Conforme o site do Planalto (2015), no ENEM 2015 foram realizadas 8.478.096 inscrições, sendo que 57, 81% dos inscritos declararam-se negros, 57% são mulheres e apenas 0,11% são transgêneros, transexuais ou tr****tis, que se inscreveram com nome social. Porém, essa estatística não reflete a realidade recorrente dessas classes historicamente oprimidas. A prova disso são os números do mapa da violên
cia, de 2003 a 2013, e do Transrevolução, de 2015. De 2003 a 2013, foi constatado que a violência contra as mulheres brancas caiu 9,8%, e contra as mulheres negras aumentou 54,02%. Embora muitas mulheres que se autodeclaram negras tenham acesso ao ensino superior, através do ENEM, as mulheres negras estão muito mais expostas à violência do que às oportunidades, sejam elas de ascensão social, escolarização, formação ou trabalho formal; já em 2015, houve 95 inscrições de tr****tis, transexuais e transgêneros no ENEM e, praticamente na mesma proporção, houve 84 assassinatos. Essas estatísticas só refletem o perfil daqueles que ainda ocupam predominantemente as instituições de ensino superior do país, brancos, de classe média, cisgênero, produtores de pesquisas, em terceira pessoa, sobre essa classe oprimida e onde ela está. Ou seja, as mulheres negras, os homens negros (trans e cis), os tr****tis, os transgêneros e os transexuais tem sido objetos de pesquisa, e não autores de sua própria história. Logo, com o objetivo de contribuir para mudar essa realidade, criamos o cursinho (R)Existência. (R)Existência, jogo entre Existir e Resistir, visa atender tanto o público trans e tr****ti, quanto as mulheres negras de periferia, principalmente aquelas que tiveram que cuidar da casa, da cozinha, dos filhos e nunca tiveram a oportunidade de realizar o sonho de ingressar no ensino superior; adolescentes que, se não estudarem e se ocuparem, o tráfico vai recrutar; jovens que só precisam de alguém que os ampare até o ingresso no ensino superior. PÚBLICO-PRIORITÁRIO:
Transexuais, transgêneros, tr****tis, afroreligios@s, mulheres negras e/ou moradoras e moradores da periferia, em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Lívia Noronha e Evileny Gonçalves.