10/02/2026
Fatalidade existe. Ninguém está livre de sofrer uma arritmia ou uma parada cardíaca. O que não pode existir é omissão e falta de socorro adequado.
Neste caso, não havia DEA no local e a vítima não foi desfibrilada. É preciso deixar claro, o desfibrilador faz parte do Suporte Básico de Vida. Suporte Básico de Vida sem desfibrilador, na prática, não funciona para reverter fibrilação ventricular. Se é preciso esperar uma ambulância para aplicar o primeiro choque, o atendimento já começa atrasado. O Suporte Básico de Vida completo precisa acontecer no local.
Em paradas cardíacas desse tipo, cada minuto sem choque reduz em cerca de 10% a chance de sobrevivência. É irreal imaginar que uma ambulância do SAMU ou dos bombeiros chegue em menos de 10 ou 15 minutos. Quando a equipe chega, muitas vezes a janela de reversão já se perdeu, por melhor que seja o atendimento.
Mesmo com DEA, poderia não sobreviver? Poderia. Mas ele teria uma chance real. Sem desfibrilador, essa chance simplesmente não existe. E isso é inaceitável, privar a vítima da possibilidade de reversão.
O mais grave é que isso não é acaso. Em 2005, o Distrito Federal tinha uma lei que obrigava academias a terem DEA. Depois de lobby, o texto foi alterado para exigir apenas em locais com circulação acima de 1.500 pessoas. Na prática, quase nenhuma academia ficou obrigada a ter o equipamento.
É um contrassenso gastar dezenas de milhares de reais em máquinas e esteiras e dizer que 6 a 8 mil reais em um desfibrilador é caro. Pior ainda é não investir em treinamento sério de primeiros socorros.
Instituições responsáveis tentam tudo o que é possível. Se, mesmo assim, a pessoa não resiste, ao menos foi feito tudo. O que não pode é normalizar a omissão. O que está em jogo não é dinheiro e sim a possibilidade de se ter uma segunda chance de viver.