13/01/2025
Bem
MENSAGEM À NAÇÃO ANGOLANA
De Pedro Teca (Pedrowski Teka),
Presidente do movimento cívico-político União do Povo Angolano (UPA)
Angolanas e Angolanos
Manas e manos,
Como angolanos, lamentavelmente, entramos neste Novo Ano de 2025 mergulhados em crises económicas, sociais, políticas e culturais, que retiraram-nos a dignidade e a esperança, estando agora distantes do sonho de prosperidade que a nossa Nação há muito almeja.
O desemprego alarmante é um factor fundamental que retirou a dignidade do povo e está destruindo famílias, deixando as pessoas em graves situações de vulnerabilidade. O desemprego retirou o poder de compra, aumentou a pobreza, a frustração, a depressão, o uso e abuso do álcool e de estupefacientes, a criminalidade, a prostituição, o número de pessoas singulares e famílias mendigas ou pedintes nas ruas, famílias inteiras alimentando-se em lixeiras e muito mais.
O povo angolano está numa autêntica miséria onde a principal súplica de momento é ter o que comer... Ter algo para alimentar os filhos. Para quê construir tantos hospitais quando o povo mal se alimenta? Quantas crianças morrem diariamente nos nossos hospitais por causa da má-nutrição e doenças relacionadas? Cada vez mais, morrem os nossos valores morais e cívicos. Em 2024, aumentaram os casos em que populações, em várias províncias, saquearam caminhões em trânsito com mercadorias da cesta básica. Fomos transformados em ladrões. É a fome.
O Governo, sustentado pelo partido político MPLA, mostra-se cada vez mais incapaz de solucionar os problemas do povo. Não há um “bicho de sete cabeças”, quando o clamor do povo é claro: baixem a inflação, baixem os preços dos produtos da cesta básica e criem oportunidades de empregos.
O ambiente de negócios tem sido infernal para os empresários que se veem asfixiados pelos apertos constantes das taxas aduaneiras, pagamentos do Porto, dos Terminais e dos elevados impostos pagos na Administração Geral Tributária (AGT). Obviamente, quem sofre mais é o consumidor final: o pacato cidadão. Ademais, não se faz sentir a proteção do nacional (empresas, contratos públicos e produtos) em relação ao estrangeiro.
Compatriotas,
Não basta a incapacidade e incompetência de quem governa o País. Estando no poder há mais de 49 anos, o MPLA acredita e põe em prática a frase de que “vale tudo para se manter ou perpetuar-se no poder”. Assistimos, em 2022, a utilização de instituições do Estado, como: os órgãos de justiça, de defesa e de segurança nacional, para a manutenção o poder. Está claro que nas Eleições Gerais de 2027, a situação será a mesma. A primeira evidência de injustiça eleitoral aconteceu em 2024, quando o MPLA atribuiu-se nove (9) comissários da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), dando 4 a UNITA à quem, em nome do respeito às minorias, descabidamente retirou 3 comissários e os concedeu aos partidos políticos: FNLA, PRS e PHA. Deste modo, tendo controlo quase absoluto da Comissão Nacional Eleitoral.
Ao invés de implementar as Autarquias e realizar Eleições Autárquicas, o governo, liderado pelo MPLA, fragmentou-nos mais para melhor reinar ou perpetuar-se no poder. Com a nova Divisão Política Administrativa de Angola, que entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2025, o País conta com mais três (3) províncias, isto é, mais três (3) novos governadores, mais nove (9) novos vice-governadores, mais 162 novos administradores municipais, mais 324 administradores adjuntos, mais 162 novos comandos municipais da Polícia Nacional, mais 60 novos juízes de tribunal de comarca, mais 60 novos procuradores do Ministério Público, mais três (3) novos tribunais de comarca, mais três (3) novas conservatórias provinciais de registo civil e imóveis, mais 15 novos deputados à Assembleia Nacional a partir de 2027, e muito mais cargos e despesas em outras áreas.
Portanto, ao invés de criar soluções para os problemas do povo, o governo tem criado mais despesas e dívidas para os cofres do Estado.
Angolanas e Angolanos,
O acréscimo no número de deputados da oposição angolana na Assembleia Nacional, fruto das Eleições Gerais de 2022, devia ter um efeito positivo e engrandecedor que garantisse maior eficiência nas atuações em defesa dos interesses do povo. Lamentavelmente, passado dois anos, a desonestidade, a falta de humildade e de diálogo franco e aberto, tem fragmentado a própria oposição e os grupos da sociedade civil. Os ativistas acusam a oposição de ter negociado o sofrimento do povo e consequentemente, temos um País do salve-se quem poder. Estamos desavindos.
Nestes dois anos, o MPLA tem governado o País, praticamente sem oposição porque, a que temos, não tem agenda. A luta por dentro das instituições tem sido um fracasso, podendo se concluir que a ausência das manifestações realizadas por ativistas no País, destapou a incapacidade da oposição angolana. A pergunta que resta é: Quem realmente faz a oposição em Angola?
Compatriotas,
Neste Ano Novo de 2025, na qualidade de elemento de pressão e cumprindo as suas responsabilidades democráticas, o movimento cívico-político UNIÃO DO POVO ANGOLANO (UPA) inicia um processo de transformação cívica e política nacional com o lema: REAGRUPAR E MOBILIZAR.
Para a UPA, este ano é sinónimo de uma nova era, uma nova visão que, com muito trabalho e determinação, pressionaremos de forma inclusiva para que haja bom funcionamento das instituições do Estado em prol da defesa e realização dos interesses dos angolanos e de uma Nação economicamente estável e próspera.
Em meu nome e em nome desta grande organização, desejo um Próspero e Feliz Ano Novo a todos os angolanos.
Icolo e Bengo, 02 de Janeiro de 2025.
PEDRO TECA (Pedrowski Teka)
Presidente da UPA