08/04/2026
O Ciclo de Diálogos Formativos da Região Guajarina integrou a agenda de continuidade do processo formativo da CUT Pará em 2026, dentro do projeto aprovado pelo Fundo Labora, fortalecendo a organização sindical e a defesa dos direitos da classe trabalhadora em nossos territórios.
A atividade foi aberta pela secretária de Formação da CUT/PA, Carol Alves, que realizou a mística inicial e apresentou Euci Ana, secretária de Organização, responsável pela condução da programação do encontro.
Na análise de conjuntura, Carlinhos (FETAGRI), participando diretamente de Brasília, abordou o momento de reestruturação da CONTAG e destacou desafios centrais da agricultura familiar, como:
• acesso à assistência técnica
• políticas públicas estruturantes
• regulamentação fundiária
• ampliação do crédito para produção sustentável
Hoje, apenas cerca de 5% dos trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar têm acesso pleno à assistência técnica, o que reforça a urgência de políticas públicas para fortalecer a produção de alimentos saudáveis, a sucessão rural e a preservação da sociobiodiversidade amazônica.
A presidenta da CUT Pará, Vera Paoloni, apresentou o calendário das atividades do projeto ao longo de 2026 e destacou a importância dos ciclos formativos como instrumento de organização sindical e defesa da democracia. Também dialogou sobre o cenário internacional e seus impactos sociais e ambientais no Brasil, reforçando a mobilização para a Marcha da Classe Trabalhadora, dia 15 de abril, em Brasília, com pautas como:
• fim da escala 6x1
• combate ao feminicídio
• regulamentação do trabalho por aplicativo
• fortalecimento da negociação coletiva
• direito à negociação no serviço público
• justiça climática
O encontro contou ainda com a participação de dirigentes sindicais dos ramos da educação, bancários e rural, educadores populares e representantes do Movimento Lixão Não.
Getúlio Jales destacou a resistência das comunidades de Bacurá (Bujaru) contra a implantação de projetos de lixão próximos ao rio Guamá, denunciando impactos ambientais graves que podem atingir 17 quilombos, 18 comunidades e cerca de 50 mil famílias, além de áreas de nascentes e florestas nativas centenárias, sem consulta prévia às populações afetadas.
Na sequência, Euci Ana apresentou a síntese das escutas sindicais realizadas na região, abrindo o espaço para contribuições das lideranças presentes.
Raimundo Júnior, da Federação dos Assalariados Rurais do Pará e Tocantins, destacou que mais de 100 acordos coletivos vêm incorporando o debate sobre saúde do trabalhador, especialmente diante do aumento do uso de agrotóxicos na última década e seus impactos diretos na vida das trabalhadoras e trabalhadores.
O encontro foi encerrado com agradecimentos da direção da CUT e uma mística coletiva com leitura de poema, reafirmando o compromisso com a organização sindical e a luta por direitos.
Seguimos em diálogo, fortalecendo a luta da classe trabalhadora amazônida.