15/10/2026
29 DE OUTUBRO | DIA INTERNACIONAL DOS CUIDADOS E DO CUIDADOR
NÃO ME CHAME DE RESILIENTE. RECONHEÇA OS MEUS DIREITOS!
Quem cuida de quem cuida?
Por detrás de muitas crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual, autismo e outras condições do neurodesenvolvimento, existe uma mãe, um pai ou outro familiar que cuida 24 horas por dia, 7 dias por semana. Pessoas que, muitas vezes, enfrentam o cansaço físico e emocional, dificuldades financeiras, isolamento social e a ausência de serviços de apoio, sem terem sequer a oportunidade de descansar.
Esta mãe que vemos na imagem não é apenas uma cuidadora. É uma mulher que dedica a sua vida à filha, muitas vezes colocando as suas próprias necessidades em segundo plano. Mas será justo que uma mãe tenha de enfrentar sozinha uma responsabilidade que também exige respostas da sociedade e do Estado?
A resiliência não pode servir de desculpa para a ausência de apoio!
Neste 29 de Outubro, juntamo-nos à rede global para assinalar o Dia Internacional dos Cuidados e do Cuidador, sob o tema “NÃO ME CHAME DE RESILIENTE”.
A APEGADA associa-se a esta mobilização internacional para participar na apresentação do relatório sobre os cuidados às pessoas com deficiência intelectual e do neurodesenvolvimento.
Em Angola, vamos também ouvir as famílias, através de entrevistas a cuidadores de pessoas com deficiência complexa, procurando compreender as suas dificuldades e saber se conhecem os serviços de apoio e cuidados disponíveis no nosso país.
Queremos dar voz a quem cuida, conhecer as suas necessidades e chamar a atenção para uma realidade que não pode continuar invisível.
Às autoridades e ao Governo de Angola, deixamos uma mensagem clara:
Não basta reconhecer os direitos das pessoas com deficiência. É igualmente necessário reconhecer, proteger e apoiar quem delas cuida diariamente.
Precisamos de políticas públicas concretas, serviços de apoio às famílias, acesso a cuidados de saúde e reabilitação, orientação aos cuidadores, apoio psicossocial, descanso do cuidador e medidas de protecção social para as famílias que enfrentam situações de dependência complexa.
Cuidar não pode significar sacrificar a própria vida.
As mães e os pais cuidadores não precisam apenas de elogios pela sua força. Precisam de apoio, serviços acessíveis, protecção social e respostas concretas.
Neste 29 de Outubro, queremos que Angola escute estas famílias. Queremos que os cuidadores deixem de ser esquecidos e que o cuidado seja reconhecido como uma responsabilidade partilhada entre as famílias, a sociedade e o Estado.
NÃO ME CHAME DE RESILIENTE. ESCUTE-ME. APOIE-ME. RECONHEÇA OS MEUS DIREITOS!
Nossa Voz, Nossos Direitos, Nossa Luta.