FITES - Federação nacional dos trabalhadores em entidades sindicais

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Conte-me uma História: o 13º salário, o “perigo vermelho” e a vitória da luta da Classe trabalhadoraNesta semana em que ...
17/12/2025

Conte-me uma História: o 13º salário, o “perigo vermelho” e a vitória da luta da Classe trabalhadora

Nesta semana em que será paga a segunda parcela do 13º salário aos trabalhadores brasileiros, é essencial lembrar que esse direito não foi fruto de benevolência estatal ou patronal. Ele nasceu em um contexto histórico de forte conflito social, marcado por inflação elevada, baixos salários, greves e crescente organização sindical no início dos anos 1960.

O Brasil vivia um período de acelerada industrialização e intensa politização da classe trabalhadora. Sindicatos urbanos, federações e comandos de greve pressionavam o Congresso Nacional por mecanismos que garantissem reposição salarial e melhores condições de vida. Foi nesse cenário que o 13º salário foi instituído pela Lei nº 4.090, assinada em 13 de julho de 1962, pelo presidente João Goulart, como resultado direto da mobilização popular e da força do movimento sindical.

A reação das elites foi imediata e agressiva. Entidades empresariais, políticos da direita conservadora e os principais jornais da época atacaram duramente o projeto. A grande imprensa associou o 13º salário ao “avanço do comunismo”, à suposta “cubanização do Brasil” e ao risco de o país seguir o caminho da Revolução Cubana. Editorialistas e lideranças patronais afirmavam que a medida levaria a economia nacional ao colapso, provocaria desemprego, quebraria empresas e lançaria o país em uma convulsão social.

Esse discurso alarmista fazia parte de uma estratégia política mais ampla: criminalizar as lutas operárias, deslegitimar os sindicatos e bloquear qualquer avanço nos direitos trabalhistas, apresentando conquistas sociais como ameaças à ordem econômica e à democracia. Apesar da resistência empresarial, do conservadorismo parlamentar e da campanha ideológica da mídia, a pressão dos trabalhadores prevaleceu.

Com o tempo, o 13º salário consolidou-se como um direito fundamental da classe trabalhadora. Ainda assim, sua origem foi sendo apagada. Hoje, muitos trabalhadores que se dizem de direita, críticos dos sindicatos, da organização coletiva e das greves, usufruem desse benefício sem reconhecer que ele foi duramente combatido pelas mesmas forças políticas e econômicas que agora defendem.

A história do 13º salário demonstra, de forma inequívoca, que direitos trabalhistas não são concessões: são conquistas arrancadas por meio da organização, da mobilização e do enfrentamento social. Recordar essa trajetória é reafirmar a centralidade da luta coletiva na construção de direitos e na defesa da dignidade do trabalho.

Marcos Aurélio Gomes Ribeiro - Professor de História contemporânea do Brasil e Pesquisador do movimento sindical e Operário brasileiro

Fontes históricas:

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp.

GOMES, Angela de Castro. A invenção do trabalhismo. Rio de Janeiro: FGV.

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

MATTOS, Marcelo Badaró. Trabalhadores e sindicatos no Brasil. Rio de Janeiro: Vício de Leitura.

NOTA DE REPÚDIO – FITESA Federação Nacional dos Trabalhadores em Entidades Sindicais – FITES vem a público manifestar se...
11/12/2025

NOTA DE REPÚDIO – FITES

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Entidades Sindicais – FITES vem a público manifestar seu mais veemente REPÚDIO às cenas de truculência, autoritarismo e violência ocorridas na noite de ontem na Câmara dos Deputados.

O país assistiu, estarrecido, à postura arbitrária do presidente da Câmara, Hugo Motta, que determinou, de forma abusiva e autoritária, que agentes da Polícia Legislativa retirassem à força o deputado Glauber Braga da mesa da presidência. A ação violenta, desproporcional e injustificável expôs o parlamentar a agressões físicas, assim como atingiu deputadas que também foram violentamente empurradas e agredidas, num episódio que fere frontalmente a dignidade do parlamento brasileiro.

