09/01/2026
**Mensagem aos acadêmicos da Academia de Letras de Alfredo Wagner (e extensiva a outras academias)**
Caros acadêmicos,
Compartilho com vocês uma experiência recente que considero relevante não apenas como autor, mas como observador atento do nosso tempo.
Nos próximos dias, lançarei um novo livro. Até aqui, nada de extraordinário.
O que muda é o caminho percorrido.
Quando escrevi minha primeira obra, da ideia inicial ao lançamento final, foram cerca de dois anos de trabalho intenso: escrita, revisão, diagramação, ajustes gráficos, custos elevados e uma longa espera até que o texto, finalmente, se tornasse livro.
Desta vez, o processo foi diferente.
Entre a concepção do texto, a escrita, a edição, a formatação e a preparação para publicação, passaram-se aproximadamente quinze dias.
Não se trata de pressa, tampouco de superficialidade. Trata-se de ferramentas.
As tecnologias hoje disponíveis — muitas delas acessíveis, outras gratuitas — não substituem o pensamento, a sensibilidade literária ou o rigor intelectual. Mas encurtam distâncias, reduzem barreiras técnicas e devolvem ao autor algo precioso: o controle do próprio processo editorial.
Isso abre um campo de possibilidades especialmente importante para escritores, pesquisadores e acadêmicos que, por vezes, adiam ou abandonam projetos não por falta de ideias, mas pela complexidade do caminho até a publicação.
Minha intenção ao compartilhar isso não é promover uma obra específica, mas estimular uma reflexão:
como as academias, os autores e as instituições culturais podem se apropriar dessas tecnologias sem abrir mão da qualidade, da tradição e do compromisso com a língua?
Talvez o maior ganho não seja a velocidade, mas a liberdade criativa que surge quando o autor deixa de ser refém de processos longos, caros e, muitas vezes, desestimulantes.
F**a aqui o convite à conversa, à troca de experiências e à experimentação consciente.
A literatura continua sendo feita de palavras, ideias e tempo.
O que mudou foi o caminho entre o manuscrito e o leitor.
Com estima, Mauro Demarchi