O Serviço Assistencial Salão do Encontro é uma associação de direito privado, sem fins econômicos, possuidora de autonomia política e administrativa que nasceu do sonho e vontade de duas pessoas: Noemi Macedo Gontijo, professora de artes e Frei franciscano Stanislau Bartoldi. Eles se uniram em torno da intenção de aliviar a fome e a carestia de famílias pobres da periferia de Betim. Em 1970, com a
ajuda da comunidade, ergueram um salão onde as pessoas se alimentavam e encontravam soluções para seus problemas. Em pouco tempo essa mesma comunidade demonstrou que apenas o alimento era pouco perto de suas necessidades. Queriam um trabalho digno e a conquista do direito de gerar o seu próprio sustento. Foi então, que além das refeições diárias, este salão passou a abrigar alguns teares de tecelagem manual e umas poucas bancadas para o trabalho em couro. A partir daí, teve início uma atividade que foi se transformando num espaço de profissionalização de adultos, tendo como viés a formação artística. A receita com a comercialização dos artesanatos logo se tornou suficiente para a compra de alimentos, as doações incertas deixaram de ser um transtorno, possibilitando a remuneração dos artesãos. Desde então, o trabalho artesanal foi crescendo, ampliado para outras modalidades e hoje, as oficinas implantadas fazem da organização um "Centro de Difusão da Arte Popular", no qual a memória dos saberes da tradição artesanal se mantém preservada, dialogando com as suas possíveis releituras. Ao priorizar a família e criar condições de trabalho para seus membros adultos, a comunidade conquistava uma solução efetiva para a reestruturação familiar. Com a alternativa de trabalho assegurada, logo surgiram outras demandas, como foi o caso da atividade educacional para as crianças. Uma turma com 30 delas deu origem à Pré-escola. A unidade tem a capacidade de atendimento de cerca de 800 alunos. Este projeto permitiu estender os benefícios desta atividade, priorizando sempre a participação seguindo critérios de ordem sócio-econômica e/ou vulnerabilidade. De fato, desde a década de 80 os programas educacionais se tornaram prioridade para a organização, visto que a prática educacional foi se afirmando como um caminho eficaz para a solução de diversos problemas da comunidade. Atualmente, cerca de 800 crianças e adolescentes participam diretamente do programa educacional em unidades de Creche, Pré-escola e Escola Complementar e Unidade Filhote, implantado em 2007. A entidade é gerenciada por uma equipe formada por homens e mulheres, ex-alunos que aprenderam os valores e a filosofia implementada e hoje lideram repassando esta experiência para os demais participantes. Além disso, os gestores contam com a importante presença de sua fundadora e presidente que também participa nas mobilizações, orientações e conselhos da instituição.