11/12/2025
E foi isso que deu pra fazer.
Anos de ICAMA.
Poucas pausas.
Atendendo gente que teve a casa incendiada por machistas,
crianças que optam por comida do que brinquedos,
animais abusados sexualmente,
gatos jogados em bueiros,
cavalos obrigados a trabalhar até a morte,
cachorros com pescoços mutilados por correntes,
pessoas que só não perderam a alma em catástrofes,
espaços naturais ameaçados pelo "progresso",
animais silvestres sequelados pela maldade humana,
pessoas que não podiam andar sem dor,
bebês que já nasceram com raros sofrimentos,
pessoas com fome material,
pessoas com fome de afeto,
Anos dedicados ao próximo. Anos de martírio diário por conseguir tão pouco. Por falhar. Por não resolver verdadeiramente as causas dos problemas e apenas adiá-los para o dia de amanhã. O amanhã sempre chegou, a dor é essa!
Anos de DESAFORO. De escutar as piores atrocidades da humanidade. Anos de tantos nãos.
Anos de pouca gratidão.
Estou mal. A energia e vontade de mudar o mundo que eu possuía quando iniciei esse trabalho no auge dos meus 15 anos, se foi. Os tempos mudaram e eu piorei, e acreditem, eu piorei em tudo, em todas as esferas da minha vida pessoal. Eu piorei em tudo que dizia respeito a mim e me dediquei a isso aqui, somente. O ICAMA veio em primeiro lugar em todas as minhas decisões desde que surgiu.
Eu não dava ouvidos antes e acumulei tudo. A conta chegou.
Obrigado a todos que ajudaram o ICAMA do início de tudo até aqui. Obrigado a todos que doaram desde 1 centavo a 1000 reais do início até aqui.
Aos que eu ainda devo, fiquem tranquilos, o ICAMA vai pagar, pelo menos isso eu preciso garantir.
Nesse Natal, para 150 crianças, o que consegui foi isso, essa sacola que cabe na palma de uma mão. Será que ela realmente trará alegria a alguém? Ou o sorriso será apenas para não fazer desfeita?
Eu não sei como vamos continuar ano que vem. Eu não sei se vou continuar ano que vem. Eu não sei como as coisas serão amanhã.
Eu não aprendi a lidar.
Eu apenas ignorava
Até aqui.
É esse o meu limite.