05/07/2026
O modo de exploração
As pessoas que criam regras e
regulamentações para criar a culpa em você
escondem suas vidas pessoais, pois estas
seriam completamente opostas às regras
estabelecidas por elas. Mas elas
estabeleceram as regras para que possam
explorá-lo através da culpa. Certa vez que
você tem a ideia de culpa plantada em si,
você pode ser facilmente explorado pela
sociedade. É por isso que a culpa é a
primeira coisa que a sociedade planta em
você.
1 Milarepa - Yogi tibetano e discípulo da professora
budista tibetana Marpa.
Uma pessoa culpada jamais poderá estar em
paz consigo mesma. Sempre lhe faltará
autoconfiança. Ela sempre buscará um líder
para guiá-la. É aí que a sociedade entra em
cena e a explora.
A sociedade funciona com base em sua
culpa. Quanto mais você se sente culpado,
mais a sociedade se torna poderosa. Ela o
atrai com as chaves para tirá-lo da culpa que
ela mesma colocou dentro de você, em
primeiro lugar. Primeiro ela cria a doença,
depois vende o remédio.
Outra coisa importante é que apenas as
pessoas que não praticam ou não conseguem
praticar ensinamentos, dão ensinamentos
para os outros continuamente, dão –lhes
cada vez mais palavras. Quando você mesmo
se enche de palavras e descobre que você
não é capaz de praticá-las, você pega os
outros e começa e começa a ensinar as
mesmas palavras! Na verdade, é uma boa
maneira de escapar da culpa. Ao fazer com
que os outros se sintam culpados, você não
sente a culpa. É apenas um processo em
cadeia.
Uma pequena história:
Certa vez, quatro monges sentaram-se em
torno de uma vela e decidiram meditar em
absoluto silêncio pelos próximos cinco dias,
olhando para o pavio da vela. No final do
primeiro dia, de repente a vela começou a
piscar.
Um monge disse: "Oh não, a vela estáCULPA, O PECADO ORIGINAL
quase apagando."
O segundo monge disse ao primeiro:
"Lembre-se, não deveríamos falar."
O terceiro monge disse: "Por que vocês dois
continuam falando?"
Finalmente, o quarto monge exclamou:
"Eu fui o único que não falou!"
Quando apontamos os erros das outras
pessoas, não percebemos que podemos ser
culpados exatamente da mesma coisa. Se
olharmos para dentro, descobriremos que
em muitas situações em que corrigimos os
outros, também somos culpados do mesmo
erro, mas como estamos em uma posição
mais alta, escapamos da culpa.
O dilema
Culpa signif**a que você fez algo que os
outros não queriam que você fizesse. Se você
não ouve a sociedade e ouve a sua própria
inteligência natural, você se sente culpado
por fazer algo errado. Você f**a com medo e
começa a se defender. Você até finge que
não fez isso. Você f**a em constante tensão
com a vida. Em vez disso, se você faz algo
que os outros aprovam, você não f**a feliz
fazendo isso porque muitas vezes não é o
que você naturalmente sente vontade de
fazer. Este é o dilema em que você f**a
envolvido.
A culpa cria uma dupla personalidade, uma
esquizofrenia em você – para o mundo
exterior você é uma pessoa e no fundo de si
mesmo, você é outra. A culpa é uma cunha
inserida em seu espaço interno que faz você
assumir padrões duplos.
Céu e inferno
Culpa é uma cunha inserida em
seu espaço interno que faz você
assumir padrões duplos.
Uma maneira muito sutil e astuta de semear
a culpa hoje em dia é através da ideia do céu
e do inferno. As pessoas exploram seu medo
e sua ganância apresentando-lhe ideias do
inferno e do céu. Elas criam em você a
ganância pelo céu e o medo do inferno. Elas
criam muitos conceitos de inferno e céu e os
vendem para você.
Elas dizem: 'Se você praticar esse tipo de
coisa, você será recompensado com o céu.
