01/08/2025
ANTIBIÓTICOS I
Uma pesquisa
publicada no "Journal of Infectious Diseases", que acompanhou 700 mil crianças de zero a dois anos mostrou que dentre as que receberam cinco ou mais ciclos de tratamentos com antibióticos, 73% tinham mais risco de déficit intelectual, 53%, maior risco de alergia alimentar e 52%, de asma. O estudo inspirou o artigo "A armadilha dos Antibióticos", escrito pelo pediatra e sanitarista Daniel Becker para o jornal "O Globo" no último domingo (20).
As explicações do estudo podem estar relacionadas às alterações que os antibióticos causam à microbiota intestinal onde há bactérias "parceiras", hoje consideradas determinantes tanto para a imunidade, quanto para a formação do cérebro.
Segundo o médico, é comum que crianças pequenas tenham de 8 a 12 infecções febris por ano, quase todas virais e autolimitadas.
O uso de antibióticos desnecessariamente também aumenta o risco de superbactérias, aquelas que não são combatidas pelos antibióticos. O pediatra lembra que os antibióticos salvam milhões de vidas todos os anos, mas que o uso indiscriminado coloca em risco o futuro da saúde pública.
"Quando o pediatra prescreve antibiótico para uma infecção bacteriana, não há o que discutir. Mas se ele sugere esperar alguns dias antes de iniciar o tratamento, agradeça: ele está evitando danos não só com a saúde da sua criança, mas com a de toda a sociedade", disse Becker.
O artigo lembra ainda que a resistência a antibióticos é
uma das maiores ameaças à saúde global.
Outro ponto é o uso indiscriminado de antibióticos na pecuária. Becker sugere uma revisão do modelo de produção e individualmente a redução no consumo de carne, substituindo-o muitas vezes por proteínas vegetais, como as leguminosas. Hoje 70% dos antibióticos produzidos no mundo são usados na pecuária.
Fonte: Jornal “O Globo”