06/06/2026
Um dos grandes desafios no enfrentamento ao abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes é a vítima encontrar coragem para romper com o silêncio.
No entanto, após vencer este obstáculo, muitas vítimas começam a enfrentar um outro, maior ainda, e que não depende da sua coragem: a lentidão na marcha processual, com processos que não andam, audiências adiadas e sentenças que demoram anos.
No Meninadança, acompanhamos de perto o impacto dessa demora. Para meninas que já enfrentaram violência, cada dia sem resposta representa mais incerteza, mais sofrimento e mais injustiça.
A Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente garantem prioridade absoluta às crianças e adolescentes. Mas a prioridade não pode existir apenas na lei. Ela precisa ser uma realidade nos tribunais, nas delegacias, nos serviços de proteção e em todo o sistema de Justiça.
Acreditamos que este é um dos desafios mais urgentes na proteção e defesa de meninas hoje. Enquanto a Justiça demora, vidas seguem em frente, provas se perdem, traumas se aprofundam e a confiança no sistema é colocada à prova.
Por isso, continuaremos falando sobre esse tema, acompanhando casos, cobrando respostas e defendendo que crianças e adolescentes sejam tratados com a prioridade que a lei já lhes garante.
Porque a infância não pode esperar.
E porque a demora também é violência.