25/03/2026
Mães, pais, mulheres… vocês que estão no Amor-Exigente conhecem a dor de amar alguém que se destrói. E sabem o quanto o grupo acolhe, orienta e fortalece. O grupo é, sim, essencial.
Mas existe uma verdade que precisa ser dita com clareza:
frequentar não é transformar.
Escutar, anotar, se emocionar, concordar… não muda comportamento.
O que muda é prática e prática sustentada, principalmente quando dói.
Muitos dizem: “eu me trato”.
Mas, na vida real, continuam:
• dando dinheiro “porque ficou com dó”,
• encobrindo mentira,
• aliviando consequência,
• abrindo exceção atrás de exceção,
• acreditando em promessa sem mudança concreta.
E depois vem a frustração: “eu faço tudo e nada muda”.
Mas precisa ter coragem de olhar:
o que você chama de ajuda, muitas vezes é facilitação.
Não é por maldade.
É por medo. Medo de perder, medo de confronto, medo de ver o outro sofrer.
Só que evitar o sofrimento imediato mantém o problema a longo prazo.
Colocar limite não é teoria bonita de grupo
é dizer “não” quando tudo em você quer dizer “sim”.
É sustentar consequência enquanto o outro te acusa.
É tolerar ser visto como “frio”, “duro”, “sem amor”… sem recuar.
E aqui está o ponto mais difícil:
entender não é o mesmo que conseguir fazer.
Tem gente com anos de grupo que sabe exatamente o que precisa ser feito mas não faz.
E enquanto não faz, nada muda.
Recuperação familiar exige posicionamento.
Exige sair do discurso e entrar na ação.
Exige parar de olhar só para o dependente e começar a se responsabilizar pelo próprio papel na dinâmica.
O grupo mostra o caminho.
Mas quem decide atravessar mesmo tremendo, mesmo com dor é você.
Porque, no fim, não é sobre o quanto você entende…
é sobre o quanto você consegue sustentar.
Gabriela Abdalla.