29/05/2026
A Odete foi resgatada para ser castrada e seguir um novo caminho. Mas ela é uma cadela extremamente agressiva e todo o processo foi muito difícil. Depois de muito pensar, decidi deixá-la seguir com a gestação.
No dia 25/05, ela deu à luz 6 bebês.
Ontem, dia 28/05, perdemos um deles.
Quando percebi que o filhote havia morrido, tentei retirá-lo, mas a Odete não deixou. Ela o segurava junto ao corpo, chorava e o protegia como se ainda pudesse salvá-lo. Foi uma cena que partiu meu coração.
Muitas pessoas acreditam que os animais não sentem como nós. Mas quem convive com eles sabe a verdade. O amor de uma mãe pelos seus filhos existe em qualquer espécie. O instinto de proteger, cuidar, aquecer e permanecer ao lado deles é algo que emociona profundamente.
Ao mesmo tempo em que é lindo ver esse amor tão puro, também é doloroso presenciar o sofrimento. A Odete não entendia que seu bebê havia partido. Ela apenas sabia que era seu filho e que queria mantê-lo por perto.
Eu sentei ao lado dela, conversei baixinho, fiz carinho e expliquei que eu iria ajudá-la. Falei que o bebê havia partido, mas que ela ainda tinha outros filhotes precisando do amor e dos cuidados dela. Pode parecer loucura para algumas pessoas, mas eu acredito que ela me entendeu.
Hoje ela está mais tranquila. Continua cuidando dos seus bebês com todo amor do mundo, enquanto eu sigo aqui tentando ajudá-la a passar por essa dor.
Ontem eu vi, mais uma vez, que os animais amam, sentem saudade, sofrem e vivem o luto à sua maneira.
E isso dói.
Muito.
Porque quem dedica a vida aos animais aprende uma verdade que nem todo mundo consegue enxergar: eles podem não falar com palavras, mas sentem tudo com o coração.