CUTPS - Comissão de Utentes dos transportes públicos do Seixal

CUTPS - Comissão de Utentes dos transportes públicos do Seixal Associação de defesa dos interesses dos utentes do sistema de transportes públicos (fluviais, ferroviários e rodoviários) no Seixal

25/01/2026

No passado sábado, dia 24, a convite do Sr. Presidente da Câmara Municipal do Seixal, Dr. Paulo Silva, estive presente numa reunião sobre a FERTAGUS e a péssima prestação de serviço público de transportes de passageiros que efectua. Estiveram presentes o Sr. Rui Ribeiro, o autor da petição pública online relativa ao caos que se vive e a D. Helena Gonçalves, utente activa na divulgação da referida petição.
O Sr. Presidente informou já ter solicitado reunião com o Ministro das Infraestruturas, com a Secretária de Estado da Mobilidade, com as Administrações das Infraestruturas de Portugal e da FERTAGUS. Até àquele momento, só a ADM. da FERTAGUS é que tinha respondido e marcado reunião.
Quanto aos problemas existentes, listaram-se causas, nomeadamente o modelo do negócio, totalmente sem riscos para a empresa concessionária, a qual ganha sempre aconteça o que acontecer, abordaram-se possíveis soluções e falou-se na necessidade de melhorar a articulação entre os diferentes modos, nomeadamente entre a Carris Metropolitana e a Transtejo mas não me só.
Pela parte da CUTPS, afirmei o nosso apoio à luta desencadeada pelos utentes das ligações ferroviárias e a nossa disponibilidade para articular acções.

21/01/2026

No primeiro artigo do Decreto-lei Nº 701-D/75 de 17 de dezembro, que nacionaliza as empresas Sociedade Marítima de Transportes, Lda; Empresa de Transportes Tejo, Lda; Sociedade Nacional Motonaves, Lda; Sociedade Jerónimo Rodrigues Durão, Herd, Lda e Sociedade Damásio, Vasques e Santos, Lda. – que então exploravam as cinco carreiras fluviais do rio Tejo, ligando Lisboa a diversas localidades da margem sul e procede à criação de uma nova empresa do Estado que as aglutine, refere-se que “A actual situação económica muito degradada e a insuficiência operacional dos transportes fluviais do Tejo integrados no serviço suburbano de Lisboa aconselha a sua rápida nacionalização, de molde a permitir a reestruturação e a coordenação das suas actividades, tendo em vista sanear a sua economia e assegurar o seu regular funcionamento”.

Longo foi o caminho percorrido pela TRANSTEJO até aos dias de hoje, muitas vezes demasiado atribulado e mesmo asfixiado na sua capacidade de enfrentar problemas financeiros de sub-financiamento crónico, para além de encruzilhadas determinadas por opções “espúrias” e felizmente nunca concretizadas.

Hoje, dotada parcialmente de uma nova frota, com motorização eléctrica, a TRANSTEJO debate-se com uma queda na sua utilização, fruto da continuada e temporalmente longa lista de supressões e carreiras, que infernizaram a vida dos utentes, sobretudo dos residentes na Margem Sul, os seus maiores utilizadores. Ao que sabemos, directamente pela voz do Presidente da TRANSTEJO, existe o propósito de corrigir o caminho percorrido nos últimos anos, fazendo da empresa uma digna empresa pública prestadora de serviços de transportes de passageiros entre as duas margens do Rio Tejo, cumpridora de horários e de ligações que respondam às necessidades dos seus utentes.

Não nos esquecemos de que se trata de uma empresa tutelada pelo Governo. É, em última análise, ao Governo em exercício que compete dotar a TRANSTEJO de todas as condições necessárias ao cumprimento do seu objecto, garantindo o seu saneamento financeiro, que lhe permita encarar a continua necessidade de renovação da frota, da sua manutenção programada e conservação. Sem esquecer igualmente a necessidade de dotar a empresa dos trabalhadores de que ela necessita.

O sector dos transportes públicos tem que ser olhado peolo Governo em exercício como um sector estratégico, do seu bom funcionamento depende a qualidade de vida de milhares e milhares de pessoas que diariamente os utilizam, sendo igualmente de uma importância vital aspectos que se prendem com a diminuição da poluição derivada do uso das viaturas individuais, tantas vezes a solução encontrada para responder à má interligação e sofrível cobertura territorial dos TP.

