros aparentemente dispersos foram desenhando uma cartografia invisível.

Um livro publicado.

Outro traduzido.

Uma roda de conversa.

Uma política pública construída coletivamente.

Uma viagem.

Um poeta cubano.

Uma pesquisadora colombiana.

Uma editora independente instalada no Recôncavo.

Uma livraria.

Uma amizade.

Uma travessia pelo Atlântico.

Nada parecia obedecer a um plano previamente desenhado.

Mas havia um fio.

Sempre houve.

Era o desejo de compreender que as margens do Atlântico continuam conversando entre si muito depois do fim oficial das rotas coloniais.

Foi assim que nasceu o Quilombo Amefricano de Literaturas.

Não como um festival.

Nem como um congresso.

Mas como um espaço onde diferentes margens da Améfrica pudessem voltar a se reconhecer.

A primeira travessia encontrou Havana.

Depois veio Cartagena das Índias.

Por fim, Cachoeira.

Três cidades.

Três portos.

Três experiências marcadas pela presença africana e pela permanência de culturas que transformaram violência histórica em criação.

Cada encontro ampliava a percepção de que literatura não é apenas um conjunto de livros.

É também diplomacia.

Memória.

Política pública.

Afeto.

Economia.

Território.

E sobretudo encontro.

Foi nesse percurso que escritores, pesquisadores, gestores culturais, artistas e instituições passaram a construir algo maior do que eventos.

Construíram confiança.

No dia 19 de julho de 2024, enquanto acontecia a terceira edição do Quilombo Amefricano de Literaturas, ocorreu aquilo que, visto de fora, poderia parecer apenas um ato burocrático.

A assinatura de um estatuto.

A eleição de uma diretoria.

A criação formal de uma associação.

Mas quem estava presente sabia que acontecia outra coisa.

No Salão Nobre da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Caridade e Segredo, em Cachoeira, não se fundava apenas uma pessoa jurídica.

Reconhecia-se oficialmente uma comunidade que já existia.

Uma comunidade formada pela palavra.

Pela leitura.

Pela pesquisa.

Pela edição de livros.

Pelas amizades construídas entre Brasil, Cuba e Colômbia.

Pela convicção de que conhecimento também pode ser produzido desde os territórios negros do Atlântico.

Ali nascia a Casa Amefricana da Poesia.

Ou talvez apenas recebesse um nome aquilo que já caminhava havia muitos anos.

Não deixa de ser simbólico que entre seus sócios fundadores estejam vozes oriundas de diferentes geografias.

O poeta cubano Sinecio Verdecia Díaz, da Casa de Poesia de Havana.

O pesquisador colombiano Wilfredo Esteban Vega Bedoya, da Universidade de Cartagena.

O poeta Rómulo Bustos Aguirre, cuja obra ajudou a aproximar os diálogos construídos na cidade amuralhada de Cartagena.

Ao lado deles, escritores, pesquisadores, educadores, artistas, museólogos e gestores culturais brasileiros que vêm dedicando suas vidas à construção de políticas do livro, da leitura, da cultura e da memória.

Poucas instituições brasileiras nascem já atravessadas por essa dimensão internacional.

Menos ainda quando essa internacionalização não parte do Norte global, mas das margens atlânticas que compartilham histórias semelhantes.

Talvez essa seja uma das maiores singularidades da Casa Amefricana da Poesia.

Sua internacionalização nasce do reconhecimento entre iguais.

Também não deixa de ser significativo que sua sede esteja instalada em Cachoeira.

Cidade que fez da palavra um instrumento de liberdade.

Ali convivem oralidade, patrimônio, religiosidades afro-brasileiras, universidade, imprensa, poesia, tipografia, música e memória.

Instalar um Quilombo da Palavra nesse território significa reconhecer que desenvolvimento cultural não se mede apenas por indicadores econômicos.

Mede-se pela capacidade de uma comunidade continuar produzindo sentidos sobre si mesma.

Há quem imagine que instituições culturais sejam construídas apenas por financiamentos ou editais.

Eles são importantes.

Mas nunca bastam.

Instituições duradouras nascem quando existe uma história anterior capaz de sustentá-las.

No caso da Casa Amefricana da Poesia, essa história foi escrita lentamente.

Entre livros publicados pela Portuário Atelier Editorial.

