HISTÓRIA
No ano de 1997, tudo caminhava muito bem, trabalho, família, tínhamos uma filha linda que faria dois anos no dia 12 de setembro, um ano que parecia ser grande em realizações e conquistas, se não fosse uma luta humanamente desleal e sagaz, capaz a transformar sonhos em pesadelos e projetos em vagas possibilidades de realização, depois de uma série de exames, no dia 18 de setembro descobri
que minha única filha Sara estava com câncer. Seguiram-se meses de horror, que ultrapassaram as barreiras da individualidade, e me fizeram abrir os olhos para uma realidade cruel de pessoas que estavam na mesma situação que eu, lutando contra o câncer, mas com bem menos armas. Vi durante os 11 meses que estive quase todos os dias na pediatria do Hospital Araújo Jorge, famílias que vieram de longe para tratar seus filhos e viviam às margens da dignidade, vi crianças chorarem ao receberem alta médica porque não sabiam se ao chegarem em casa, haveria pelo menos algo para comerem, outras que ao findarem uma seção de quimioterapia voltavam para suas casas e por se alimentarem tão precariamente, retornavam anêmicas e com um quadro infeccioso muitas vezes irreversível (a quimioterapia reduz consideravelmente o sistema imunológico), outros com o tratamento já chegando ao fim e até com êxito, por falta de recursos, não faziam exames mais precisos como tomografia ou ressonância magnética, e voltavam algum tempo depois com uma metástase fatal (explicação). Foi vendo estas desventuras que comecei a me inquietar e tentar ajudar estas famílias a carregarem suas cargas, como muitos me ajudaram a carregar a minha. No princípio armazenávamos os alimentos e donativos arrecadados em nossa própria casa. Depois de algum tempo tivemos de conseguir um local maior, pois o espaço já não era suficiente. Hoje atendemos num local especial, uma casa alugada somente para esse fim, que hoje é a atual sede do Núcleo Esperança. Enfrentamos muitas dificuldades no começo, e ainda as enfrentamos hoje. Abandonei meu emprego e decidi, junto com minha esposa a nos dedicarmos no auxílio a essas pessoas. Às vezes faltava até o dinheiro do aluguel, mas nossa luta não pode parar, porque as necessidades daquelas pessoas são ainda maiores do que as nossas. É gratificante ver o sorriso no rosto de cada uma delas. Saber que terão alimento em suas mesas, e poder esperar um futuro de verdade. Nós não temos recursos para mudar completamente a história dessas pessoas, mas temos nos dedicado, juntamente com toda a equipe de voluntários do Núcleo Esperança, a pelo menos amenizar a dor da cada uma. Seja com alimentos, roupas, palavras de ânimo, remédios e também com gestos de carinho e amor. Quanto a minha filha Sara, infelizmente seu organismo não resistiu, e ela veio a falecer por causa do câncer. Até hoje ainda é difícil para nós aceitarmos tudo isso que aconteceu. Mas damos graças a Deus pela força que ele me deu, e para toda a nossa família. Conseguimos transformar uma história que até o momento era aparentemente só de morte, em uma nova esperança de vida para crianças doentes e muito carentes, não apenas de recursos financeiros, mas também de amor e atenção. Que somando esforços com toda a sociedade poderemos dar ao menor paciente oncológico direitos básicos de cidadania. A todos o meu muito obrigado. São finalidades do Núcleo:
Promover medidas em âmbito municipal, estadual e/ou federal, que objetivem assegurar o bem estar do menor paciente oncológico, promovendo e coordenando ações nos múltiplos aspectos ligados às suas necessidades e realidades vivenciadas, visando a assistência ao paciente;
Divulgar informações sobre legislações municipais, estaduais e federais, relativas ao menor paciente oncológico, visando esclarecer a opinião pública;
Promover e/ou estimular a realização permanente de programas de orientação e aconselhamento;
Buscar apoio de qualquer natureza a entidades públicas, privadas, civis, militares, políticas, de estudos, filantrópicas;
Buscar garantia da disponibilidade na rede pública, dos medicamentos básicos ao menor paciente oncológico;
Buscar o acesso do menor paciente oncológico aos serviços médicos especializados locais e regionais, e melhorar a qualidade e a presteza do diagnóstico garantindo a execução dos exames necessários no diagnóstico e seguimento do tratamento;
Promover busca ativa de pacientes e diagnóstico precoce;
Distribuir informações sobre a doença;
Buscar apoio a adequadas condições de trabalho e/ou estudo para seus associados;
Para alcançar seus objetivos, o Núcleo se propõe a:
Cooperar com instituições empenhadas na educação, desenvolvimento e integração social ao menor paciente oncológico;
Motivar a comunidade a melhor conhecer e a cooperar com entidades interessadas em sua defesa;
Buscar condições para que o menor paciente oncológico tenha seu acompanhamento médico especializado, odontológico e outros;
Estender a realização de ações sócio-educativas aos amigos, familiares e à sociedade;
Contribuir para a intensificação de intercâmbios entre entidades, associações e instituições oficiais e particulares congêneres, voltadas ao atendimento do menor paciente oncológico;
Realizar campanhas financeiras, com o objetivo de arrecadar fundos, destinados a auxiliar as obras de assistência ao menor paciente oncológico;
Conveniar com órgãos públicos federais, estaduais e municipais, bem como solicitar e receber auxílios e/ou subvenções de órgãos públicos e particulares;
Promover a ampliação e melhoria de recursos assitenciais já existentes;
Desenvolver atividades recreativas, sociais, culturais e assitenciais;
Lutar pelos direitos do menor paciente oncológico junto aos órgãos públicos ou privados;
Promover ações assegurando a entrada do menor paciente oncológico nos estudos, em condições de igualdade e de respeito às diferenças. Valber Barreto de Queiroz - Fundador