Liga Africana

Liga Africana Desde 1996 foi reconhecida com o estatuto de Instituição de Utilidade Pública pelo Governo da República de Angola.

A Liga Africana é uma Instituição de Utilidade Pública angolana, fundada em 1996, percursora dos nobres ideais de acção sócio-cultural e patriótica da sua antecessora - Liga Nacional Africana - fundada em 1930 e da Liga Angolana, fundada em 1912. A Liga Africana é uma organização centenária da sociedade civil angolana recriada em 1996 como sucessora da Liga Angolana e da Liga Nacional Africana, in

stituídas respectivamente em 1912 e 1930, e que desempenharam um importante papel na formação e acolhimento dos mais célebres nacionalistas e na promoção de ideais independentistas, até ao último quartel do século XX. Desenvolve projectos de carácter social e acções que valorizam o nacionalismo e o resgate de valores morais, cívicos, culturais e sociais. Tem a sua sede no edifício da Liga Nacional Africana, na Rua do mesmo nome, com o Nº 76/E em Luanda. A Liga Africana tornou-se Observador Consultivo da CPLP por aceitação do seu processo de candidatura, aprovado pelo Conselho de Ministros da CPLP que decorreu em Dili, em 24 de Julho de 2015.

03/06/2026
= ​NOTA DE CONDOLÊNCIAS =​Pelo Falecimento de Sua Excelência Reverendíssima Dom Zacarias Kamwenho.​A Liga Africana tomou...
30/05/2026

= ​NOTA DE CONDOLÊNCIAS =

​Pelo Falecimento de Sua Excelência Reverendíssima Dom Zacarias Kamwenho.

​A Liga Africana tomou conhecimento, com profunda tristeza e dor social, do falecimento de Sua Excelência Reverendíssima Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito do Lubango, ocorrido a 29 de Maio de 2026, em Luanda, vítima de doença.

​Dom Zacarias Kamwenho não foi apenas uma figura proeminente da Igreja Católica em Angola e São Tomé; foi, acima de tudo, um farol de esperança, um incansável promotor da paz, da reconciliação nacional e da dignidade humana.

O seu legado ultrapassa as fronteiras da fé, inscrevendo-se na história contemporânea como um dos mais dedicados defensores do bem-estar social, do diálogo e da harmonia entre os povos.

​A sua perda deixa um vazio incomensurável no seio da sociedade e da comunidade eclesiástica, mas a sua memória e os seus ensinamentos continuarão a inspirar as presentes e futuras gerações na busca por um continente mais justo e fraterno.

​"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei." (Mateus 11, 28)

​Neste momento de profunda consternação, a Liga Africana endereça à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), à Arquidiocese do Lubango, à Diocese do Sumbe, às Irmãs Franciscanas da Visitação de Maria, bem como à família enlutada e a todos os fiéis, os seus mais sentidos pêsames e a sua solidariedade institucional.

​Que a sua alma descanse em paz.

​Luanda, 30 de Maio de 2026.
​A Direcção da Liga Africana

07/05/2026

Dia Mundial da Língua Portuguesa.
Celebrado ontem 05/05/2026, nas Nações Unidas - Genève.

19/04/2026

Preso pela PIDE

Nacionalista e escritor.