Nem mesmo durante os anos mais sombrios da ditadura militar testemunhamos tamanho desrespeito às liberdades democráticas dentro da própria Casa do Povo. A Câmara dos Deputados, espaço que deveria ser de debate, divergência e defesa dos direitos do povo trabalhador, transformou-se momentaneamente em palco de autoritarismo explícito e violência institucional.

A situação se agrava ainda mais com o cerceamento à imprensa, impedida de registrar e informar o que acontecia dentro do plenário. Jornalistas foram restringidos, e a TV Câmara chegou a ser retirada do ar, configurando grave violação ao direito constitucional de liberdade de imprensa e de transparência do poder público.

A FITES manifesta total solidariedade ao deputado Glauber Braga, às parlamentares agredidas e a todos os trabalhadores da comunicação que tiveram seu trabalho censurado. Repudiamos de forma categórica qualquer tentativa de intimidação, cerceamento de direitos, violência política ou ataque à democracia.

Reafirmamos nosso compromisso com a liberdade de expressão, o respeito às instituições e a defesa intransigente dos direitos da classe trabalhadora. Não aceitaremos retrocessos nem toleraremos práticas autoritárias em qualquer espaço da vida pública.

Direção Nacional – FITES
Federação Nacional dos Trabalhadores em Entidades Sindicais

04/12/2025

Opinião dos trabalhadores ✊🏽💼

A pesquisa “O Trabalho e o Brasil”, realizada pelo Vox Populi em parceria com CUT, centrais sindicais e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revela um cenário que contraria discursos dominantes sobre o mundo do trabalho.

Quase 68% dos entrevistados consideram os sindicatos importantes ou muito importantes, e quase 56% dos autônomos que já tiveram carteira assinada afirmam que “com certeza” gostariam de voltar ao regime de CLT.

Em entrevista ao , da , Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese, afirma que o resultado surpreendeu até mesmo especialistas. “O que sempre temos acesso são informações que vêm de pesquisas de grandes empresas de mídia, que repetem continuamente que o movimento sindical não tem mais representatividade”, disse.

Marcolino aponta uma dissonância entre o discurso conservador e neoliberal, que reduz o papel sindical, e a opinião dos trabalhadores. “Todos esses segmentos destacaram a importância do sindicato, que eles gostariam de se filiar”, destacou.

O problema é que a realidade de precarização e fragmentação das últimas décadas dificulta essa aproximação. “A classe trabalhadora foi fragmentada em uma situação bastante diversa de contratos precários, informalidade, terceirização, práticas anti-sindicais, alta rotatividade”, citou.

A pesquisa também identificou que 52,4% dizem não conhecer concretamente a atuação da entidade que os representa. A diretora do Dieese explica que isso se dá porque o modelo sindical brasileiro não permite a representação de amplos segmentos.

Sobre as prioridades para a ação sindical, 63,8% pedem melhores salários e 36,6%, bons empregos. “Nós vivemos num país de salários muito baixos, em que a exploração do trabalho é muito grande”, ressaltou Marcolino.

📍 O Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: uma às 9h e outra às 17h. Você confere as principais notícias na Rádio pela 98.9 FM na Grande São Paulo, no site e no YouTube do 📻

04/12/2025

Índice histórico 📉

O Brasil registrou, em 2024, os menores níveis de pobreza e extrema pobreza desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Segundo a instituição, o resultado está associado à ampliação de políticas sociais, como o Bolsa Família, e ao fortalecimento do mercado de trabalho.

A nova edição da Síntese de Indicadores Sociais, divulgada hoje (3), mostra que a combinação entre renda do trabalho e benefícios de transferência tem sido decisiva para melhorar as condições de vida da população mais vulnerável.

Em comparação a 2023, a proporção de brasileiros em extrema pobreza encolheu de 4,4% para 3,5%, o que representa 1,9 milhão de pessoas a menos nessa situação. No mesmo período, a taxa de pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, reduzindo o contingente de pessoas pobres em 8,6 milhões.

O levantamento revela ainda que o movimento de queda ocorreu em um cenário de aumento da renda média da população. O rendimento domiciliar per capita alcançou R$ 2.017 em 2024, o maior já registrado pela pesquisa — um avanço quando comparado aos R$ 1.697 medidos em 2012.

