11/10/2026
Quem produz o conhecimento sobre os nossos corpos?
Durante muito tempo, grande parte da informação sobre as pessoas intersexo foi produzida sem a sua participação. As suas experiências, necessidades e perspectivas nem sempre foram consideradas nas investigações e nas decisões que afectam as suas vidas.
Esta questão esteve em destaque na primeira Conferência do Movimento Intersexo Africano (AIMC 2026), realizada em Nairobi, no Quénia. A Direitos Humanos Intersexo Angola (DHIA) esteve representada por Isabel Mateus Afonso, Presidente do Conselho Fiscal e Facilitadora Comunitária, que esteve presente na sessão «Os nossos corpos, as nossas evidências: dados, investigação e justiça do conhecimento em África», realizada a 30 de Setembro.
Entre os temas abordados estiveram a importância da investigação realizada com as comunidades, o consentimento informado, a protecção da privacidade e a necessidade de produzir dados que reflictam a diversidade das realidades intersexo. Foi também destacada a importância de fortalecer a capacidade das organizações para recolher, proteger e utilizar informação com responsabilidade.
Em Angola, onde as realidades intersexo continuam pouco compreendidas e pouco representadas, o acesso a informação fiável é fundamental para fortalecer a advocacia e ajudar a construir respostas mais adequadas às necessidades das pessoas intersexo.
Para a DHIA, esta participação foi uma oportunidade de aprender com outras experiências africanas, aproximar esses conhecimentos da realidade angolana e reforçar a colaboração com organizações e instituições empenhadas na promoção e protecção dos direitos humanos das pessoas intersexo.
Agradecemos ao African Intersex Movement pela oportunidade de participação e pela partilha de experiências neste espaço de diálogo continental.
As pessoas intersexo devem participar não apenas nas decisões que afectam as suas vidas, mas também na produção do conhecimento que fundamenta essas decisões.
É com este compromisso que a DHIA continua a trabalhar pela dignidade, pela autonomia corporal e pelos direitos humanos das pessoas intersexo em Angola.