23/08/2026
COLEÇÃO DE 365 ENSINAMENTOS DE MEISHU SAMA
ENSINAMENTO 20 DE 365
A VONTADE DE DEUS
«“Deus salva, a qualquer custo, as pessoas que lhe são úteis. Aquelas que O atrapalham ou são inúteis, Ele deixa de lado e espera pelo tempo certo, até que elas ganhem compreensão.”»
Fonte: Coletânea de Ensinamentos, vol. 23 — 27 de junho de 1953.
REFLEXÃO SOBRE O ENSINAMENTO
Há momentos em nossa vida em que, diante de uma dificuldade, elevamos os olhos ao Céu e pedimos a Deus que nos ajude. Pedimos pela nossa vida, pela nossa família, pelo nosso caminho e por aquilo que desejamos alcançar. Essa atitude é natural, pois reconhecemos que existem situações que ultrapassam nossas próprias forças. Mas Meishu-Sama nos conduz, neste ensinamento, a dar um passo além: não basta pedir a Deus; precisamos aprender a confiar n’Ele e entregar nossa vida à Sua Vontade.
Quando a prece é correta e colocamos verdadeiramente nossa vida nas mãos de Deus, podemos confiar que Ele não deixará de nos atender. Entretanto, essa confiança não significa que Deus deverá responder exatamente como desejamos, no momento que determinamos ou pela maneira que imaginamos. A fé amadurece quando conseguimos apresentar nosso pedido com sinceridade e, depois, entregar o resultado à sabedoria divina.
Pedir com fé não é o mesmo que exigir com apego.
Quando nos apegamos demasiadamente ao resultado, podemos transformar a oração numa tentativa de conduzir Deus segundo a nossa própria vontade. Mas, quando entregamos, começamos a compreender que Deus conhece caminhos que ainda não conseguimos enxergar. Aquilo que parece uma demora pode estar preparando algo em nós; aquilo que parece uma porta fechada pode estar nos conduzindo para uma direção mais adequada.
É nesse sentido que as palavras de Meishu-Sama ganham uma profundidade especial:
«“Deus salva, a qualquer custo, as pessoas que lhe são úteis.”»
À primeira vista, essa afirmação pode parecer severa. Porém, quando contemplamos o ensinamento por inteiro, percebemos que ela não nos convida a pensar que Deus ama uns e abandona outros. Pelo contrário, Meishu-Sama esclarece que, quando uma pessoa ainda não possui condições para ser salva, Deus espera pelo tempo certo, até que ela adquira compreensão.
Que grande esperança existe nisso!
Deus não abandona aquele que ainda não compreendeu. Ele espera. E esse tempo de espera pode ser justamente um período de preparação, no qual nossas experiências, dificuldades e encontros vão amadurecendo nossa alma para que possamos receber aquilo que Deus deseja nos conceder.
Por isso, nem toda demora significa ausência de Deus. Nem toda dificuldade significa abandono. Às vezes, aquilo que chamamos de demora é o tempo que Deus está utilizando para preparar em nós as condições necessárias.
Quando essa compreensão começa a nascer, nossa própria maneira de orar se transforma. Já não buscamos somente que Deus resolva nossos problemas; começamos também a perguntar o que precisamos transformar em nós mesmos.
É então que a oração deixa de ser apenas:
“Deus, faça isto por mim.”
e começa a tornar-se:
“Deus, mostre-me como posso ser útil à Vossa Obra.”
Aqui encontramos uma das maiores profundidades deste ensinamento: a fé não nos conduz apenas a receber de Deus; conduz-nos também a servir a Deus.
Ser útil ao Senhor não significa necessariamente realizar grandes obras aos olhos humanos. Pode estar numa palavra que consola, numa mão estendida a quem sofre, numa atitude de humildade, numa oração sincera, num gesto de gratidão ou no esforço silencioso de levar Verdade, Bem e esperança a alguém.
E precisamos compreender algo ainda mais delicado: a utilidade espiritual não se mede pelo tamanho daquilo que fazemos, mas pela qualidade do coração com que servimos.
Podemos realizar muitas coisas e ainda estar procurando alimentar o próprio ego. Da mesma forma, podemos realizar algo aparentemente pequeno, sem reconhecimento e sem aplausos, mas fazê-lo com amor, sinceridade e espírito de servir. Aos olhos de Deus, a essência está no coração que sustenta a ação.
Por isso, quando desejamos ser úteis à Obra Divina, a primeira transformação talvez precise acontecer dentro de nós. Precisamos desenvolver gratidão, corrigir nossas atitudes, vencer o excesso de preocupação conosco mesmos, abandonar ressentimentos, cultivar humildade e aprender a confiar.
Assim, começamos a perceber que Deus não deseja apenas nos salvar de nossas dificuldades. Ele deseja também preparar-nos para que nossa própria vida se transforme em instrumento de salvação, esperança, paz e felicidade para outras pessoas.
Essa compreensão muda completamente a nossa relação com as provações.
Diante de uma situação difícil, em vez de perguntarmos somente:
“Por que Deus ainda não resolveu isto?”
podemos aprender a perguntar:
“O que Deus deseja transformar em mim através desta situação?”
Essa pergunta não elimina a dor, mas pode transformar a maneira como atravessamos a dor. Ela nos retira da posição de quem apenas espera uma solução e nos coloca na posição de quem procura compreender, aprender e servir.
Continuemos, portanto, a pedir. Mas peçamos sem apego. Continuemos a agir. Mas sem querer controlar tudo. Continuemos a servir. Mesmo quando ninguém estiver olhando.
Depois de fazermos sinceramente a nossa parte, saibamos entregar.
Porque entregar a vida a Deus não é desistir da própria responsabilidade. É reconhecer humildemente que nós fazemos aquilo que está ao nosso alcance, enquanto Deus conduz aquilo que está além da nossa compreensão.
E quanto mais nossa vida se coloca a serviço do Bem, mais começamos a compreender a grandeza da Vontade Divina.
Talvez a oração mais elevada não seja apenas pedir:
“Senhor, atende-me.”
Mas chegar, pouco a pouco, à humildade de dizer:
“Senhor, utiliza-me.”
Que nossa vida seja preparada para receber a Luz, mas também para transmiti-la.
Que possamos adquirir as condições necessárias para participar da Obra Divina, não buscando apenas a nossa própria felicidade, mas tornando-nos instrumentos para que outras pessoas também encontrem esperança, paz, Verdade, Bem e felicidade.
Porque, quando compreendemos a Vontade de Deus, descobrimos que a maior bênção não está apenas em sermos salvos.
Está em nos tornarmos instrumentos através dos quais Deus possa levar salvação aos outros.
Estamos pedindo apenas que Deus realize nossa vontade, ou estamos buscando compreender a Vontade de Deus?
Nossa vida está se tornando verdadeiramente útil à Obra Divina?
Kamiluzi, aos 23 de Agosto de 2026