Nas experiências da Bibliosfera Criativa Brasil.

Nas políticas públicas para o livro e a leitura.

Nas pontes estabelecidas entre Cachoeira, Havana e Cartagena.

Nas centenas de pessoas que passaram pelas diferentes edições do Quilombo Amefricano de Literaturas.

Nada disso começou em 2024.

2024 apenas tornou visível aquilo que o tempo já havia sedimentado.

Talvez seja cedo para medir o alcance dessa iniciativa.

Instituições verdadeiras não se afirmam pela velocidade.

Elas amadurecem.

Criam raízes.

Aprendem a permanecer.

Mas já é possível afirmar que, no coração do Recôncavo baiano, uma experiência singular continua sendo construída.

Um lugar onde a literatura não é separada da vida.

Onde políticas públicas dialogam com poesia.

Onde memória produz futuro.

Onde o livro volta a ocupar seu lugar ancestral: não apenas objeto de leitura, mas instrumento de encontro entre povos.

E talvez seja exatamente isso um quilombo.

O lugar onde pessoas decidem permanecer juntas para proteger aquilo que nenhuma violência consegue apagar.

A palavra.

Entre Diosas y Monstruos 🌺🐍¿Por qué es importante descentralizar las artes, las culturas y los saberes en el centro, sur...
11/06/2026

Entre Diosas y Monstruos 🌺🐍

¿Por qué es importante descentralizar las artes, las culturas y los saberes en el centro, sur y periferia de Barranquilla desde un enfoque feminista e interseccional? Esa es la pregunta que nos reúne.

Cinco mujeres populares, artistas, sabedoras, cultoras y lideresas LGBTIQ+ de nuestra ciudad se sientan a conversar sobre lo que el sector cultural les ha dado, lo que les ha quitado, y lo que están tejiendo desde sus territorios. 🎭✊🏾

Un espacio para nombrar el despojo, reconocer los cruces, e imaginar juntas otra cultura posible en este Caribe nuestro. 🌊

📅 Viernes 12 de junio
🕡 6:30 pm
📲 En vivo por ZaroART
Evento Virtual. Solo necesitas estar. 🌸
Un conversatorio realizado por La Colectiva Mitos Vivos y su directora Martha Ligia Gómez Henriquez, en alianza con Naranja CultuArt y Atelier Lecturas del Cuerpo.

🧵 Diseño de afiche Antara.

05/06/2026

Participei, nesta semana, do II Encontro Estadual da Periferia Brasileira de Letras, realizado em Camaçari, representando o Instituto Casa Amefricana da Poesia ao lado de Rony Bonn, mestre tipógrafo, poeta e museólogo, Rádi Oliveira e Silvestre Khael.

Na mesa realizada na Cidade do Saber, compartilhada com Valdeck Almeida de Jesus e Jussara Menezes da Buffo Companhia de Teatro, pude refletir sobre um tema que tem atravessado minha trajetória profissional e acadêmica: a participação das organizações culturais de expressão popular na construção das políticas públicas para o livro, a leitura e a literatura.

Minha fala nasceu do encontro entre pesquisa e experiência. Como pesquisador do doutorado em Cultura e Sociedade (UFBA), com bolsa da FAPESB, venho investigando os desdobramentos do Plano Nacional do Livro e Leitura e suas conexões com o Plano Ibero-Americano de Leitura. Como gestor público, participei da formulação e implantação do Plano Estadual do Livro e Leitura da Bahia.

Ao longo desses anos, uma questão tem se tornado cada vez mais evidente: as políticas públicas criam condições, mas quem lhes dá vida são os territórios. Cada biblioteca comunitária, coletivo literário, sarau, quilombo cultural ou casa de cultura produz sua própria resposta às políticas. Produz sua própria poética.

Talvez seja essa uma das maiores contribuições da experiência baiana. Os editais, programas e planos não se realizam no papel. Eles ganham sentido quando apropriados pelas comunidades. E cada apropriação carrega uma poética emancipatória singular.

Ao olhar para os grupos presentes no encontro, vindos de diferentes territórios da Bahia, tive a sensação de estar diante de múltiplas formas de imaginar futuros através da palavra, da leitura e da cultura.

