02/12/2025
Dói ser mãe.
Dói levantar todos os dias, ano após ano, trabalhar até o limite do corpo e da alma, apenas para garantir o mínimo — aquele mínimo que mantém os filhos de pé, alimentados, vestidos, protegidos.
Dói olhar para eles e desejar entregar o mundo, quando às vezes mal se consegue oferecer o essencial.
E quando chega o Natal… ah, o Natal.
A época em que o brilho das luzes acende sonhos tão grandes quanto o coração de uma criança.
Eles escrevem a cartinha com esperança pura, acreditando na magia, no papai noel, no impossível.
E pedem presentes que não fazem ideia do quanto custam — não apenas em dinheiro, mas em esforço, em renúncia, em noites mal dormidas.
E então vem a parte mais difícil:
Explicar, mais uma vez, o que o coração queria tanto calar.
Dizer que, infelizmente, o Papai Noel não pode trazer aquele presente.
Ver os olhinhos murcharem, a expectativa se desfazer devagar.
Isso rasga por dentro.
Mas neste ano, a ferida abriu ainda mais:
“Mãe… mas a minha amiga ganhou do Papai Noel no ano passado.
Por que ele não tem dinheiro pra me dar?”
E como explicar para uma criança o que nem os adultos conseguem compreender direito?
O peso da desigualdade, o valor das coisas, a injustiça silenciosa que escolhe casas e destinos?
É uma dor que não se grita, mas que aperta o peito.
Porque toda mãe quer ser mágica.
Toda mãe quer ser Papai Noel.
Toda mãe quer realizar sonhos — mesmo quando o próprio bolso é tão pequeno diante do tamanho do amor que carrega.
Mas, apesar de tudo, é no coração dessa mãe que vive a magia mais verdadeira:
A magia de permanecer.
De lutar.
De amar em silêncio, em cansaço, em sacrifício.
De fazer o impossível todos os dias, ainda que o mundo não veja.
E talvez, um dia, esses filhos entenderão:
Que o maior presente de todos sempre esteve ali —
No amor que nunca faltou,
Mesmo quando tudo o mais parecia faltar.