09/06/2026
João Paulo já havia percorrido sozinho o Caminho Português Central. Após o falecimento repentino de seu pai, vítima de um mal súbito, quiz fazer uma nova peregrinação, desta vez ao lado do irmão, Otaviano. Juntos escolheram o Caminho Primitivo, uma das rotas mais exigentes rumo a Santiago de Compostela.
Como Otaviano dispunha de menos tempo, planejou a jornada de 320km em 11 dias, definindo as etapas e os albergues. Embora a experiência tenha sido extremamente enriquecedora, João considerou o percurso intenso devido às longas distâncias diárias e às dificuldades do terreno. Em sua opinião, o ideal seria realizar o Caminho Primitivo em 16 dias, permitindo uma caminhada mais contemplativa das lindas paisagens.
Em Oviedo, tiveram notícias de neve em várias regiões da Espanha. No entanto, depois de chuva no primeiro dia de caminhada, o grande desafio foi o calor em quase todo percurso da peregrinação, exigindo mais pausas para descanso e muita hidratação.
João destacou a excelente estrutura do Caminho Primitivo, muito bem sinalizado e com diversos pontos de apoio para abastecimento de alimentação e água, alertando apenas que algumas fontes públicas são impróprias para consumo.
Com uma mochila de cerca de nove quilos, ele integrou o grupo minoritário de peregrinos que carregam sua mochila com todo material. Segundo João, cerca de 80% utilizam serviços de transporte de bagagem, opção que considera vantajosa para reduzir o desgaste físico e prevenir lesões.
O terreno, marcado por florestas e muita umidade, exige botas impermeáveis. Mas para João, os dois bastões de caminhada são os itens mais importantes, especialmente nas descidas íngremes. João enfrentou dores e inchaço nos joelhos, além de bolhas nos pés, mas ressalta que esses desafios fazem parte de uma longa peregrinação.
Os 11 dias ao lado do irmão proporcionaram momentos de silêncio, reflexão, boas conversas e recordações da infância, fortalecendo ainda mais os laços fraternos.
João agradeceu à esposa, Ana Paula, pelo apoio e incentivo que lhe deram tranquilidade para viver essa experiência inesquecível.
E concluiu com a frase que é o espírito do caminho: “O que importa não é a chegada, mas o caminho.”