Também foi uma alegria reencontrar companheiros e companheiras de caminhada, entre eles Maria Marighella, cuja trajetória no campo da cultura segue inspirando tantas iniciativas pelo país, e estabelecer diálogos com lideranças e representantes públicos comprometidos com a construção de políticas culturais democráticas e territorializadas.

Como poeta, pesquisador, home

Antes da página, existe a voz. Antes da autoria, existe a comunidade✨ Quando a Revista Crescer escolheu Terreiro Enluara...
04/06/2026

Antes da página, existe a voz. Antes da autoria, existe a comunidade

✨ Quando a Revista Crescer escolheu Terreiro Enluarado entre os 30 livros infantis mais importantes de 2026, não foi apenas um livro que recebeu reconhecimento nacional.

Foi uma forma de pensar a literatura, a educação e a infância que nasceu nos quintais, terreiros, rodas de leitura e encontros comunitários do Recôncavo Baiano.

Cofundadora do Instituto Casa Amefricana da Poesia, educadora cultural, compositora, multiartista e escritora, Rádi Oliveira constrói sua obra a partir da escuta. Escuta dos mais velhos. Escuta das crianças. Escuta dos territórios negros que seguem produzindo saberes, memórias e futuros.

Antes da página, existe a voz.

Antes da autoria, existe a comunidade.

Antes do livro, existe uma poética da vida compartilhada.

Sua escrita nos lembra que a literatura não mora apenas nos livros. Ela vive no canto, na oralidade, na brincadeira, na ancestralidade e nos afetos que atravessam gerações.

De Cartagena das Índias a Havana, passando pelo Recôncavo Baiano, sua palavra tem encontrado eco em diferentes territórios de Nuestra Améfrica, reafirmando que nossas histórias, apesar das fronteiras, continuam conectadas pelos ventos da memória e da resistência.

Celebrar Terreiro Enluarado é celebrar também uma autora que transformou a escuta em método, a memória em poesia e a palavra em travessia.

Parabéns, Rádi Oliveira.

Que seus ventos continuem soprando sobre nossos oris. 🌙✨

LiteraturaInfantil RecôncavoBaiano Bibliodiversidade Leitura Poesia LiteraturaNegra Afrocentridade

30/05/2026
A educação negada: uma leitura urgente para pensar a América Latinajlaf mahat alaiyePublicado pela Portuário Atelier Edi...
14/05/2026

A educação negada: uma leitura urgente para pensar a América Latina
jlaf mahat alaiye

Publicado pela Portuário Atelier Editorial, o livro A educação negada: contribuições a partir de um pensamento americano, do pesquisador argentino José Alejandro Tasat, emerge como uma das mais consistentes reflexões latino-americanas sobre educação, modernidade e colonialidade do saber. Resultado de sua tese de doutorado, a obra atravessa filosofia, sociologia, pedagogia e pensamento decolonial para questionar uma das promessas centrais da modernidade: a ideia de que a educação formal seria, universalmente, caminho de emancipação.

maio 13, 2026 Notícias A educação negada: uma leitura urgente para pensar a América Latina jlaf mahat alaiye Publicado pela Portuário Atelier Editorial, o livro A educação negada: contribuições a partir de um pensamento americano, do pesquisador argentino José Alejandro Tasat, emerge como ...

14/05/2026

📚 RESENHA | A educação negada: contribuições a partir de um pensamento americano

Publicado pela Portuário Atelier Editorial, o livro do pesquisador argentino José Alejandro Tasat é uma reflexão profunda sobre educação, modernidade e colonialidade do saber.

Resultado de sua tese de doutorado, a obra questiona a ideia de que a educação moderna seria universalmente emancipadora e revela como o imaginário europeu da modernidade invisibilizou saberes ancestrais, populares e comunitários da América Latina.

Em diálogo com Paulo Freire, Rodolfo Kusch, Aníbal Quijano, José Martí e Milton Santos, Tasat propõe pensar a educação desde os territórios, culturas e experiências históricas dos povos latino-americanos.

Mais do que uma tradução, esta edição brasileira representa um projeto editorial de integração cultural entre os povos da América Latina. Produzido no Recôncavo Baiano pela Portuário Atelier Editorial, o livro fortalece a circulação de pensamentos críticos e decoloniais produzidos desde Nuestra América.

📖 Uma leitura necessária para educadores, pesquisadores e leitores interessados em compreender a educação como espaço de disputa civilizatória.

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Largo D'Ajuda
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