Cá estaremos para acompanhar essa caminhada, sempre disponíveis para contribuir para melhorar o serviço público que a TRANSTEJO presta, mas igualmente exigentes quanto a tal cumprimento e atentos, às falhas que esperamos sinceramente estarem a ser ultrapassadas, reivindicando sempre a prestação de um serviço público de qualidade, rápido, eficiente e adequado à vida de quem os utiliza.

Saudamos pois a TRANSTEJO e todos os seus trabalhadores, certos de que pretendemos o mesmo objectivo, uma vida melhor e mais justa em todas as suas dimensões!

11/01/2026

A CUTPS-Comissão de Utentes dos Transportes Públicos do Seixal tem conhecimento da situação de degradação acentuada no transportes públicos ferroviários, concessionados à empresa FERTAGUS.
Apelamos aos utentes que nos contactem para podermos agendar reunião e discutir formas de actuação, pois o quadro actual não é admissível e o Governo, que é o concessionário e dono do material circulante, vulgo comboios, tem que actuar e obrigar a FERTAGUS a prestar um serviço digno. Não é admissível ter-se que ir apanhar comboios uma ou duas paragens atrás para se conseguir vir na hora pretendida, não é admissível andar-se como "sardinha em lata de conserva" e, sobretudo, tal não se resolve retirando mais bancos e piorando a qualidade de serviço.
Esta Comissão de Utentes está atenta e disponível para a conjugação de esforços com todos os que pugnam por Transportes Públicos de qualidade, com horários e lotações que não transformem a vida de quem os utiliza num inferno.

Poderão contactar-nos via mensagem privada pelo messenger, se assim acharem mais adequado.

11/01/2026

No passado dia 18/12/2025, a CUTPS-Comissão de Utentes dos Transportes Públicos do Seixal reuniiu com a nova Administração da Transtejo-Soflusa.

Colocamos abaixo a acta da reunião, para conhecimento dos utentes

ACTA DA REUNIÃO ENTRE A CUTPS - COMISSÃO DE UTENTES
DOS TRANSPORTES PÚBLICOS DO SEIXAL E O CONSELHO DE
ADMINISTRAÇÃO DA TTSL – TRANSTEJO SOFLUSA, S.A.
Data: 18 de dezembro de 2025
Hora: 17:15
Local: TTSL, sita no Terminal Fluvial Cais do Sodré, em Lisboa
Presentes:
Pela Comissão de Utentes dos Transportes Públicos do Seixal (CUTS):
• Ana Paula Ferreira
• Cecília Ferreira
• Cristina Pereira
• Hernâni Magalhães
Pela Transtejo:
• Rui Ribeiro Rei - Presidente do Conselho de Administração (PCA)
• Francisca Ramalhosa - Vice-Presidente do Conselho de Administração
Ordem de Trabalhos:
1. Apresentação do novo Conselho de Administração;
2. Análise da situação atual do serviço fluvial prestado pela Transtejo, com
especial enfoque na ligação Seixal–Lisboa;
3. Planos para o curto e médio-prazo.
Resumo da Reunião:
A reunião teve início pelas 17:15, com uma apresentação do novo Conselho de
Administração da TTSL, o qual tomou posse há pouco mais de dois meses.

