30/10/2025
Nota - Pelo fim da necropolítica. Por uma segurança pública que defenda a vida e não faça da morte espetáculo.
É com muita tristeza, consternação e indignação que a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) vem a público manifestar seu repúdio à desastrosa, violenta, cínica e ineficaz ação das forças policiais do estado do Rio de Janeiro que, no dia 28 de outubro de 2025, resultou em mais de uma centena de mortes e na instauração do caos e do medo na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se da operação mais letal da história do estado e do Brasil, superando os 111 mortos no massacre do Carandiru. Mais uma manifestação explícita de uma política macabra que arrisca a vida dos cidadãos em nome de uma agenda política que, em termos de segurança pública, já se mostrou incontáveis vezes um total fracasso.
As forças policiais e o governador do estado do Rio de Janeiro não podem agir ao arrepio da lei. Não podem conduzir ações que se configuram em verdadeiras armadilhas perversas que instauram o pânico e impõem a pena de morte à revelia da lei. O planejamento, a autorização e a execução de ações de forças policiais do estado que promovem assassinatos sumários - sem direito a investigação, inquérito, julgamento - devem ser entendidos como crime de Estado, e não como ações de segurança pública. Ações como estas não combatem o crime organizado. Pelo contrário: inflamam ainda mais uma crise que tem natureza socioeconômica, estigmatizam comunidades e segmentos sociais e preservam os agentes e processos centrais geradores do problema. Diversos estudos e especialistas em segurança pública já explicitaram a ineficiência e insustentabilidade dessa política de morte que promove, de forma perversa e espetaculosa, assassinatos em massa para fins eleitorais, e adia o confronto real, responsável e consistente ao crime organizado no país - que atualmente se articula em diversas escalas e se comporta como uma grande empresa capitalista - como demonstrou a recente operação Carbono Oculto, do Ministério Público do Estado de São Paulo, escancarando sofisticados mecanismos de lavagem de dinheiro das atividades criminosas do PCC a partir do sistema financeiro.