Para contar a história do Bairro Maringá, seria necessário fazer um livro, mas vamos tentar fazer um resumo das pesquisas e conversas que tivemos com os moradores mais antigos para descobrirmos um pouco mais de nosso querido e grande bairro.
Esclarecemos que alguns dados ou nomes podem não ter sido lembrados, mas queremos incentivar o diálogo entre avós, pais, filhos e netos, para que assim, crianças e jovens possam saber como era a vida antigamente.
E quem sabe assim, valorizar ainda mais a luta e a história de vida de seus pais e avós, e também trazer as lembrança dos mais velhos, os bons momentos do passado.
Hoje as famílias pouco conversam entre si, quem sabe não estamos dando oportunidade para aumentar o diálogo entre as pessoas. Diálogo esse prejudicado pela chegada da televisão.
As vezes as pessoas se emocionam com situações ocorridas nas novelas, mas não sabem que seus pais e avós podem ter vividos emoções semelhantes ou ainda maiores.
O bairro tem aproximadamente 54 anos, sabe se que muitos dos primeiros moradores do bairro moravam na zona rural ou na chapada, quando se iniciou o Bairro Maringá.
A chapada era composta de casas que iam até perto da Vila Vicentina. No ano de 1963, as casas foram encobertas pelas águas de Furnas, fazendo com que os moradores deixassem a área a ser inundada e mudassem para o outro bairro, principalmente para o Bairro Maringá.
Da antiga Chapada, só restaram a Rua Dona Cândida (considerada a Rua mais antiga de Boa Esperança), o bar do Celeiro e a Igreja de Nossa Senhora Aparecida.
Entre o Bairro Maringá e a Chapada havia uma ponte, que certa vez foi arrancada por uma grande enchente, f**ando depois apenas uma pinguela para atravessar para o outro lado.
O Ribeirão Cascavel passava no mesmo curso atual, entretanto ainda não existia a Lagoa da Maringá, e praticamente paralelo ao Ribeirão havia um rego de água, que f**ava mais ou menos uns 30 a 50 metros acima, e que cortava a área do então Bairro Maringá. Este rego que até a rua da Bahia corria quase que paralelo ao Ribeirão, tomava outro curso a partir daí e seguia o rumo até mais ou menos perto da Vila Vicentina e Hospital Nossa Senhora das Dores que já existiam nesta época.
Na época, era neste ribeirão, no trecho onde f**ava a antiga casa do Deco (Final da Rua Pernambuco) e também no rego que cortava o Bairro Maringá, que as mulheres se reuniam para lavar roupa no ribeirão. Existiam pedras para as lavadeiras baterem as roupas em toda a extensão do rego de água, em alguns pontos, a água também era utilizada para consumo.
Com a povoação do Bairro, a água foi f**ando suja e os moradores passaram em uma cisterna de uso comunitário que existia perto de onde mora o Murilo Zico. Mas em épocas de enchente esta cisterna f**ava encoberta pelas águas e durante algum tempo as pessoas tinham que buscar água no açude ou em locais distantes.
Depois de muitos anos foi instalada uma to****ra comunitária em frente a casa do Sr. Osmar, onde se formava grandes filas para se pegar água. Isto foi há mais de trinta anos atrás, com o passar do tempo a população começou a ligar a água em suas casas.
O Ribeirão que passa atrás do Bairro Maringá , antigamente era muito utilizado para pescaria, onde se pescava traíras, mandis e lambaris, Com o tempo os peixes foram tornando-se escassos, devido a diversos fatores, o ribeirão era muito utilizado também para natação,
O nome Maringá, foi escolhido pelo Sr. Delduque Barbosa, um dos primeiros a lotear , em razão de gostar muito da música “MARINGÁ” – do compositor mineiro Jourbert de Carvalho e gravada por Francisco Petrônio entre outros artistas).
Grande parte das primeiras famílias do bairro ganharam os lotes do Sr. Delduque Barbosa, que sempre foi muito querido pelos moradores do bairro devido a sua generosidade e simpatia.