O crescimento foi especialmente significativo entre os 10% mais pobres, cuja renda subiu 13,2% em apenas um ano. Com isso, a desigualdade de renda também diminuiu: o Índice de Gini caiu de 0,517 para 0,504, o nível mais baixo desde 2012.

O levantamento revela que a pobreza foi maior entre os trabalhadores informais. Entre os ocupados sem carteira assinada, era um em cada cinco (20,4%). Entre os empregados com carteira assinada, a proporção era de 6,7%.

Apesar da melhora geral, as diferenças regionais permanecem marcantes. Em 2024, 39,4% dos nordestinos estavam abaixo da linha de pobreza, assim como 35,9% dos habitantes do Norte. Já nas regiões Sul e Centro-Oeste, as taxas de extrema pobreza permaneceram abaixo de 2%, com 1,5% e 1,6%, respectivamente.

Mesmo entre quem trabalha, a renda continua insuficiente para muitos. O estudo aponta que 11,9% dos trabalhadores ocupados, cerca de 12 milhões de pessoas, vivem em lares pobres, enquanto 0,6% estão em extrema pobreza.

Confira mais destaques da pesquisa no site do 📲

04/12/2025

Enquanto alguns tentam vender a ideia de que sindicatos são irrelevantes, 70% dos trabalhadores brasileiros pensam o contrário. A maioria apoia e também defende o direito de greve, dos trabalhadores CLT aos autônomos. Juntos somos mais fortes!

19/11/2025

Força sindical ✊🏽💪🏽

O número de trabalhadores sindicalizados no Brasil interrompeu uma trajetória de mais de 10 anos de queda e ganhou 812.000 pessoas em 2024. Dessa forma, o percentual de sindicalizados chega a 8,9% dos 101,3 milhões de pessoas ocupadas.

Com o acréscimo, o país registrou 9,1 milhão de pessoas associadas a sindicatos de trabalhadores em 2024, avanço de 9,8% em relação a 2023, quando eram 8,3 milhões. Mas o contingente continua bem abaixo dos 14,4 milhões de 2012 — recuo de 36,8% em 12 anos.

A constatação está em edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada hoje (19) pelo IBGE.

A pesquisa traz dados anuais desde 2012, com exceção de 2020 e 2021, por causa da pandemia de covid-19, que inviabilizou a coleta de dados. Em 2012, os sindicalizados representavam 16,1% dos ocupados.

🛠️ Efeito reforma trabalhista
Ao comentar a trajetória de queda até 2023, o analista da pesquisa, William Kratochwill, nota a relação com o ano de 2017, quando começou a ficar mais acentuada a queda no número de sindicalizados.

“Os dados mostram uma correlação forte entre a implantação da lei [da reforma trabalhista] e a queda do percentual de pessoas sindicalizadas”, aponta.

Uma das mudanças provocadas pela reforma foi o fim da contribuição sindical obrigatória.

Sobre o aumento de 2023 para 2024, Kratochwill acredita em uma recuperação da percepção dos trabalhadores sobre o papel dos sindicatos.

“O número de sindicalizados chegou a um valor muito baixo e, talvez, as pessoas estejam começando a verificar novamente a necessidade de se organizar, lutar pelos direitos dos trabalhadores, e isso se dá muito por meio do sindicato”, afirma.

Saiba mais na matéria da no

14/11/2025

SINDICALISMO 📢 | Os sindicatos não são resquício do passado — são uma das maiores invenções humanas e conquistas da modernidade. O sindicato é avanço civilizatório.

Como lembra Antônio Augusto de Queiroz, em sua cartilha “Para que serve e o que faz o movimento sindical” (Diap, 2017)1, o sindicalismo nasceu da necessidade de equilíbrio entre capital e trabalho, num mundo que transformou o ser humano em força produtiva descartável.

Sem o sindicato, o trabalhador enfrenta sozinho o poder econômico, jurídico e político do capital.

O movimento sindical é, portanto, a forma organizada da resistência, o instrumento que impõe limites ao lucro e faz do trabalho espaço de dignidade — e não de submissão e exploração desmedida.

