29/05/2026
A época 2025/2026 ficará para sempre marcada como uma das páginas mais negras da história recente do Clube Desportivo de Tondela. Uma temporada de sofrimento constante, decisões incompreensíveis e falta de rumo.
Depois de uma subida histórica na época passada, o que se exigia era preparação, visão e capacidade para consolidar o CD Tondela no principal escalão do futebol português. O que tivemos foi exatamente o contrário.
A descida de divisão representa muito mais do que um falhanço desportivo. Representa o colapso de um projeto que nunca demonstrou ter estrutura, critério ou liderança capazes de responder às exigências da Primeira Liga. Uma equipa constantemente perdida dentro e fora de campo, um plantel desequilibrado, escolhas sem lógica e uma ausência total de reação perante uma época que, jornada após jornada, caminhava para o desastre.
Os números falam por si. Uma das piores defesas do campeonato, enormes dificuldades ofensivas, sucessivas derrotas humilhantes e uma instabilidade permanente que destruiu qualquer hipótese de competitividade.
Mas mais grave do que os resultados foi a falta de exigência. A falta de responsabilidade. A falta de respeito por todos aqueles que acompanham o clube para todo o lado, em casa e fora, independentemente da divisão ou da classificação.
A massa adepta do CD Tondela esteve sempre presente. Nunca virou a cara ao clube. Mesmo perante exibições inadmissíveis, continuou a apoiar, a acreditar e a defender o símbolo. O mínimo que os adeptos mereciam era competência, transparência e uma estrutura capaz de aprender com os erros. Não tiveram nenhuma das três.
Enquanto dirigentes da Febre Amarela, não podemos continuar em silêncio perante aquilo a que assistimos ao longo desta época. Exigimos um pronunciamento público urgente por parte da administração da SAD e da direção do clube sobre o presente e o futuro do CD Tondela.
Passaram já duas semanas desde a confirmação da descida de divisão e o silêncio continua a ser gritante e chocante. Numa altura em que os adeptos merecem explicações, responsabilidade e sinais claros sobre o futuro, aquilo que existe é ausência de comunicação e falta de esclarecimento perante uma das épocas mais desastrosas da história recente do clube.
Além disso, os problemas desta época não podem ser reduzidos apenas aos resultados da equipa principal.
A descida dos Sub-19 e a possibilidade real de descida dos Sub-17 mostram que existem fragilidades profundas que se estão a alastrar a toda a estrutura do clube e do futebol de formação. E quando a formação começa também ela a perder capacidade competitiva, é impossível ignorar que algo está profundamente errado.
É necessário perceber, com frontalidade e sem medo, o que falhou e quem falhou.
O CD Tondela cresceu muito na última década, mas continua hoje a trabalhar, em muitos aspetos, com os mesmos recursos de há dez anos e alguns deles já claramente deteriorados e insuficientes para responder às exigências atuais do futebol de formação e profissional.
Sem investimento estrutural sério, sem visão a longo prazo e sem uma aposta clara na criação de condições dignas para o desenvolvimento da formação e da equipa principal, o caminho dificilmente será de crescimento. E a pergunta que se impõe é simples:
Como pode o CD Tondela ambicionar consolidar-se e evoluir no futebol português sem avançar definitivamente com infraestruturas capazes de acompanhar essa ambição?
A necessidade de uma academia deixou há muito de ser apenas um desejo ou um sonho. Hoje, é uma urgência evidente para garantir sustentabilidade, crescimento e competitividade futura.
O CD Tondela merece muito mais do que aquilo que lhe foi oferecido esta época.
A Febre Amarela continuará, como sempre, ao lado do clube, da cidade e do símbolo. Mas apoiar o clube nunca significará aceitar o silêncio, a estagnação ou a ausência de responsabilidade perante uma época que deixa marcas profundas em todos os que vivem verdadeiramente este emblema.
Pelo respeito ao CD Tondela.
Pelo respeito aos adeptos.
Pelo futuro do clube.
A Direção