LUANDINO VIERA

José Vieira Mateus da Graça

Data da primeira prisão
20 de Novembro de 1961
Nasceu em Vila Nova de Ourém (Portugal) a 4 de maio de 1935, filho de Maria Alice Vieira e de Joaquim Mateus da Graça Júnior, tendo vivido em Luanda desde a infância. Fez-se angolano pela sua participação no Movimento de Libertação Nacional de Angola. Foi preso antes da guerra colonial, em 1959. Em 1961, voltou a ser preso e condenado a 14 anos de prisão, por «actividades subversivas contra a segurança externa do Estado», sendo enviado para o «Campo da morte lenta», no Tarrafal.
A sua obra foi precursora da literatura angolana e tem raízes na terra e na cultura do país. Luandino Vieira é também um marco revolucionário pelo movimento que criou em Portugal a favor da liberdade de expressão. A Literatura constituiu uma importante arma de combate no processo da luta de libertação nacional, porque foi a partir dos escritos de nacionalistas que muitos outros angolanos foram sensibilizados e mobilizados para a luta de libertação nacional.
José Vieira Mateus da Graça (com pseudónimo literário Luandino Vieira) nasceu em Lagoa de Furadouro, Vila Nova de Ourém, a 4 de Maio de 1935. Passou a juventude em Luanda, onde concluiu os estudos secundários. Durante a guerra colonial, combateu nas fileiras do MPLA, contribuindo para a criação da República Popular de Angola. Era um nome proscrito pelo salazarismo, cuja citação podia constituir delito de opinião. Em 1965, a simples notícia da atribuição de um prémio literário a José Luandino Vieira, pela Sociedade Portuguesa de Escritores, desencadeou uma das mais violentas ondas de repressão do salazarismo. Luandino Vieira cumpria, então, a pena de 14 anos de prisão no Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, de onde regressou a Portugal em 1972, em liberdade condicional e com residência vigiada, em Lisboa. Viria a trabalhar com o editor Sá da Costa até à Revolução de Abril. Em 1975 regressou a Angola. Na sequência do reinício da guerra civil angolana, veio residir em Portugal. Radicou-se no Minho, em Vila Nova De Cerveira.
Ligado aos círculos culturais de Angola, foi preso pela primeira vez em 1959. Em 1961, com dois camaradas poetas, António Jacinto e António Cardoso, andou de cadeia em cadeia, em Angola. Em 13-08-1964 deram entrada no Campo de Concentração do Tarrafal.
Em 1965 a Sociedade Portuguesa de Escritores distinguiu Luandino Vieira com o «Grande Prémio da Novela» atribuído ao livro Luuanda. A SPE não tardou a ser extinta, a sua sede assaltada, vandalizada e encerrada pela PIDE, por despacho do Ministério da Educação. Os escritores Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira e Manuel da Fonseca, membros do júri, foram detidos pela PIDE, pela ousadia de premiarem um escritor em choque com a ditadura salazarista.
A referência a este acontecimento foi proibida em todos os jornais. O Jornal do Fundão (JF), que divulgara a notícia, foi suspenso por cinco meses e depois submetido a censura especial; Jaime Gama, que escreveu um artigo sobre o assunto no jornal «Açores», (depois, «Açoriano Oriental»), foi detido. Cópias das primeiras provas tipográficas do Luuanda corriam desde 1963 nos musseques de Luanda, enquanto que, em Portugal, a edição que iria circular em 1965, adquirida pelos democratas, havia sido feita por agentes da PIDE, numa patifaria de objectivos inomináveis.
Luandino Vieira, que contava então apenas 29 anos, começara a sua actividade literária em O Estudante, órgão dos alunos do Liceu de Luanda. De 1957 a 1960 apareceu integrado numa camada de novos escritores angolanos que elaboraram «CULTURA», jornal literário da Sociedade Cultural de Angola: poemas, contos, ilustrações com a sua assinatura. Em 1960 publica o seu livro de estreia A Cidade e a Infância, tendo publicado depois Duas Histórias de Pequenos Burgueses (1961) e Luuanda (1964), que lhe valeu o Grande Prémio.
