31/03/2026
Neste 31 de março, data que marca o golpe de 1964, a pergunta permanece: por que ainda convivemos com ecos tão presentes desse passado?
Na nossa Comunidade Universitária, ao celebrarmos os 40 anos da ADPUC Minas, reafirmamos conquistas fundamentais da redemocratização, como a liberdade de cátedra e o direito de organização de docentes e discentes na luta por uma educação de qualidade e pela formação cidadã.
Essa memória se torna ainda mais significativa ao lembrarmos que, em Minas Gerais e em todo o Brasil, as universidades viveram sob vigilância constante: pensar era perigoso. A repressão ultrapassava as salas de aula, impondo censura, perseguição e silenciamento de professores e estudantes.
Nesse contexto, o filme O Agente Secreto, em cartaz no país, contribui para iluminar essa história ao retratar a trajetória de um professor perseguido, revelando como o ambiente acadêmico foi atravessado pelo medo e pelo controle.
Mais do que revisitar o passado, ele nos provoca a reconhecer como essas marcas ainda permanecem.
Não por acaso, especialmente em anos eleitorais, as universidades continuam sendo alvo de discursos autoritários e antidemocráticos.
Observamos a desvalorização da ciência, tentativas de controle ideológico e ataques à autonomia universitária, além da recorrente suspeita lançada sobre professores, acusados de “doutrinação”.
Por isso, construir e preservar a memória não é uma escolha, mas um compromisso.
Esse princípio orienta também as reflexões promovidas pela ADPUC Minas, que destacam a importância de fortalecer uma universidade mais democrática, participativa e plural, reafirmando a colegialidade.
É preciso, portanto, seguir promovendo o debate. Afinal, a democracia precisa da universidade para existir, e a universidade precisa da democracia para cumprir plenamente seu papel.
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