Voz que protege o trabalhador

O papel do sindicato vai muito além das negociações salariais. Esse instrumento do trabalhador representa, defende e educa.

Representa, às mesas de negociação; defende os direitos conquistados; e educa para a consciência de classe e a cidadania ativa.

Foi a luta sindical que garantiu: jornada de 8 horas, 13º salário, férias e descanso remunerado, licença-maternidade e paternidade, Previdência e Seguridade Social.

Sem essa força coletiva, a história seria outra: o lucro seguiria sem limites, e o trabalhador teria de “pagar pelo ar que respira”, como provoca o autor deste — metáfora precisa para o que seria a vida sem contrapoder social.

Sindicalismo é modernidade

O sindicalismo é filho da Revolução Industrial (1760-1840) e irmão da democracia moderna2.

Nasce no mesmo impulso civilizatório que reconhece direitos, organiza o Estado e limita o poder econômico.

Por isso, atacar os sindicatos é negar a própria modernidade.

por Marcos Verlaine
📸Reprodução

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14/11/2025

CLT 📢 | O mercado de trabalho brasileiro enfrenta situações que, num primeiro momento, podem parecer paradoxais, mas que, na verdade, refletem a forma como milhões de brasileiros procuram lidar com dois dos maiores problemas enfrentados pela classe trabalhadora: a precarização e os baixos salários.

Pesquisa feita pela empresa Randstad e divulgada pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira (10) indica que 44% dos jovens com menos de 30 anos priorizam ter mais flexibilidade; 37%, o crescimento pessoal; e 35%, um salário adequado.

Outra medição, realizada recentemente pelo Datafolha apontou que 59% dos brasileiros preferiam trabalhar por conta própria, número que vai a 68% entre os mais jovens (16 a 24 anos).

No entanto, parte de um levantamento feito pela Vox Populi e encomendado pela CUT, CTB e demais centrais sindicais, também divulgada nesta semana, aponta que 56% dos que se declaram autônomos e já foram celetistas afirmam que, com certeza, gostariam de voltar a ter sua carteira assinada.

A pesquisa foi desdobrada em vários eixos, para sistematização e análise em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), com o objetivo de captar e entender o cenário real da classe trabalhadora e do mundo do trabalho atual.

por Priscila Lobregatte
📸 reprodução

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14/11/2025

O DIEESE e a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab divulgam hoje, 10/11, os dados de outubro da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos. O valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 16 das 27 capitais pesquisadas.

As cestas mais caras foram verificadas em São Paulo (R$ 847,14), Florianópolis (R$ 824,57) e Porto Alegre (R$ 823,57). As mais baratas em Aracaju (R$ 550,18), Maceió (R$ 592,25) e Salvador (R$ 606,39).

Em outubro de 2025, o salário mínimo necessário deveria ter sido R$ 7.116,83. O valor é 4,69 vezes o mínimo de R$ 1.518,00.

Mensalmente, o DIEESE estima o salário mínimo necessário com base no valor da cesta básica mais cara e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele (quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças que equivalem a um adulto) com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Confira a pesquisa completa no site do DIEESE
https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/2025/202510cestabasica.html

14/11/2025

Nova regulamentação 📜

O presidente Lula (PT) assinou ontem (11) um decreto que atualiza regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que regulamenta o sistema de vale-alimentação e vale-refeição. A medida pode resultar em queda nos preços das refeições e da cesta básica, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A proposta reduz taxas, antecipa prazos de pagamentos e aumenta a possibilidade de estabelecimentos aceitarem os vales.

Uma das principais mudanças é o limite para taxas cobradas pelas operadoras sobre o vale-refeição e o vale-alimentação: a taxa máxima deve ser de até 3,6% e a tarifa de intercâmbio terá teto de 2%. O decreto também reduz o prazo de repasse dos pagamentos aos estabelecimentos para até 15 dias corridos. Atualmente, esse prazo é de até 30 dias.

A nova regulamentação também determina que, em até 360 dias, qualquer cartão do programa funcione em qualquer maquininha de pagamento. Hoje os estabelecimentos só aceitam vale-alimentação e vale-refeição integrados às bandeiras de cartões com que operam.