Na verdade, Luuanda, que traz histórias dos musseques e exibe uma linguagem inovadora, foi escrito (Luandino já preso) e o texto passado pelo escritor para a mulher, que o dactilografa para ser editado. E quando o prémio da SPE é atribuído, Luandino continua detido, não sabendo de nada. Desses tempos na prisão, ficaram notas várias, uma espécie de diário.
Sobre o livro, Alexandre Pinheiro Torres pronunciou-se no jornal Diário de Lisboa da seguinte maneira: «Três histórias que são (...) três obras-primas do nosso conto contemporâneo, e a enorme e imprevista revelação de um escritor de sensibilidade excepcional e de notável capacidade de criação dum estilo... É n’A Estória do Ladrão e do Papagaio, que desde já considero digna de figurar sem desdouro ao lado das melhores de José Cardoso Pires de Jogos de Azar, ou das melhores de Manuel da Fonseca de O Fogo e as Cinzas (e que maior elogio poderia eu fazer-lhe?), é nessa «estória» que Luandino Vieira nos dá prova das suas extraordinárias possibilidades».
O Jornal do Fundão publicou na edição de 23 de Maio de 1965, no Suplemento Literário Argumentos, dirigido por Alexandre Pinheiro Torres, a notícia sobre os Prémios da Sociedade Portuguesa de Escritores. Tinham sido distinguidos: Isabel da Nóbrega pelo romance Viver com os Outros (Prémio Camilo Castelo Branco – Romance); Luandino Vieira por Luuanda (Grande Prémio da Novela) e Armando Castro com A Evolução Económica de Portugal (Grande Prémio do Ensaio). A propósito do prémio atribuído ao escritor angolano Luandino Vieira, a notícia do JF informava que do júri tinham feito parte João Gaspar Simões, Augusto Abelaira, Alexandre Pinheiro Torres, Manuel da Fonseca e Fernanda Botelho.
Quando a Sociedade Portuguesa de Escritores lhe atribuiu o Grande Prémio de Novelística, o escritor encontrava-se em longa prisão no Tarrafal. Essa circunstância (a sua ligação ao MPLA) determinou a campanha repressiva do regime, então a braços com a guerra colonial.
Em 2009, Fernando Paulouro Neves, director do JF, escreveu em artigo nesse jornal: «A verdade, porém, é que as três narrativas de Luuanda eram «três obras-primas». A escrita de Luandino Vieira tinha consigo o futuro. Não só para a afirmação de uma literatura angolana, mas para o enriquecimento da língua portuguesa. À distância do tempo, Luuanda tem a frescura de uma linguagem inovadora, a música de uma oralidade tão próxima do universo africano, uma dimensão poética que faz dos contos de Luandino Vieira uma aventura de leitura estimulante. A obra posterior só veio confirmar o grande escritor. Sempre a condição humana no seu húmus, a batalha pela liberdade e pelo pão elementar, num compromisso que é sempre, por mais voltas que dêem, o essencial da acção criadora»
Em 2009, numa rara entrevista concedida ao jornal Público, Luandino confidenciou que as notícias do prémio chegaram tardiamente ao Tarrafal, pois o director do campo de detenção retardara a informação. Como o escritor estava impossibilitado de candidatar a obra, bem como o seu editor, foi com surpresa que percebeu que a obra fora, mesmo assim, distinguida, graças à intervenção do crítico literário Alexandre Pinheiro Torres.
Em 2006 foi-lhe atribuído o Prémio Camões, o maior galardão literário da língua portuguesa. Luandino recusou o prémio alegando «motivos íntimos e pessoais». Em entrevista posterior ao Jornal de Letras, esclareceu que não aceitara o prémio por se considerar um escritor morto e, como tal, entendia que o mesmo deveria ser entregue a alguém que continuasse a produzir.

