21/01/2025
Nesta 4ª feira, dia 22 de Janeiro, celebramos a memoria liturgia de Fundador na nossa Congregação: São Vicente Pallotti. Eu, Padre João Pedro convido para celebrar comigo a Missa as 16h na Capela de Santos João e Catarina na Paroquia da Igreja Nova. Agradecemos a Deus pela vida, exemplo e carisma de São Vicente, mas pediremos também a sua intercessão! Publico aqui uma entrevista que foi feita ontem comigo por causa do dia 2 de fevereiro, que é também dia dos Consagrados. Esta revista sairá no próximo jornal Correio de Coimbra. No entanto partilho ela convosco, porque falo bastante de Pallotti e da União do Apostolado Católico. È este novo grupo que queremos com Padre Adalberto implantar em nossa Unidade Pastoral. Bom dia de São Vicente Pallotti para todos nós!!!
CC: Para quem não conhece qual a espiritualidade, o que é ser padre Palotino? JP: Em primeiro lugar: Pax Christi! ( A paz de Cristo) nossa saudação Palotina! Reavivar a Fé e reacender a Caridade é o objetivo principal do nossa Sociedade do Apostolado Católico (SAC) chamada, com nome do nosso Fundador São Vicente Pallotti, de Palotinos. Fomos fundados em Roma há 190 anos. Agregamos Leigos, Padres, Irmãs e Irmãos formando a União do Apostolado Católico (UAC) em, aproximadamente, 70 países. Estou consciente de que a nossa espiritualidade não pode ser algo totalmente diverso das demais espiritualidades cristãs. Temos um pouco de Beneditinos seguindo os Concelhos do Evangelho, de Jesuitas fazendo tudo para infinita graça de Deus: "Ad Infinitam Dei Gloriam" mas temos também o nosso especifico ADN Palotino: a perseverança, a comunhão de bens e o espírito de serviço. Primeiro, "perseverança". Algo como uma "estabilitas" monástica, mas não tanto com um lugar específico, mas com a missão universal e apostólica da Congregação à qual entramos, ou seja, perseverança na comunidade de pessoas específicas e diversas e estabilidade nesta comunidade confirmada por paciência, generosidade, compreensão, fidelidade, para que a Sociedade seja intrinsecamente coesa e duradoura nas suas obras apostólicas.
Segunda é a “vida comunitária perfeita” hoje se chama comunidade de bens, mas atenção: não só material! Também espiritual, ou seja, buscando juntos Deus e a vontade de Deus, orações comuns, adoração, retiros, etc. Esta “convivência perfeita” implica também, segundo Pallotti, uma vida em constante conversão, ou seja, a preocupação de superar a própria fraqueza e viver de acordo com as promessas feitas.
Terceiro voto, "não buscar honras e não aceitar qualquer dignidade eclesiástica sem o consentimento do superior", posteriormente denominado espírito de serviço, ou seja: generosidade, desinteresse e disponibilidade - e não exigência, arrogância, obstinação, p***a ou expectativa de gratificação.
Por fim, observemos que todas as três promessas específicas visavam garantir a eficácia apostólica da Congregação. A promessa de perseverança era para garantir a continuidade das atividades apostólicas empreendidas pela Congregação; a promessa de uma vida perfeita na comunidade era capacitar os membros para a cooperação apostólica, isto é, permanecer um único corpo para a implementação dos objetivos apostólicos. Afinal, a promessa do espírito de serviço era garantir o caráter servil e humilde do apostolado empreendido para que os fins não santificassem os meios.
CC: Está ao serviço da diocese de Coimbra há vários anos, como é que aconteceu?
JP: Um dos objetivos nossos é ajudar a Igreja Particular nas Dioceses dos países onde estamos presentes. Eu, ao longo dos meus 40 anos de vida consagrada ajudei em varias Dioceses, tais como: Varsóvia, Lublin, Lisboa, Niterói, Rio de Janeiro e, desde 2011, a nossa Diocese de Coimbra.
CC: Mudou recentemente de paróquia e está em Ferreira do Zêzere, já está adaptado?
JP: O Povo Português, em geral, é muito acolhedor e sinto isso desde 1990, quando comecei ajudar no Patriarcado de Lisboa nas Paroquias do Coração de Jesus no Centro de Lisboa ou em Odivelas. Senti esta mesma simpatia na Diocese de Coimbra nas Paroquias do Corticeiro, Febres, Praia de Mira, São Caetano e Vilamar. Foi também muito bem acolhido com meu colega Padre Adalberto Kubrak, em Aguas Belas, Ferreira do Zêzere, Igreja Nova e Pias.
CC: Como gere a espiritualidade e vivência religiosa, de consagrado, com a vida ao serviço de uma comunidade e de uma paróquia? O que se torna mais difícil?
JP: Sempre, onde estamos, tentamos criar um clima de semear as sementes de espiritualidade Palotina, de modo que Deus suscite dentro do coração dos leigos, religiosos o ate clérigos, o chamado de se unira a nós na nossa 3ª ordem de União do Apostolado Católicos. Aí que nasce e se realiza o verdadeiro carisma Palotino de convivência, oração e caridade que ajuda muito em ser fiel a nossa vida religiosa de consagrados. O espirito de sinodalidade: isto é: juntos com leigos sonhar, tomar decisões e faze-las acontecer são os nossas esforços, objetivos e nossas alegrias.
CC: Olhando a realidade da diminuição de sacerdotes na nossa diocese, e um pouco por todo o país, sente que os consagrados, cada vez mais, têm de ajudar e estar ao serviço?
JP: Não é apenas a hierarquia, ministros sagrados e congregações que deve se empenhar ou preocupar com o presente e o futuro da Igreja, São Vicente Pallotti tinha varias vezes falado que todos devemo-nos preocupar com a Igreja como se fossemos os seus fundadores. Eu não vejo a falta dos sacerdotes como um perigo, mas como uma oportunidade de acordar um GIGANTE adormecido que são leigos e sua participação mais profunda no nosso mundo Cristão. Aquando isso acontecer haverá vocação para tudo e todos e dedicação adequada para lidar com os problemas.
CC: E os leigos, cada vez têm de ter mais espaço na Igreja e assumir responsabilidades?
JP: Acho que, com a resposta anterior confirmei esta. O nosso Fundador há um seculo antes do Concílio Vaticano II quis entregar aos leigos o que lhes cabia desde os Pentecostes. Por isso escreveu Apelo ao Povo Romano em 1835: Grandes e pequenos, formados e estudantes, operários, ricos e pobres, padres, leigos, religiosos seculares, comerciantes e empresários, funcionários, artistas e artesãos, comunidades e indivíduos, cada qual no seu próprio estado, na sua própria condição, de acordo com próprios dons, devem dedicar-se às obras de Apostolado Católico para reavivar a fé, reacender a caridade propaga-las em todo o mundo!!!
CC: Que desejo tem para este ano especial, Jubileu 2025?
JP: Esperança só se renovará, se nos abrirmos todos ao Espirito Santo, porque na hora de Ele distribuir os dons e carismas não há distinções, dignidades e honras, mas humildade, obediência e disponibilidade. Bom Ano Santo para todos nós!