11/05/2025
Ontem, 10/05, o projecto Oleka Planifica deu início ao "curso gratuito de Mapeamento com OpenStreetMap".
Inicialmente, fez-se a apresentação do âmbito do projecto, onde se referiu que a Oleka Planifica é um projecto social e académico que actua no âmbito do mapeamento comunitário, por meio da participação e colaboração de diferentes autores.
Com uma modalidade diferente, a organização do evento (Oleka Planifica) brindou os participantes com convidados especiais que partilharam suas experiências na área de mapeamento, abordando alguns temas bastante pertinentes, tais como:
*Produção de Dados Espacial Local: Entre Desafios e Oportunidades;
*Cartografia Social em Angola;
*Informações Geográficas Voluntárias no Contexto Angolano.
Durante as intervenções, o engenheiro Francisco José destacou a importância da legislação nos desafios da produção de dados espacial local, mencionando o Decreto de Geodésia e Cartografia n.º 9/18, de 18 de Junho, que faz referência aos requisitos legais para a produção de dados espaciais no território nacional. Destacou, ainda, que alguns dos desafios na produção de dados locais incidem sobre a qualificação de quadros, disponibilidade de recursos técnicos, tecnológicos e financeiros. E, como oportunidade, mencionou a importância de iniciativas vindas de pequenas organizações académicas e a expansão das geotecnologias de código aberto, incluindo plataformas de mapeamento livres, como o OpenStreetMap.
A segunda intervenção trouxe uma abordagem voltada para a importância de entendermos como as comunidades se inserem nos desafios de mapeamento. Entretanto, o CartoMaker Jorge Gilberto destacou que a cartografia social se constitui num veículo que fortalece os laços entre comunidades ou povos, por serem os mesmos a participar na produção de dados das suas realidades. Por outro lado, referiu ainda que a cartografia social, mais do que uma forma de mapear realidades, serve para produzir informações de base para influenciar a criação de políticas públicas orientadas à realidade local, de modo a promover o desenvolvimento sustentável.
A última intervenção, inicialmente, trouxe um panorama geral da evolução das informações geográficas, destacando alguns dos principais precursores, como, por exemplo, Eratóstenes, que teve a iniciativa de calcular a circunferência da Terra a partir de bases matemáticas e trigonométricas. Numa narrativa voltada para o contexto actual, o engenheiro Marcos Samucumbi referiu que o dinamismo da produção de informação geográfica se deu com o desenvolvimento das geotecnologias, que impulsionaram a cartografia digital e a produção de dados remotamente. Em relação aos desafios de iniciativas de produção de Informação Geográfica Voluntária em Angola, destacou algumas dificuldades, tais como: a falta de cultura cartográfica e digital, "secretismo" dos dados produzidos pelas instituições, descontinuidade dos programas e projectos pelos gestores públicos, falta de meios para automação de processos de mapeamento e fraca capacitação digital das nossas comunidades.
Os três convidados entendem que a produção de dados espaciais é uma questão de necessidade emergente e sugerem o incentivo à "cultura cartográfica e digital". Os convidados partilham das mesmas ideias em relação à necessidade de se criar iniciativas que lidem com os desafios de produção de dados locais, mas alinhadas com os preceitos legais, de modo a servirem de referência para as instituições e auxiliarem na tomada de decisão.
Contudo, o trio de convidados parabeniza a equipa do projecto Oleka Planifica pela iniciativa de integrar uma formação gratuita que abre uma janela de oportunidade para os jovens e as comunidades em geral se firmarem como autores na identificação de desafios e na busca por soluções locais.
Contudo, a equipa Oleka Planifica manifesta o seu mais profundo agradecimento e demonstra a sua vontade e força para contribuir para o empoderamento e sustentabilidade das nossas comunidades.