Contudo, publicou dois novos livros em 2006.
Actualmente, Luandino Vieira dedica-se, entre outras coisas, a animar uma pequena editora-livraria em Vila Nova de Cerveira, «Nóssomos», que edita jovens poetas e outros menos jovens.
Em Maio de 2015, a APE celebrou os anos de Luandino, numa cerimónia na Gulbenkian.

Honra e glória aos filhos da Pátria Angola.

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19/04/2026

Nacionalista
MANUEL QUARTA
Com o nome de guerrilha “Mpunza” que significa munição em Kikongo.
Nasceu, no dia 10 de Maio de 1934, na aldeia Diumba, na Comuna de Kwilu Futa (Cuilo Futa), no município de Zombo, província do Uíge.

Desde muito cedo pertenceu a elite de angolanos de classe média originária do norte que aderiu ao MPLA, acolheu Agostinho Neto em Leopoldville e ajudou este, a derrubar legalmente a ala de Viriato da Cruz, na primeira Conferência do MPLA realizada em Leopoldville, no mês de Dezembro de 1962.

Enfermeiro de profissão, Mpunza vai jogar um papel muito importante na assistência médica a muitos refugiados angolanos que chegavam constantemente no território do Congo-Leopordville (hoje RDC), como membro do Centro Voluntário de Assistência aos Angolanos Refugiados, CVAAR em sigla, organização fundada por Dr. Hugo de Menezes e Eduardo Macedo dos Santos, na qual contava Deolinda Rodrigues, Agostinho Neto, entre outros, como membros.

Sob sua impulsâo serão criadas as secções do MPLA no Congo-Central, hoje província do Baixo Congo, nas localidades de Kisantu, Mbanza Ngungu, Lukala, Matadi e sobretudo de Kuilo Ngongo que controlava a via até Kimpangu, fronteira com Zombo, onde estavam aglomerados meio milhâo de Angolanos fugindo a repressâo colonial na sequência da insurreição de 15 de Março de 1961. Esta última secção era a mais importante e contava membros como Luís Filipe e Domingos Moíses “Vitoria é certa”, entre muitos. Condição que permitiu-lhe mobilizar e recrutar os primeiros guerrilheiros que partiam combater para a primeira Região Político-Militar.

Mpunza vai seguir Neto para Brazzaville, depois da expulsão do MPLA do Congo- Leopoldville. Os “Núcleos” do MPLA serão desmantelados pela FNLA, tempos depois, alguns dos seus membros serão feitos prisoneiros no Kinkuzu, os sobreviventes atravessaram o rio Zaire para se juntar ao MPLA em Brazzaville e Dolisie onde continuaram a luta para libertar Angola.

Foi Director politico do Exercito Popular de Libertaçâo de Angola, EPLA, nesta condiçâo participou na criação de todas as regiões Político-Militares formadas pelo MPLA na sua luta contra o colonialismo português. Jogou papel importante na criação das Forças Armadas Populares de Libertaçâo de Angola, em 1 de Agosto de 1974.

Depois da independência, a província do Uíge, cuja a cidade-capital com mesmo nome, foi “libertada” no dia 4 de Janeiro de 1976, não obstante da presença do MPLA em principais vilas, não estava totalmente pacificada e era a mais vulnerável, porque o perigo principal na desestabilização do país vinha do Zaire de Mobutu, país que partilha a fronteira. Os maquisards da FNLA ofereciam ainda, em várias localidades, uma forte e desesparada resistência contra as FAPLA’s auxiliadas pelos cubanos, chegando mesmo reocupar a maioria das comunas, ameaçando atacar muitas sedes de municípios e a própria cidade do Uíge. Com efeito, não se podia movimentar apartir desta cidade para Quitexe ou Songo, sem uma importante escorta militar, com cobertura aérea de helicópteros de combate. Os guerrilheiros da FNLA, comandados pelo Noé, Ambassade, Nsumbu ou Bwaka Meso, ganham batalhas de Kapuku, Songo, Kimbele, Lêmboa e Nkusu e para não arranjar tudo, os principais comandantes do MPLA na província, alguns dos quais, heróis na luta pela libertação de Angola, são acusados de Fraccionismo, simplesmente por serem antigos camaradas de armas de Nito Alves, na primeira região político militar, no tempo da guerrilha nos Dembos. Baptista Neto, o seu comandante principal, será fuzilado em Luanda, dias depois do famoso dia 27 de Maio de 1977. Para o governo central, a província cafeícola do norte de Angola inspirava serías inquietações e precisava urgentes medidas para a sua pacificação. Neto dá plenos poderes ao Manuel Quarta Mpunza, para pôr a ordem no Uíge.