Nas redes sociais, Lula ressaltou que as novas regras vão beneficiar tanto supermercados, padarias e restaurantes como os trabalhadores. A estimativa é que 22 milhões de pessoas e 327.000 empresas sejam beneficiadas.

“É bom para os restaurantes e padarias grandes, pequenas e médias. É bom para quem vende hortifruti, ou seja, para quem vende fruta nesse Brasil inteiro. É do país todo que estamos falando. Se é bom para todo mundo, é bom para o trabalhador também. E se é bom para o trabalhador, é bom para o Brasil, para todos nós”, afirmou Lula.

Em nota, a Abas apontou que as mudanças propostas no programa do vale-alimentação e do vale-refeição “eliminam cobranças abusivas e penduricalhos que elevavam os custos para o varejo e, consequentemente, para o consumidor”.

“O resultado será uma cesta básica mais barata e um sistema mais justo para todos”, disse o presidente da entidade, João Galassi.

Detalhes no , com informações da

07/11/2025

Dossiê: Fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho
Qual o papel dos sindicatos na luta pelo fim da escala 6x1?

Resumo
O artigo discute a participação do movimento sindical brasileiro na luta em torno do fim da escala 6X1. A bandeira da redução da jornada é histórica e esteve na pauta do movimento sindical nos anos 2000. Todavia, não conseguiu mobilizar, nem engajamento nas redes. Por que o movimento sindical hesitou a apoiar a luta pelo fim da escala 6X1 alavancada pelo movimento Vida Além do Trabalho? Apresentamos duas hipóteses: 1) o VAT conquistou apoio popular ao incorporar uma dimensão concreta que afeta negativamente a vida de muitas pessoas que vivem em função do trabalho e têm pouco tempo para as outras dimensões da vida; 2) o movimento sindical concentra-se nos assalariados formais mais estruturados, tendo pouca representatividade perante amplos setores da classe trabalhadora, enquanto o VAT dialoga com os(as) informais, constituindo-se em uma expressão política da luta contra as condições precárias de trabalho. No entanto, essas diferenças não impedem o movimento sindical de superar sua resistência inicial e se somar a essa luta.

Autores
Ana Paula Colombi
Anderson Campos
Ariella S. Araujo
Andréia Galvão
Elaine Amorim
José Dari Krein
Patrícia Vieira Trópia

Disponível no site do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp
https://pesquisa.ie.unicamp.br/categoria/cesit/dossie-fim-da-escala-6x1/

07/11/2025

60% dos trabalhadores de aplicativos não desejam vínculos formais, segundo pesquisa do Datafolha, encomendada pela Uber. Ainda assim, seis em cada dez aceitariam um emprego com carteira assinada se o salário fosse equivalente a quatro mínimos (R$ 6.072).

A percepção desses trabalhadores acompanha uma tendência confirmada pelos números: o total de pessoas que vive do trabalho por aplicativos cresceu 25,4% entre 2022 e 2024, segundo o IBGE. Em 2024, cerca de 1,7 milhão de brasileiros usaram plataformas digitais para trabalhar, mais de 335 mil novos trabalhadores em apenas dois anos.

A expansão foi puxada pelos aplicativos de transporte de passageiros, que concentram 58% dos trabalhadores plataformizados. Em seguida vêm os entregadores de comida, que somam 29% do total.

O crescimento, no entanto, é marcado por alta informalidade: 71% dos trabalhadores de aplicativos não têm vínculo formal, índice bem superior aos 43,8% do restante da população ocupada. O aumento também vem acompanhado de baixa autonomia, já que as plataformas definem o valor pago pelos serviços, e de jornadas mais longas: trabalhadores de aplicativos cumprem, em média, 44,8 horas semanais, contra 39,3 horas entre os demais.

🔗🎥Quer saber mais sobre o tema? Assista ao documentário GIG – A Uberização do Trabalho, da Repórter Brasil, que aprofunda o debate sobre esse modelo de trabalho: https://bit.ly/GIGnoYouTube

📸NicoleLeslie2

Endereço

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Brasília, DF
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