29/01/2026
Foi por essa via que muitos pretos começaram a ter as suas mentes colonizadas: introjetaram-nos a ideologia do cristianismo como se fosse salvação, quando na verdade era instrumento de dominação.
Muitos pretos ainda não têm noção do quão perigosa é essa crença quando usada como arma imperial. Foi através dela que fomos afastados das nossas culturas, dos nossos hábitos e costumes, das nossas espiritualidades ancestrais, das nossas línguas, do nosso sentido cósmico de existência.
Essa crença trouxe-nos a ideia de um “deus dos exércitos”, um deus que pune os seus súditos, que se ira quando não é obedecido, que se arrepende por ter feito o homem. Um deus que afirma ter “povo escolhido”, que tem “filho único”, e onde o resto do mundo vira apenas criatura — hierarquia espiritual que sempre foi também hierarquia racial e política.
Mas a nossa realidade era outra.
Nós, Afrikanos, sacralizávamos a natureza. O rio era vida, a árvore era altar, a terra era mãe, os ancestrais eram memória viva, e o espírito não era prisão: era harmonia, comunidade e continuidade.
E hoje, tragicamente, muitos pretos defendem com unhas e dentes essa crença imposta — como se defender a religião do colonizador fosse defender a si mesmo. Mas não: isso é alienação, é sequestro mental, é colonialismo espiritual.
Por isso, temos que descolonizar as mentes no que toca a essa crença que nos foi imposta. Temos que voltar às nossas raízes, ao nosso chão, ao nosso espírito original.
E se for preciso ser radical, seremos.
Porque “radical” vem de raiz.
Vamos voltar às raízes.
Precisamos fazer um Sankofa urgente nas nossas vidas: olhar para trás, resgatar o que foi roubado, e reconstruir o que nos pertence — cultura, identidade, espiritualidade, dignidade e libertação.
Por: Hendjala kitumba Kitumba.
Ubuntu /Umoja 2026.