04/03/2026
A Serrinha do Paranoá não é um “vazio urbano”. É um elo vivo entre três das mais importantes áreas protegidas do DF: o Parque Nacional de Brasília, a Estação Ecológica de Águas Emendadas e a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central.
Essas unidades — Parque Nacional de Brasília, Estação Ecológica de Águas Emendadas e Área de Proteção Ambiental do Planalto Central — dependem das áreas de conexão da Serrinha para manter o fluxo da vida.
É por meio desse corredor ecológico que animais circulam, populações trocam material genético e o Cerrado permanece funcional. Sem essa conexão, ocorre o chamado “efeito de ilhas”: fragmentos isolados, populações pequenas, erosão genética, mais doenças, menos fertilidade e maior risco de extinção local.
Além disso, essas áreas garantem infiltração de água, proteção de nascentes e equilíbrio climático.
Defender a Serrinha é defender a continuidade entre essas unidades. É proteger a fauna silvestre. É garantir água e qualidade de vida para o presente e o futuro.
É por isso que a indignação que hoje mobiliza as organizações da sociedade civil, o Instituto do Sol Nascente e a Associação Preserva Serrinha não é exagero, é responsabilidade.
Manifestamos nossa profunda contrariedade ao grupo de deputados federais que votaram favoravelmente ao PL que utiliza patrimônio ambiental estratégico como moeda para “salvar” o Banco de Brasília (BRB).
Não se trata apenas de uma decisão econômica. Trata-se de escolher sacrificar áreas essenciais para a conectividade ecológica, para a proteção das nascentes e para a manutenção da vida silvestre.
Áreas de corredor ecológico não são terrenos disponíveis. São estruturas vivas que garantem fluxo gênico, equilíbrio climático e segurança hídrica.
Quando o poder público ignora a ciência e a função ecológica do território, toda a sociedade paga o preço — hoje e nas próximas gerações.
Seguiremos firmes na defesa do Cerrado em pé, da água e do direito coletivo a um futuro sustentável.