Se você praticar o contrário, você será
punido com o inferno. Quando lhe é dada
regras baseadas na ganância e no medo, você
automaticamente começa a criar profunda
culpa em você.
Uma pequena história:
Certa vez, um general militar perguntou a
um mestre zen: "Mestre, o que são o céu e o
inferno?"
O mestre perguntou: "O que você faz para
viver?"
O general respondeu: "Eu sou um
generO mestre riu: Quem te pediu para ser
general? Você se parece mais com um
açougueiro!
O general ficou furioso e tirou sua espada
gritando: "Vou cortá-lo em pedaços."
O mestre levantou a mão e disse: "Estes
são os portões do inferno."
O general percebeu a sua loucura e
inclinou-se profundamente para o mestre
para pedir perdão.
O mestre continuou: "Estes são os portões
do céu."
O céu e o inferno não são locais
físicos. São estados psicológicos
da sua mente.
Que fique bem claro, céu e inferno não são
localidades físicas. São estados psicológicos
da sua mente. Num instante a mente pode
estar no inferno, e no outro pode estar no
paraíso. Os portões para o paraíso e para o
inferno se abrem e se fecham a qualquer
momento, alternadamente.
Culpa criada por você
Até os vinte e um anos, o conhecimento que
vem da família e da sociedade cria culpa.
Após os vinte e um, a culpa plantada em
você pela família e pela sociedade cria raízes
dentro de você. Então você começa a criar
culpa para si mesmo sem nenhum motivo.
A culpa se torna uma convidada permanente
em seu ser! A culpa criada pela família e pela
sociedade, são culpa impostas; eles são como
uma coroa que é passada de uma geração
para outra. A terceira culpa é a pior; é a que
você cria para si mesmo. Quando você
internaliza a culpa baseada na ganância e no
medo, você cria novos tipos de culpa para si
mesmo.
No momento em que você começa a se
sentir culpado sobre alguma coisa, você pode
ser explorado. E quando você começa a lutar
consigo mesmo é mais fácil explorá-lo.
Se você olhar para a sua vida, você verá que,
a cada momento, você está sutilmente
procurando alguma razão para lutar consigo
mesmo, para sentir descontentamento
consigo mesmo. Você não quer f**ar sem
algum conflito, você quer criar miséria para
si mesmo porque é isso que lhe foi ensinado
– a felicidade é um pecado.
A pedra num rio é a culpa
na sua mente – o bloqueio
no fluxo de inteligência
Você foi projetado para se movimentar
como um rio que flui livremente. A culpa é
como pedras no caminho da água. A
sociedade marcou a felicidade sutilmente
como um pecado. Esse é o problema. É por
isso que você vai perceber, que quando está
indo tudo bem e com felicidade, haverá umCULPA, O PECADO ORIGINAL
sentimento de culpa em você. Você foi
ensinado pela sociedade, que ser feliz e
aproveitar a vida é ser irresponsável de certa
forma. Então você se sente culpado.
Mas quando você se sente triste e deprimido,
você já se sente culpado? Não!
Você foi ensinado que a vida é uma cadeia de
sofrimento e resistência, com a felicidade
entrando em cena de vez em quando.
É também é por isso que as pessoas não
conseguem suportar quando você está feliz e
sorrindo o tempo todo. Elas tentam ao
máximo trazê-lo de volta à assim chamada
realidade, incutindo culpa em você.
Quando você está aproveitando, dançando
ou relaxando na praia, por exemplo, de
repente você observará que a culpa começa
surgir em você sobre todo o trabalho que
está pendente, sobre todas as
responsabilidades que precisam ser
cumpridas.
A culpa não tem fundamento, mas pode
destruir toda a sua vida. Se você puder viver
sem culpa, você vai aproveitar cada
momento sem nenhum arrependimento e
ainda cumprir todas as suas
responsabilidades.
