Estávamos em Abril de 1989, dia em que Fernando Silva determinou encerrar o seu negócio de restauração no famoso restaurante Pico do Arieiro, em Tercena. Nesse mesmo dia veio para a sua propriedade designada Quinta do Filinto, também em Tercena por ter sido legada a seu pai e aí começou a desenhar um nova actividade de restauração e tudo se iniciou nesse mesmo dia, uma vez que da sua antiga ca
sa vieram alguns utensílios e móveis que chegavam e bem para montar o novo estabelecimento e dar início a uma nova actividade. Se bem o pensou, melhor o fez e até a Agosto desse mesmo ano, em escassos quatro meses, para promoção do novo estabelecimento, convidou todos os grupos de folclore sedeados no concelho para ali actuarem em festas e foi então que surgiu a ideia de se criar um grupo em Tercena, começando os ensaios precisamente a 12 de Setembro de 1989, já com um grande número de aderentes que se prontificaram colaborar com Fernando Silva no novo projecto, chamando para dirigir o grupo, o Carlos Furtado que percebia de folclore por pertencer ao grupo da sua terra no Ribatejo, já que trabalhava no Centro Paroquial de Barcarena como animador e com Fernando Silva resolveram dar início aos ensaios. Em Fevereiro de 1990 o novo grupo estava apto a estrear-se mas faltavam os trajes que acabaram por ser executados por uma senhora de Porto Salvo a toda a pressa, já que a data de estreia estava anunciada para Maio desse ano. A senhora tinha confeccionado os trajes das marchas de Porto Salvo e foi então que depois de convidada a executar tal tarefa os mesmos apareceram prontos no curto espaço de três meses. Para os pagar, uma vez que o grupo ainda não tinha dinheiro, foi solicitado serem liquidados em três vezes, o que a senhora aceitou e assim aconteceu, pagar os 300 contos, valor do custo total, em três prestações. A estreia do novo grupo foi marcada para 22 de Maio de 1990 e João Marques Boletas foi convidado para seu padrinho já que tinha sido um grande pioneiro das antigas danças etno-folclóricas em Tercena que terminaram nos anos cinquenta por terem sido consideradas obsoletas, face ao que a recém criada televisão portuguesa apresentava. Nessa memorável festa estiveram presentes Nayr Peleira vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Oeiras, João Carvalho presidente da Assembleia de Freguesia de Barcarena e Custódio Paiva que nessa altura era do executivo da autarquia barcarenense, entre outras individualidades, assim como muito público. A partir desta data o rancho, como era novidade no concelho, começou a ter actuações, saindo pela primeira vez para uma festa no Palácio dos Aciprestes em Linda a Velha, a convite da autarquia oeirense o que até nem foi bem sucedida, mas como era a primeira, todas as desculpas foram aceites, não sendo mesmo impeditivo para que o mesmo se deslocasse às festas de Mirandela nesse mesmo ano. A terceira saída, foi muito importante, na medida em que iria apresentar-se junto dos restantes agrupamentos do concelho nas Festas de Oeiras de 1990, existindo uma natural expectativa, pois a maioria desconhecia o grupo, que logo de início foi reconhecido e considerado como mais um agrupamento folclórico, representando a região saloia. Duas semanas depois actuou na Malveira da Serra a convite do Luís Macara, tendo sido mesmo um grande êxito, e um grande momento para galvanizar todos os seus intérpretes devido ao maravilhoso almoço que lhe foi servido pela organização. Em 1993 mudou de nome, deixando de ser o Rancho da Associação Cultural de Tercena, passando a ser conhecido pelo Rancho Folclórico As “Macanitas” de Tercena em homenagem às mulheres que vinham para esta zona trabalhar para os campos, oriundas do Oeste e outras regiões do país. Em 1994 internacionalizou-se estando presente em Moaña Vigo, na Galiza em Espanha a convite do rancho da Sobreda de Caparica, por este não poder ali deslocar-se. Em 1994 actuou em Alcorcón em Espanha a convite de Benito e Marie Cármen compadres de Fernando Silva e foi então que o grupo começou a ter maiores pretensões, uma vez que deixava para trás um rasto de êxito, e de afirmações muito positivas, dando força e ânimo aos seus responsáveis para procurar melhorá-lo o mais possível o que viria a acontecer, com a troca dos trajes, a mudança das modas que dançava, que na sua grande maioria eram de origem ribatejana e era urgente trocá-las por um reportório reconhecidamente saloio. O primeiro festival internacional realizou-se num convívio de Verão em 1996 tendo recebido o Grupo da República Checa, graças à gentileza de Fernando Miguel da Barra Cheia grupo, oriundo de Krusnor, Ceski Soubor. Daí em diante foi uma longa e profícua caminhada de mais de vinte anos, tendo visitado a maioria dos concelhos portugueses, conhecido novas culturas ao mesmo tempo que difundia as tradições, usos e costumes da sua região saloia que acabariam por ser aceites e admiradas. Em 2001, ano muito conturbado, devido aos ataques terroristas fez uma deslocação de dez dias ao Brasil, para cimentar uma geminação entre as duas Barcarena’s, de Oeiras e do Pará, que decorreu maravilhosamente, seguindo-se uma longa e cansativa maratona de oito anos, executando mais de trinta actuações em oito das ilhas açorianas e Madeira, em Espanha nas cidades de Avilés, Gijon, Jaraicejo, e recentemente na Áustria, em Bruck an der Mur, o que sem dúvida alguma internacionalizou o grupo de forma evidente, pois até recebeu este ano aquele agrupamento que esteve em Tercena durante uma semana, o que causou um grande sucesso e até espanto, pois muitos questionaram-se, no sentido de saberem como era possível tal acontecer. Devido a este grande movimento do rancho “As Macanitas” hoje, é vulgar ser convidado por grupos oriundos de países da Europa e Ásia, ao ponto de, ser rara a semana que não tenha essas solicitações, mas infelizmente sem os poder aceitar por falta de verbas. Daqui para a frente, só com a grande vontade de todos se conseguirá ir mais além, e para isso acontecer será necessário muita união, compreensão, viabilizando e antecipando projectos, para poder avançar na ideia de solidificar o grupo no estrangeiro, mas sobretudo convencer os seus elementos de que para tal acontecer cada um terá de custear uma parte das suas despesas, pois de outra forma é mesmo impossível, tarefas que competem aos mais novos, uma vez que os fundadores, os mais velhos, esses já estão cansados, e sobretudo despidos de forças, psicológicas e físicas para levar por diante esses arrojados projectos, mas uma coisa é certa, escola tiveram e como tal, só não se abalançam a tal, se de facto não houver criatividade e sobretudo vontade e grande espírito de empreendimento.