O Pequeno Burguês é um bloco da Zona Norte de São Paulo que caminha para seu sétimo carnaval com a altitude das grandes amizades. Foi fundado por moradores dispersos na região, aproximados por relações comunitárias e universitárias, com o propósito comum de aproveitar o clima de expansão do Carnaval de rua paulistano para formular uma proposta original de produção cultural. Assim, os moradores da
Zona Norte - e quem mais quiser participar da folia - poderiam então pular carnaval no seu próprio bairro, não precisando cruzar a marginal. O Pequeno busca contemplar democraticamente e conquistar foliões de todas as idades, gêneros e etnias, levando para a avenida mensagens do samba, recheadas de poesia e crítica social. Na multidão de foliões encontramos famílias, grupos de amigos, casais e, em sua maioria, moradores da região. Todos os anos o bloco organiza-se coletivamente para definir um enredo que dê norte à sua criação artística. Preza-se, sobretudo, pela proposta de atrair novos membros que acreditem na proposta do bloco. Desde 2015 o Pequeno arrasta multidões pelas ruas da norte. Neste primeiro desfile, 4.000 pessoas tomaram o bairro de Santa Terezinha para celebrar as ironias do “Samba do Volume Morto”, sátira sobre a crise hídrica vivida na ocasião. Em 2016 o bloco rumou para a famosa Avenida Nova enaltecendo a obra de Jorge Ben no enredo “Cidadão de Ben” e consolidando sua trajetória no carnaval de rua. Em 2017 abordou a crise econômica dos trabalhadores brasileiros com o enredo “Não tá Fácil pra Ninguém" e levou 14.000 foliões ao circuito Praça Heróis da FEB. Em 2018 ocupou as ruas do Jardim São Paulo com 10.000 pessoas que acompanharam a “Profecia Maia”, enredo que narra o fim do mundo à luz da discografia de Tim Maia. Já em 2019, o Pequeno escolheu homenagear Bernadete do Peruche, Eliane de Lima, Ivone Lara, Beth Carvalho e Leci Brandão com o enredo “As Donas do Samba” que contou com a participação especial da Tulipa Negra do Samba no desfile da Praça Heróis da FEB. Em 2020, o enredo “A Terra Achatou” parou a Avenida Nova ironizando a contemporaneidade da vida social brasileira. Desde a sua fundação, e muito graças ao bloco padrinho Caprichosos do Piqueri, o Pequeno realizou dezenas de oficinas de bateria gratuitas que formaram grande parte de seu time de ritmistas. Organizado em comissões temáticas como Projetos, Comunicação, Institucional, Carnaval e Ritmo, o bloco distribui seus componentes de forma sinérgica, colaborando para o crescimento coletivo. Desenvolveu, sobretudo e apesar das dificuldades, uma organização interna capaz de formar, paulatina e constantemente, sambistas para o Carnaval paulistano.