09/07/2026
Carta aberta à sociedade mineira e aos policiais de honra do estado
Mais uma vez venho a público denunciar a grave situação de corrupção, assédios e precariedade que persiste no sistema prisional de Minas Gerais.
Durante toda a atual gestão da Sejusp e do Depen, tenho denunciado, por meio de textos, vídeos e ofícios, as péssimas condições enfrentadas pelos servidores da segurança pública estadual. Corrupção, assédios moral e sexual contra policiais penais e servidores administrativos, falta crônica de pessoal e a omissão de órgãos responsáveis pela gestão do sistema prisional são realidades recorrentes.
As unidades prisionais operam com grave déficit de servidores. É comum que um ou dois policiais penais fiquem responsáveis pela vigilância de um grande número de presos, com apenas um agente na portaria e dois nos pavilhões. Essa realidade compromete seriamente a segurança dos próprios servidores e a ordem nas unidades.
Destaco ainda a ausência da Lei Orgânica para a Polícia Penal e a fragilidade hierárquica da categoria. Trata-se do maior descaso deste governo. Apesar que o secretário Rogério Greco afirma que está pronto na Seplag, a verdade é que, até o momento, não existe uma solução.
Meu Questionamento é por que tanto enrolação?
A lei orgânica é prioridade ou não?
A falta de uma Lei Orgânica específ**a deixa os policiais penais em situação de instabilidade jurídica e com hierarquia mal definida. Atualmente, o único superior hierárquico dos policiais penais é o Governador do Estado. Pois sem a lei orgânica não existe hierarquia.
Isso gera insegurança quanto aos direitos futuros da categoria e impacta diretamente as famílias dos servidores.
Alerto constantemente para os riscos psicossociais da profissão: perseguições internas, assédio moral e sexual (especialmente contra servidoras), ausência de condições mínimas de trabalho como banheiros adequados nas unidades e o aumento preocupante de casos de suicídio decorrentes da pressão constante sobre os profissionais.
Denunciei também os desvios de conduta, suposta prevaricação e a omissão por parte do Depen e da Sejusp. Apesar dos diversos ofícios protocolados, a maioria não recebe resposta nem apuração adequada.
Enquanto isso, muitos cargos comissionados permanecem confortavelmente na Cidade Administrativa, com ar-condicionado, enquanto os servidores da ponta enfrentam o risco diário.
Tenho compromisso com os associados da AMAFMG e com a verdade. Quando cobramos publicamente as autoridades, somos atacados com invertidas e tentativas de silenciamento.
Outro ponto grave é o contraste entre investimentos em aparência e a dura realidade operacional. Quem se beneficia com a frequente troca de uniformes? O COPE operacional dos policiais penais é constantemente direcionado para ações externas (como vigiar presos pintando favelas e muros) enquanto as unidades enfrentam deficiências estruturais graves.
O sistema prisional mineiro vive uma inversão total de prioridades.
Chamo a atenção de toda a sociedade para que acorde antes que a situação se agrave ainda mais. Estamos no fim do atual ciclo político. Em 2027, esses governantes e secretários deixarão os cargos, mas a AMAFMG continuará cobrando responsabilidades.
Júlio Costa
AMAFMG