Ativismo Urbano

Ativismo Urbano ATIVISMO URBANO: EM BUSCA DE NOVAS PERSPECTIVAS
O Cidade Eletronika este ano se expande em busca de novas práticas de ocupação dos espaços públicos.

... estão reunidos alunos e professores de arquitetura, urbanismo, design e artes, que se juntam a coletivos internacionais em uma rede de trabalho colaborativo. Se antes essa era uma de suas premissas, nesta edição as intenções se potencializam em várias de suas ações. Em torno da realização do Seminário e dos Workshops estão reunidos alunos e professores de arquitetura, urbanismo, design e artes

, que se juntam a coletivos internacionais em uma rede de trabalho colaborativo. Imagina-se uma imersão que permita a criação de múltiplos modos de apropriação do espaço urbano, compondo meios de questionamento diante da forma com que o urbanismo tradicional vem agindo junto à sociedade. Entendemos que práticas dissonantes e pautadas pela diversidade de pensamento são pertinentes em regiões metropolitanas. Em tempos de melhorias de condições econômicas do país, à espera de grandes eventos internacionais, assistimos a um processo de planejamento urbano com evidentes traços higienistas. Mendigos, moradores de rua, feirantes, pipoqueiros, catadores de papel, grafiteiros, favelados, skatistas, mc's, sem teto, enfim, todo tipo de cidadão considerado marginal está sendo expulso de áreas de interesse para exploração econômica, turística ou cultural. Os projetos desenvolvidos pelo estado, e, obviamente, desenhado por arquitetos e urbanistas, são de nítido caráter excludente. Debates ambientalistas e em defesa do "patrimônio" público invadem, tanto as universidades, quanto os discursos dos políticos que, contraditoriamente, negociam ruas, alugam praças e concedem áreas de preservação ambiental para mineradoras e empreiteiras. Na contramão desta gestão elitista dos espaços que deveriam ser de todos, alguns movimentos de ativismo urbano surgiram em Belo Horizonte nos últimos anos. Além disto, escolas de Arquitetura e Urbanismo, aos poucos, ganham novas disciplinas que incorporam um posicionamento crítico abandonado pela prática da arquitetura e do urbanismo no Brasil. A discussão sobre os territórios se torna hoje um tema urgente que se estende a muitos, e que motiva várias das ações do Cidade Eletronika. A programação do Seminário Ativismo Urbano foi pensada em nome da diversidade e da ênfase ao papel político de arquitetos, urbanistas, designers e artistas. Para a realização dos Workshops, foram convidados grupos que conduzem projetos culturais utilizando estratégias multifacetadas de intervenção urbana. São ações que possuem diferentes escalas e envolvem diversos níveis de tecnologia (do artesanal ao eletrônico) pautadas pelo entendimento do espaço urbano como essencialmente público – onde se sobressai o coletivo, o político e o social. São atuações que valorizam o caráter processual, realizadas em ações temporárias, utilizando métodos colaborativos. Reunimos assim um grupo de participantes otimistas e que encontram na cidade contemporânea um universo de oportunidades positivas, conciliando práticas passadas e futuras, envolvendo tecnologias locais e imediatas, de código aberto, em ações que intensificam a distribuição da informação livre em modo “copyleft". Produzem um urbanismo ativista, que experimenta ações não convencionais, fomentando práticas heterodoxas. Ressalta-se, portanto, ações que fomentam a apropriação dos espaços públicos por seus usuários imediatos, que, empoderados via táticas e dispositivos construídos colaborativamente, viabilizariam processos auto-gestionários. Com foco nas formas de comunicação atuais, pretende-se estimular redes de coletivos, de grupos comunitários, de universidades e de lugares de encontro, através de blogs e sites que potencializem a troca livre e aberta de informação. Evidencia-se neste tipo de ativismo urbano, uma indisciplinaridade que surge em relação com a vida cotidiana, numa fuga evidente da especialização – um artifício de fabricação da autoridade. Potencializa-se aqui, entre o indivíduo e sua realidade social, um ativismo urbano estimulado, planejado ou espontâneo, que drible, em suas micropolíticas, um estado demasiadamente pactuado com o capital que de maneira autoritária vem conduzindo um urbanismo tradicional e obsoleto. Entender esse contexto, e atuar de forma crítica, é o primeiro passo para se celebrar as novas possibilidades que a cidade enseja.

Endereço

Belo Horizonte, MG

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