O problema é que o seu ser é uma multidão
de vozes que não pertencem a você. É a
totalidade da voz de sua mãe, da voz do seu
pai, da voz do seu professor, da voz do seu
vizinho e outras! Todas essas vozes estão ai
dentro. Se houver apenas uma voz, você não
terá nenhum problema. Sua mente se moverá
como um rio. Mas existem muitas vozes
dizendo tantas coisas e criando as pedras da
culpa em seu caminho.
Enquanto você fluir como um rio, você
expressará uma inteligência extraordinária
em sua vida. Você viverá com uma energia
que é transbordante a cada minuto. No
momento em que você permite a culpa em
você, no momento em que você é impedido
em seu fluxo livre, você cria coágulos de
energia dentro de seu ser.
Levante-se sozinho
Uma vez que você se torna consciente de
como você é movido pela culpa, você pode
começar a praticar para sair dela. Quando
você começa a praticar qualquer coisa,
naturalmente você escorrega algumas vezes.
Quando você praticar para não sentir culpa,
você certamente irá escorregar de volta para
os antigos padrões da ganância e do medo.
Então, de repente, você se lembrará: "Oh, eu
comecei a trabalhar por medo", "Eu comecei
a trabalhar por ganância." Então você vai
começar de novo. Quando você começar a
trabalhar, naturalmente você verá essas
coisas acontecendo.
No momento em que você
começar a se sentir culpado por
algo, você será explorado.
Uma pequena história:
Um monge de uma grande organizaçãoespiritual foi enviado para uma área tribal
remota para fazer o serviço. De repente, a
sede recebeu muitas cartas de reclamação
sobre o monge.
O presidente depois de ler as cartas disse:
"Nós encaminhamos a pessoa certa."
O secretário perguntou-lhe: "O que é isso
Senhor? Estamos recebendo reclamações
sobre ele. Como você diz que enviamos a
pessoa certa?
O presidente respondeu: "Se estamos
recebendo reclamações, signif**a que ele
começou a trabalhar, há algo
acontecendo!".
Ninguém pode machucá-lo a
menos que você permita.
Ninguém pode ajudá-lo a menos
que você permita.
Quando você começar algo novo haverá três
fases. A primeira é a resistência. A próxima é
apenas indiferença: as pessoas não se
importarão, nem resistirão. A terceira é a
aceitação.
Da mesma forma, quando você começar a
fazer qualquer coisa dentro do seu sistema,
você vai começar a crescer, mas essas três
fases existirão. A primeira fase será a
resistência. Você sentirá que a nova prática é
uma mudança difícil no seu sistema atual.
Por causa disso, a próxima coisa que
acontece é que você começa a evitar as
oportunidades nas quais você deveria estar
praticando a mudança. De novo e de novo
você voltará aos seus velhos costumes. Seu
sistema resistirá, tentará criar todos os tipos
de complicações, todos os argumentos
possíveis. Se você permitir que a resistência
cresça, você se tornará seu próprio inimigo.
Krishna diz no Bhagavad Gita: "Que você se
levante sozinho. Se você não fizer isso, você
será o seu pior inimigo. Cabe a você se
ajudar como o seu melhor amigo ou se ferir
como o seu pior inimigo.
Ninguém pode ferí-lo, a menos que você
permita. Ninguém pode ajudá-lo a menos
que você permita.
Se você se esqueceu da prática, lembre-se e
de novo e de novo levante-se. Não caia em
depressão, não sinta culpa. Não pense que
você não será capaz de fazê-lo.
Até mesmo se você ler na vida do mestre
iluminado Buda, ele estava prestes a deixar o
corpo quando seus discípulos lhe pediram
para dar a sua última mensagem, e ele disse
Atma deepo bhava –que você seja sua própria
luz, que você seja guiado por si mesmo.
Culpa – uma manifestação
do Ego
A culpa é, na verdade, a sombra do ego.
Quando alguém diz algo e você f**a com
raiva, é o ego, é a sua ideia sobre si mesmo
que causa a raiva. Mas logo depois, você
começa a se sentir culpado por ter perdido a
paciência. Agora, também, é o mesmo ego.