Nomeado Coordenador Provincial do MPLA, o homem forte da região, vai reorganizar primeiro o partido e conquistar a província completamente. Homem sereno, excelente negociador, combatente infatigável, vai percorrer a provincia, mobilizando populares, muitas vezes discursando em Kikongo, a língua local, codjuvado pelo seu eterno adjunto Luís Filipe, promovido mais tarde a Director de Instututo Nacional de Bolsas de Estudo (INABE) no Ministério da Educação.

Nos Fins do ano 1980 é nomeado Comissário Provincial do Uíge, em substituição do tribuno Nlamvu Emmanuel Norman, acumulando com o do Coordenador Provincial do MPLA. e é , ao mesmo tempo, eleito Deputado da Assembleia do Povo.

Mesmo que a opçâo militar fosse primordial no seu partido, ele sabia dialogar. Finalmente em meados de 1983 consegue a rendição de tropas da FNLA, transformada em COMIRA (Comité Militar da Resistência de Angola), organização discidente da FNLA, cujos principais dirigentes, entre os quais, Johnny Eduardo Pinnock, Manuel Baltazar, Hendrick Vaal Neto e Paulo Tuba, vão seguir a mesma via, evocando a política da Clemência decretada por Neto em Cabinda, em 1978.

Para o recompensar, é nomeado em 1984, para ocupar o cargo de Secretário do Comité Central do MPLA para Administração e Finanças. Se os Secretários do Comité Central eram membros do Bureau Politico, a exempro do Lucio Lara para Organização, Ambrósio Lokoki para Esfera Idelogica ou Maria Mambu para Esfera Produtiva, Punza será o único do Comité Central.

Terminou a carreira como diplomata, nesta condição, chefiou as missões diplomáticas nas repúblicas Checas, Eslováquia, Hungria, Áustria e Congo.

Faleceu em Londres. no dia 13 de Outubro de 2007.

Honra e glória aos filhos da Pátria Angola.

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19/04/2026

Preso pela PIDE

Nacionalista

Carlos Alberto Pereira dos Santos Van-Dúnem (Beto)

Data aproximada da primeira prisão
Junho 1959
Nasceu em Luanda, a 28 de julho de 1935, filho de Carolina Van-Dúnem. Preso em Junho de 1959, era então chefe do sector oficinal na firma Gomes &Irmão: “Éramos jovens, mas naquele tempo já tínhamos o sentimento de revolta em relação àquilo que a polícia colonial fazia aqui aos africanos”.

