30/04/2026
MENSAGEM DA PCA DA FAAN, IRENE ALEXANDRA NETO, À FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE BUENOS AIRES, ARGENTINA, 29.4.2026.
Excelentíssimos Senhores,
Caros convidados,
É com grande honra que a Fundação Dr. António Agostinho Neto se faz representar na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, um espaço de encontro privilegiado entre culturas, línguas e imaginários.
A presença da literatura angolana na Argentina constitui, para nós, mais do que um gesto simbólico — é um passo concreto no incessante estreitar de laços culturais entre povos que, apesar da distância geográfica, partilham histórias, sensibilidades e uma profunda relação com a palavra escrita.
A literatura tem essa capacidade única de nos aproximar, de nos permitir conhecer o outro na sua complexidade, de atravessar fronteiras visíveis e invisíveis. Ao lermos autores de outras geografias, descobrimos não apenas novas narrativas, mas também novas formas de compreender o mundo e a nós próprios.
Neste contexto, importa destacar, com particular apreço e profundo reconhecimento, a publicação da poesia de Agostinho Neto em língua espanhola na Argentina — um contributo de elevado valor cultural, que amplia o alcance universal da sua obra e reforça o diálogo entre os nossos povos.
Este trabalho, concretizado pelo nosso representante, D. Ramiro Tellechea, merece uma menção muito especial. A sua dedicação incansável, a sua visão e o entusiasmo genuíno com que tem abraçado esta missão têm sido determinantes para dar corpo a estes projectos. Através do seu compromisso e da sua energia mobilizadora, tem contribuído de forma exemplar para levar a literatura angolana a novos públicos, promovendo a sua integração nos meios académico e cultural e criando pontes duradouras de conhecimento e partilha.
As associações e fundações desempenham aqui um papel essencial. São elas que, muitas vezes, asseguram a continuidade da transmissão de legados históricos e culturais, promovendo o acesso das novas gerações a esse património comum. Num tempo marcado por mudanças rápidas e, não raras vezes, por tensões e incompreensões, esse trabalho torna-se ainda mais necessário.
Vivemos num mundo onde as hostilidades parecem, por vezes, sobrepor-se ao diálogo. É precisamente por isso que precisamos, mais do que nunca, das palavras — palavras que constroem pontes, que despertam empatia, que nos convocam e encorajam, que abrem caminhos para o entendimento.
Que esta presença em Buenos Aires seja mais um passo nesse caminho de aproximação, de descoberta mútua e de valorização da diversidade cultural que nos une.
Permitam-me, por fim, e em nome da Fundação, dirigir uma palavra muito pessoal de agradecimento a D. Ramiro Tellechea, pela sua dedicação exemplar, pelo entusiasmo contagiante e pela forma generosa como tem abraçado e levado por diante esta missão que é de todos nós.
Muito obrigado e boas leituras.