31/07/2025
O morcego que queria cantar:
Numa floresta escura, onde os sons ecoavam entre as árvores, vivia um morcego chamado Bartolomeu. Ao contrário de seus irmãos, que amavam a noite e as frutas que ela oferecia, Bartolomeu tinha um sonho diferente: ele queria cantar. Ele passava horas praticando, mas sua voz era um desastre. Os outros morcegos o ignoravam, e as corujas riam de suas tentativas desafinadas.
Desanimado, Bartolomeu voou para longe, buscando um lugar onde pudesse ser ele mesmo. Chegou a uma clareira onde um grupo de vagalumes, liderados pela sábia Vagalume Celeste, brilhavam e cantavam em harmonia. Vagalume Celeste notou a tristeza de Bartolomeu e perguntou o que o afligia.
Bartolomeu contou sua história, e Vagalume Celeste, com um sorriso gentil, explicou que cada ser tem seu próprio talento. ‘Sua força está em seu sentido de orientação, em sua habilidade de voar no escuro’, ela disse. ‘Mas, para cantar, você precisa usar sua voz de outra forma, talvez de um jeito que você ainda não descobriu.’
Inspirado, Bartolomeu voltou para casa. Naquela noite, a floresta foi atingida por uma forte tempestade. As árvores balançavam e o vento uivava, mas a maior parte dos animais estava perdida, desorientada. Bartolomeu, com seu excelente senso de orientação, guiou os morcegos para um abrigo seguro. Ele usou sua voz para emitir sons de alta frequência, que ricocheteavam nas árvores, ajudando-os a encontrar o caminho.
Ao final da tempestade, a floresta estava em silêncio, mas não havia mais risadas. Os morcegos, gratos, perceberam o valor de Bartolomeu. Ele não precisava cantar como um pássaro; sua voz, à sua maneira única, era uma melodia de salvação. E assim, Bartolomeu, o morcego que queria cantar, encontrou sua verdadeira voz e foi aceito por quem ele era. (Cleiton dos Reis)