Quando se iniciou o bairro, a casa onde hoje reside o Sr. Nestor (Avenida Maringá) já existia, as primeiras casas e famílias (pelo nome ou apelido como eram conhecidos pelos amigos) segundo a lembrança das pessoas, foram entre outras, as do Zé Cassiano, do Esquisito (só conhecido por este apelido), Sô Eurico, Geraldo Piorra, Sô Alamim, João Barba, Sô Tião Garcia, Zé Gordura, Sô Zico, Pedro Zico, Sô Fernandes, Sá Mariana e Mané Marceneiro, Maria Ferreira, Sá Tiana (Mané Mateus), Antonio Olimpio e as Maria Miguel (dos Santos-Mãe do Valdir) e Maria Miguel (Mãe da Maria Divina).
O curioso é que além de se mudarem quase na mesma época, as duas Maria Miguel moravam uma em frente a outra.
A ordem de mudança para o bairro não é essa, pois existiram outros moradores que as pessoas consultadas não lembraram o nome.
A maioria das pessoas com as quais conversamos moram no bairro há aproximadamente 53 anos, e vieram para o bairro ainda criança.
Os primeiros comércios foram do Sô Tião Garcia, que passou para o Hélio e do Zé Bem, que passou para o João Evangelista e Élson. No passado existiram também a padaria do Moisés e a vendinha do João Antonio.
Entre os produtos vendidos na época, além do querosene para as lamparinas e lampiões que iluminavam as residências , vendiam-se arroz, feijão, açúcar e até óleo a granel.
Quando a luz elétrica chegou , no inicio da atual Rua Bahia, foi uma festa com foguetes e comemoração, mas devido ao alto custo da instalação, a maioria dos moradores não tinha condições financeiras para levar a luz para dentro de suas casas, e as ruas das redondezas ainda não possuíam postes de iluminação. Teve casos de ter os postes, mas demoravam para colocar fios e lâmpadas, para permitir que os moradores dessas ruas tivessem a luz em suas residências.
Por certo a vida nessa época não era fácil, mas a alegria e a amizade dos moradores, já era uma marca registrada de nosso bairro, que acolhia muito bem a todos os novos moradores que chegavam para morar no bairro e ajudar-nos a formar uma grande família.
A Rede de esgoto demorou a chegar, em 1985 com a fundação da Associação Comunitária, que teve participação fundamental para que as obras fossem terminadas, que este beneficio chegou a maioria dos moradores.
A primeira rua calçada foi a Rua Pernambuco, na gestão do Prefeito Dr. José Lourenço, em 1988, depois aos poucos cada administração foi calçando ou asfaltando e hoje o Bairro está praticamente todo pavimentado, com exceção do Jardim Mont Rey .
O Sr. Roque era até pouco tempo a pessoa mais idosa do bairro, faleceu recentemente, era um grande amante de um joguinho de truco, e inúmeros moradores de várias as idades sempre estavam em sua casa se divertindo e desfrutando de sua amizade.
Há muitos anos atrás também faleceu a Sá Georgina ou Vó Georgina, como as crianças a chamavam, todas as crianças tomavam benção dela, e todo o bairro e até gente de outros lugares ia lá para ela benzer suas crianças, foi uma pessoa que deixou muita saudade, visto que era muito querida, e foi homenageada pela Prefeitura Municipal que colocou seu nome no Pré Municipal que existia no bairro, e hoje foi incorporado à Escola Achilles Naves.
Nos anos 60 era na casa do Q**m Mateiro (irmão da Sá Tiana) que os moradores se reuniam para dançar, ao som das músicas da época tocada em sua vitrola de dar corda.
Essa tradição de festinhas nas casas era bem comum e atingiu também os anos 70, 80 e 90, eram as chamadas “brincadeiras”, onde os amigos e vizinhos se reuniam para ouvir e dançar as músicas da época, nos anos 70 foi o auge da discoteca, depois veio a New Wave e Michael Jackson, nesse período teve até Menudos, estas festas aconteciam em clima de alegria e união, sem bebidas e sem confusão, e as pessoas além de dançarem, também aproveitavam para se conhecer, inclusive, nestes bailinhos se formavam muitos casais, que bom se hoje ainda as coisas fossem iguais. Nos anos 70, muitas festas aconteciam também ao som do Conjunto Blue Stars (Valdir, Vicente, Lustroso, Tião e outros, em algumas apresentações até o hoje Professor Pedrinho se aventurava, e muito bem, nos vocais do conjunto).
