01/10/2025
“O maior narco-estado do planeta é o próprio EUA”. Operação militar contra a Venezuela ocorre dias após a ampla divulgação do escândalo do cartel de Fort Bragg, a maior base militar do EUA, centro de treinamento de forças especiais do exército estadunidense, como Força Delta e Boinas Verdes, há décadas envolvidos em uma rede de tráfico internacional de co***na e he***na (e seus derivados como crack e opioides).
Ambas forças (Delta e Boinas Verdes) tem como missão a realização de operações secretas envolvendo assassinatos, sabotagens, desestabilização, golpes de estado etc. Incluindo a criação, infiltração, armamento, treinamento e articulação de grupos terroristas (Al Qaeda, ISIS, Al-Nusra), fundamentalistas (talibãs), paramilitares (“Contras” na Nicarágua, El Salvador e Colômbia) e mercenários (Líbia, Ucrânia), cujas operações muitas vezes envolvem produção e tráfico de dr**as, além de cartéis de droga propriamente ditos (México, Colômbia)
“O narcotráfico é uma parte essencial do imperialismo estadunidense”, afirma a jornalista mexicana Sasi Alejandre. A invasão do EUA ao Afeganistão em 2001, por exemplo, tinha como pretexto “combater o terrorismo”, mas na verdade foi crucial para reverter a proibição do cultivo de papoula que os talibãs tinham estabelecido no ano 2000. Ou seja, o EUA invadiu o Afeganistão para convertê-lo em um narcoestado de sua propriedade, tendo as Forças Delta participado na viabilização dos grandes plantios de papoula no país, que ampliaram enormemente o tráfico de he***na para o resto do mundo todo.
Agora, a história se repete. O que o EUA pretende na Venezuela não é “salvar o povo de um narcoestado”, mas justamente fazer da Venezuela um narcoestado de sua propriedade.
Em 2005, Hugo Chávez expulsou a DEA (agência estadunidense de combate às dr**as) do país. Graças a isso, se combateu o crime organizado e o narcotráfico dentro da Venezuela. São os próprios relatórios da ONU que afirmam a Venezuela como território livre de cultivos de coca e laboratórios de processamento de co***na, e mostram que 87% do tráfico marítimo para o EUA é feito pelo Pacífico colombiano e equatoriano e só o restante pelo oceano Atlântico, em ambos os casos chegando ao EUA através do México, América Central e países caribenhos.
Se o EUA tem a intenção de "frear" o tráfico de dr**as por que se deslocam no Mar Caribe e não no Oceano Pacífico, onde sabem que 87% da droga é traficada? Por que ir contra a Venezuela, um país irrelevante em termos de narcotráfico, e não, por exemplo, contra o México, Colômbia ou Equador?
México onde, sob os governos do PRI e PAN, como Salinas de Gortari e Felipe Calderón (e seu mafioso secretário de segurança García Luna, encarregado pela “guerra às dr**as” do EUA no México), fortaleceram e empoderaram cartéis como o de Sinaloa e Jalisco, incluindo a criação de "Los Zetas", conhecidos por sua extrema violência e por terem sido treinados em Fort Bragg.
Colômbia onde, com a ajuda de mercenários israelenses, a CIA treinou o Cartel de Medellín. Onde há décadas o EUA se beneficia da venda e tráfico de armas e sempre esteve aliado a presidentes envolvidos com narcotraficantes e grupos paramilitares, como Álvaro Uribe.
Equador cujos portos são apontados hoje como principal via de escoamento da co***na produzida na Colômbia e no Peru. Cujo atual presidente Daniel Noboa, aliado de Trump, é dono de empresa familiar diretamente envolvida no tráfico internacional de co***na.
“A operação militar do EUA contra a Venezuela é parte de uma guerra psicológica que pretende evitar que os países latino-americanos se articulem em um bloco regional em defesa de nossa soberania e, aí sim, contra o domínio do narcotráfico, de origem e diretriz estadunidense”, afirma a jornalista.