15/10/2026
A história da Alessandra Mathyas também é a história do WWF-Brasil.
Sua atuação em Vila Limeira mostra como é possível levar energia limpa a comunidades sem derrubar a floresta, transformando a vida no território e influenciando políticas públicas.
“Em 2021, inauguramos a primeira comunidade 100% solar do sul do Amazonas. Desde então, a Vila Limeira é abastecida exclusivamente por energia solar, que substituiu geradores a diesel. O impacto foi grande: as pessoas passaram a estudar remotamente, ganharam mais tempo para o trabalho e novas profissões surgiram. Os moradores gerenciam a usina e os horários de uso para garantir eficiência energética.
A Vila Limeira é uma comunidade extrativista onde só se chega de barco. Cerca de 90 pessoas vivem da pesca do pirarucu, do cultivo de mandioca, da marcenaria com madeira autorizada e de suas hortas. O local foi escolhido por estar na região do Arco do Desmatamento, sob intensa pressão de diferentes setores.
A Resex Solar, como chamamos o projeto, tornou-se referência até para o governo federal. Diferentemente da extensão convencional da rede, que pode exigir a abertura de caminhos na floresta para levar energia a comunidades remotas, esse modelo combina acesso à energia limpa, conservação da vegetação e proteção dos direitos das populações tradicionais.
Com esta e outras ações, o WWF-Brasil integra a Rede Energia e Comunidades, que reúne organizações em defesa de energia limpa, sustentável e acessível a todos. Nosso trabalho contribuiu para a criação, pela Aneel, do Sandbox Regulatório Energias da Floresta, primeira parceria da agência com a sociedade civil. Em 2023, ideias da Rede foram incorporadas ao Luz para Todos, como agentes comunitários de energia, participação social nas decisões e uso produtivo da energia, que, nas comunidades extrativistas, se mistura ao doméstico.
Sou grata ao WWF-Brasil por me permitir liderar essa agenda, mesmo sendo professora e jornalista, e não engenheira eletricista. Trabalhar em uma organização com experiência em territórios e incidência política ajuda muito. Hoje, se sairmos da Rede Energia e Comunidades, o grupo anda sozinho.”