Pertencia ao MIA, Movimento pela Independência de Angola, fundado por Viriato da Cruz e Ilídio Machado: “O grande cérebro do processo dos 50 era o Ilídio Machado. Ele é que coordenava o MIA, (…) e ele é que controlava o ELA, através do [Joaquim] Figueiredo, funcionário dos Correios . E é ele também que controlava um outro grupo onde estavam o eng. [António] Calazans Duarte, portugueses, e dois ou três angolanos, através do Helder Neto.(…) A nossa sorte era ter esses indivíduos portugueses que eram anticolonialistas, antifascistas, e eles é que distribuíam os panfletos na parte baixa da cidade.” (Onde à noite os negros não podiam circular.)
No julgamento, integrando o 2º grupo do chamado “Processo dos 50”, (processo n.º 34/60) foi condenado a três anos de prisão e medidas de segurança de seis meses a 3 anos.
Desterrado para o Tarrafal em Fevereiro de 1962, recorda que, durante a passagem pela Ilha do Sal, o alferes que comandava as tropas que ali os guardavam lhes disse: “Amigos, não tenham medo, tenham calma, estamos aqui e temos o mesmo pensamento que vocês. O que pudermos fazer para vos defender nós fazemos.”
Levados de lancha para a ilha de Santiago, foram depois a pé para o campo de concentração: “E o sentimento que me veio á cabeça, era aquilo que os mais velhos nos haviam informado: “Bom, aqui, agora, acabou! É para um indivíduo morrer.”
Chegou ao Campo do Tarrafal a 25-02-1962 e saiu com liberdade condicional a 11-09-1964.
Puseram-nos a carregar pedras de um lado para o outro do campo: “Pedras grandes, cada uma pesava 5, 10,15 quilos… (…) E quando passassem todas as pedras para um lado, voltávamos a carregar as pedras para outro lado.”
A situação mudou depois de uma visita ao campo de Adriano Moreira: “Deixámos de carregar pedras e deu instruções para termos uma hora de recreio e nessa hora que nos dessem uma bola de futebol, para jogar, e também autorizou-nos a ir à praia. Então, todos os fins-de-semana, com a polícia atrás, íamos ao banho.”
Durante a visita, Adriano Moreira terá perguntado ao diretor da cadeia, Queimado Pinto, se os presos eram da FNLA ou do MPLA, ao que aquele respondeu que não tinham nada a ver com aqueles movimentos: “Porque, quando se desencadeou o 4 de Fevereiro, nós estávamos presos havia dois anos, por isso achavam que nada tínhamos a ver com o MPLA.”
Durante a visita, os presos estavam em fila, sendo o último Hélder Neto. “O Adriano Moreira foi passando, estendendo a mão, cumprimentava: “Então, como está, está bom?” E quando chegou ao fim da fila e deu com um branco exclamou: “Oh, você aqui, como é que veio parar aqui?” E o Hélder Neto: “De avião como os outros.””
A denúncia feita na ONU por Lúcio Lara, Mário Pinto de Andrade e Gentil Viana sobre a situação dos presos no Tarrafal, forçou também algumas mudanças: “Passados uns meses o campo foi cercado por arame. A seguir tinha uma vala, em cima do muro estava a polícia cabo-verdiana, dentro do quintal é que havia polícias portugueses. E nós quando saíamos no recreio passávamos encostados ao muro onde estavam polícias cabo-verdianos que nos punham ao corrente do que se estava a passar lá fora em relação a nós. (…) Até que uma vez os polícias disseram-nos: “Vocês vão começar a sair, porque há uma decisão das Nações Unidas para libertar os presos em Cabo Verde”.”
Beto fez parte da segunda ou terceira leva, em 1965: “Diretos para Angola, com residência fixa, com obrigatoriedade de semanalmente nos apresentarmos na PIDE. (…) Depois passou a de 15 em 15 dias, e essa apresentação só terminou com o 25 de Abril.”
Recordando o trabalho e a fome, Beto recorda também o carinho da população do Tarrafal: “Do muro dava para ver as pessoas a passar e essas pessoas, quando nos viam, nos saudavam, acenavam, e isso dava-nos um grande alento. E quando nós saímos, os presos de delito comum, ao nos verem, assim que se abriu o portão, bateram palmas, fizeram adeus.”
Por tudo isso, e também pelo que passaram ali os portugueses da primeira fase do campo – “Caramba, nós não passámos metade do que eles passaram. Eles, sim, passaram mal.” – Carlos Alberto Van-Dúnem não tem dúvidas: “Aquilo devia mesmo ser transformado num museu, com historial, os nomes das pessoas, os objetos.” “Um museu dos ex-presos de expressão portuguesa.”

Beto Van-Dúnem, faleceu em Luanda em 2020 aos 84 anos de idade vítima de doença.

Texto e fotografia a partir de "Tarrafal-Chão Bom, Memórias e verdades", de José Vicente Lopes, a quem agradecemos.

Honra e glória aos filhos da Pátria Angola.