Sobre a questão da luz elétrica, foi há apenas uns 20 anos que a Rua do Cemitério foi iluminada, e poucas pessoas tinham coragem de passar por lá a noite, muita lenda e folclore existia naquele caminho, o isto provocava receio de se passar por lá, principalmente na época da quaresma.
Por certo a vida nessa época não era fácil, mas a alegria e a amizade dos moradores, já era uma marca registrada de nosso bairro, que acolhia muito bem a todos os novos moradores que chegavam para morar em nosso bairro e ajudar-nos a formar uma grande família.
Tínhamos também no bairro a D. Maria Miguel (Mãe do Valdir), que era a parteira do bairro e de toda redondeza, quase todas as crianças que nasciam no bairro, vinham pelas mãos dela, há quem dizia que se ela não desse jeito, nenhum médico dava, a não ser com cesariana, ela também era muito procurada por pessoas de vários lugares distantes para ajudar suas crianças a vir ao mundo, segundo a família ela perdeu a conta de quantos partos realizou.
Televisões também eram poucas e era comum os vizinhos irem pra casa das pessoas, assistirem os programas da época e jogos de futebol, as crianças f**avam encantadas com os desenhos, que na época ainda eram preto e branco. As primeiras televisões foram na casa da Ana Piorra, Pedro Zico e Maria Miguel (Mãe do Valdir), até mesmo rádio, ainda de pilha, era difícil na época e várias pessoas iam nos vizinhos ouvir música ou os famosos programas da época. Moradores da comunidade do “Barro” vinham até a Maringá para assistir novelas na casa do Tião Landário.
Um costume antigo do bairro era as festas juninas, feitas em volta de fogueiras, geralmente em casa de devotos de Santo Antonio, São Pedro e São João.
Nos finais de semana, a população se unia nos campos de futebol para jogar ou assistir aos jogos, existiram vários campos de futebol no bairro, entre eles o Campo do Júlio, muitos iam também ao Campo de Futebol da Chapada, e em outros campos que tinham no bairro, um dos campos mais utilizados f**ava onde hoje f**a a Escola Achilles Naves, era de terra e o terreno era íngreme, mas era muitos freqüentado por crianças e jovens que lá iam praticar esportes e se divertir, mas estes bons tempos terminaram no inicio dos anos 90 e hoje não possuímos nenhum campo de futebol, nem quadra poliesportiva, a quadra construída na Avenida Maringá, teve um erro de projeto que causou o afundamento do piso, não tendo condições de ser utilizada, esperamos que um pouco destes bons tempos possam voltar num futuro bem próximo, pois o esporte além de ser fonte de saúde, proporciona lazer a todos, e ajuda a afastar crianças e jovens do caminho das dr**as e da violência. Os times mais famosos do bairro foram o ACAM e o do Júlio, hoje só temos o Richester Futebol Clube que há 15 anos representa e muito bem nosso bairro no cenário esportivo, mesmo não possuindo um campo para treinamento.
E, assim o bairro foi crescendo e gerando novos loteamentos, como Jardim Bela Vista e Jardim Geraldo Freire, e hoje juntamente com Jardim Mont Rey, Jardim Por do Sol e Jardim Beira Lago (onde se iniciou o Bairro Maringá), formaram este grande bairro com mais de 4.000 pessoas, que apesar das dificuldades, já que as coisas nunca foram fáceis para nosso bairro, seguem a vida com alegria no coração, cultivando a amizade e a solidariedade, lutando por dias melhores e trabalhando honestamente para ganhar o pão de cada dia e garantir um futuro melhor para seus filhos e netos.
Este é nosso bairro, que ainda tem muitas histórias para contar e muitos sonhos a conquistar.
Esta é nossa gente, gente alegre e solidária, gente amiga e batalhadora, que sempre ajudou e sempre ajudará na desenvolvimento de nossa cidade e que merece ser valorizada e ser tratada com carinho e respeito.