11/05/2026
A Associação Nacional dos Membros das Carreiras da Advocacia-Geral da União (ANAJUR) vem a público manifestar firme repúdio à charge publicada pela Folha de S.Paulo na edição deste sábado (9), que, ao utilizar a imagem de uma lápide em meio ao recente falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira, ultrapassa os limites da crítica legítima e incorre em manifesta insensibilidade diante da dor humana.
A liberdade de imprensa e o livre exercício da crítica constituem valores indispensáveis à democracia e ao Estado de Direito, devendo ser permanentemente resguardados. Todavia, tais garantias não se dissociam da responsabilidade ética que deve orientar a atuação de todos os agentes públicos e privados, especialmente em situações marcadas pelo luto e pela comoção social.
É inaceitável que uma tragédia pessoal seja utilizada como elemento simbólico de ataque institucional ou como instrumento de reforço de narrativas depreciativas acerca das instituições públicas e de seus integrantes. O respeito à dignidade humana deve prevalecer sobre qualquer pretensão de impacto retórico ou provocação editorial.
O debate público sobre o Poder Judiciário, o serviço público e as instituições republicanas são legítimos e necessários. Contudo, nenhuma divergência pode justificar manifestações que banalizem a morte, relativizem o sofrimento de familiares e colegas ou contribuam para a desumanização daqueles que dedicam suas vidas ao exercício da função pública.
Em momentos como este, espera-se da sociedade, e, sobretudo, dos meios de comunicação, equilíbrio, empatia e compromisso com valores civilizatórios mínimos, sem os quais o próprio ambiente democrático se deteriora.
A ANAJUR solidariza-se com os familiares, amigos e colegas da juíza Mariana Francisco Ferreira, reiterando seu respeito à memória da magistrada e defendendo que o debate público jamais se afaste da humanidade, da ética e da responsabilidade.