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19/04/2026

Preso pela PIDE

Nacionalista
José Diogo Ventura

Data da primeira prisão
20 de Outubro de 1959
José Diogo Ventura nasceu em Malange, a 25 de Outubro de 1928, filho de Diogo José Ventura e de Balbina Manuel de Sousa. Desde cedo se apercebeu da injustiça que se vivia em Angola: “Por toda a nossa vivência, dos nossos pais, dos nossos avós, a maneira como éramos tratados pelo sistema colonial. (…) Os portugueses chegaram a Angola em 1482 e só chegaram ao Brasil em 1502. Entretanto o Brasil evoluiu e Angola ficou. (…) Quando eles diziam que aqui também era Portugal, nós víamos que não era verdade.”
Em Luanda, onde fez o Curso Geral de Enfermagem, viria a aderir, em 1958, ao grupo independentista "Espalha Brasas" e, através deste, a manter uma ligação ao ELA, Exército de Libertação de Angola (*), dirigido por António Pedro Benge, Fernando Pascoal da Costa e Joaquim de Figueiredo.
Falava-se, nessa altura, numa Conferência Pan-Africana a realizar no Gana – que acedera à independência em 1957 – e os dois grupos decidiram que era altura de fazer um documento “para que essa conferência soubesse que Angola existia, que Angola também estava utando pela sua liberdade e contava com a solidariedade dos outros países já independentes”. O documento foi entregue a um jovem, José Manuel Lisboa, que deveria voltar ao Congo-Belga e entregá-lo a Armando Ferreira da Conceição, o membro do grupo que, em Leopoldville, fazia a ponte com o exterior.
Só que José Manuel Lisboa é preso a 28 de Março, quando se encontrava já no avião, o documento que escondera entre a roupa levada na mala foi descoberto e, no dia seguinte, começaram as prisões dos mais-velhos, membros do ELA. Ventura, como outros elementos do "Espalha Brasas", foi chamado à PIDE em Agosto e preso definitivamente a 20 de Outubro de 1959. Depois de uma passagem pela IV Esquadra foram enviados para a Casa de Reclusão, onde permaneceram até ao julgamento.
Condenado a quatro anos de prisão maior, permaneceria na Casa de Reclusão até 24 de Fevereiro de 1962, data em que foi enviado para o Campo de Concentração Tarrafal – de onde só regressaria, sob liberdade condicional, em 02-02-1969. Nesse período decidiu voltar a estudar e fazer a secção de Ciências do 5º ano – tendo obtido as notas máximas atingidas esse ano…
Foi no Tarrafal que se aproximou do MPLA: “Quando nós entrámos nesses grupos todos, nós não estávamos nem no MPLA, nem na FNLA, nem noutro. Nós tínhamos um sentimento nacionalista próprio. Eu, praticamente, ouvi falar do MPLA, da UPA, da FNLA na prisão. (…) Foi na cadeia que passei a ser simpatizante do MPLA a partir daquilo que ouvia, daquilo que eu lia, vi que estava mais próximo da minha sensibilidade.”
Os quase 10 anos da sua prisão foram, diz, um sacrifício que valeu a pena: “Acabou por estimular todos os outros grupos que ficaram no país, que não deixaram morrer a ideia da liberdade, do país livre, lutou-se até chegarmos à independência. (…) Um sacrifício que acabou com cinco séculos de ocupação, pelo menos deu início a isso. Não fomos só nós, todos lutámos, cada um no seu lugar, uns nos campos de batalha e nós…”

(*) Alguns, entre os quais o próprio José Diogo Ventura, admitem que a sigla "ELA" foi formada com as letras E, de Ernesto, pseudónimo de António Pedro Benge + L, de Luzenda, pseudónimo de Fernando pascoal da Costa + A, de Arnaldo, pseudónimo de Joaquim Figueiredo.

Texto e fotografia a partir de "Tarrafal-Chão Bom, Memórias e verdades", de José Vicente Lopes, a quem agradecemos.

(Entrevista de José Diogo Ventura realizada por São Neto em Luanda, a 11-04-2013, no âmbito do projeto "Angola – Nos Trilhos da Independência)

Honra e glória aos filhos da Pátria Angola.

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Sua Santidade o Papa Leão XIV chega hoje a Luanda para uma visita de 3 dias a Angola
18/04/2026

Sua Santidade o Papa Leão XIV chega hoje a Luanda para uma visita de 3 dias a Angola

Endereço

Rua Da Liga Nacional Africana, 76
Luanda

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 15:00
Terça-feira 09:00 - 15:00
Quarta-feira 09:00 - 15:00
Quinta-feira 09:00 - 15:00
Sexta-feira 09:00 - 15:00

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