Desde a sua nomeação a 13 outubro 2025, o principal foco é a estabilização global do
serviço fluvial, através da eliminação dos recorrentes incumprimentos de horários e
supressões de carreiras, não só na operação do Seixal, mas também em Cacilhas e
Montijo.
Em concreto, no mês de novembro 2025 ocorreram menos 98% das supressões que
ocorreram no período homólogo.
O Seixal regista um considerável aumento de passageiros nos últimos dois meses, como
consequência positiva e maior confiança no transporte fluvial.
Por outro lado, iniciaram-se vários trabalhos de reparação e manutenção que não tinham
ocorrido anteriormente de forma preventiva. Foram referidos os trabalhos nas estações
fluviais (Seixal e outras) para fazer face às graves infiltrações de águas pluviais durante
o mês de novembro, bem como as reparações nos passadiços de desembarque (pintura e
tratamento antiderrapante) e a colocação de defensas nos pontões de Cacilhas e Seixal
(em curso entre 15 e 22 de dezembro).
O Presidente do CA apresentou em seguida o plano de melhorias no serviço e te**es que
pretende implementar:
- Estudo da viabilidade do circuito Seixal – Barreiro – Lisboa, em horários específicos;
- Criação da nova ligação fluvial entre a Trafaria e Algés, em definição com as CM
Almada e Oeiras;
- Estudo para a reabertura do terminal do Parque das Nações, com ligação ao Seixal;
- Remodelação da Estação Fluvial do Seixal, com criação de espaços comerciais que
dinamizem a área circundante, em articulação com a CM Seixal;
- Reforço dos meios humanos operacionais, com foco na contratação de técnicos
especializados e na formação da tripulação apta a operar os 10 navios elétricos;
- Lançamento de Inquérito de Satisfação do Cliente, em moldes semelhantes ao que está
em curso pelo Metro de Lisboa, com acompanhar a perceção dos clientes sobre a
qualidade do serviço e identificação de áreas de melhoria;
- Há uma evidente falta de limpeza nos novos navios elétricos, para a qual a TTSL está
a considerar a abertura de concurso público.
- As portas de embarque nos navios elétricos apresentam problemas no sistema
hidráulico. A reparação encontra-se em plano para todos os navios elétricos.
Foi transmitido à CUTS o compromisso de não enviar para abate mais nenhum
Catamarã a Diesel. Antes pelo contrário, os navios irão ser enviados para estaleiro para
reparação profunda. Há dois navios atualmente em doca já essas reparações (“Algés” e
“Cesário Verde”).

Serão os Catamarã a Diesel a servir a redundância de serviço, na eventualidade dos
navios elétricos ficarem inoperacionais.
Por outro lado, o navio elétrico “Cegonha Branca” irá finalmente ser reparado, após o
acidente que implicou fissura no casco em Janeiro 2025.
Seguidamente, a palavra foi passada à CUTS que transmitiu a seguintes considerações:
- Agradecemos a visão estratégica transmitida e a manifestação de intenções que estão a
colocar em cima da mesa, de forma clara e direta.
- Concordámos que o serviço tem aumentado o nível de confiabilidade, sem supressões
nas últimas 4 semanas, mas ainda assim com alguns atrasos no cumprimento de
horários.
- O reajustamento do horário nos dias úteis no Seixal, implementado a 15 dezembro,
volta a reduzir intervalos de ligação entre as 12 e as 15h, sem reforço de oferta nos
horários de ponta da manhã e da tarde. É realmente importante considerar o reforço de
oferta nestes horários de pico, para diminuir os 30 minutos entre ligações fluviais.
- É necessária a maior articulação dos horários da Transtejo com autocarros da Carris
Metropolitana que partem do Terminal do Seixal. Atrasos de 10 minutos na ligação
fluvial, significa ter passageiros nas paragens de autocarros que perderam o autocarro de
ligação. A espera pode demorar 20 / 30 minutos, o que revela a desarticulação na
mobilidade urbana e transtornos para uma larga % de passageiros.
- É importante a Transtejo divulgar a existência de um Parque de Estacionamento
Gratuito no Terminal do Seixal, com capacidade para cerca de 1.900 lugares. A CM
Seixal disponibiliza esta importante bolsa de estacionamento gratuita, mas a mesma não
está a ser capitalizada na comunicação da Transtejo. Esta é uma mais-valia para
promover a utilização do transporte fluvial.
- A última ligação do Cais do Sodré para o Seixal ocorre às 23.15 nos dias úteis. Os
passageiros do Seixal precisam de uma ligação mais tarde, para que seja uma forma de
mobilidade viável para quem trabalha por turnos em hospitais, centros comerciais, por
exemplo. As ligações de Cacilhas e Barreiro têm o horário noturno mais alargado, com
o último barco a sair respetivamente à 1h40m e à 2h00m, a título de exemplo.
Conclusões:
• A Administração da TTSL irá considerar os pontos apresentados pela CUTS.
• Ambas as partes acordaram na importância de manter um canal de comunicação
permanente, transparente e construtivo.
• Deverá ser criado um grupo de trabalho com as restantes comissões de
passageiros de Cacilhas, Barreiro e Montijo, de forma a articular e agilizar
soluções para a melhoria do serviço pela TTSL.

Encerramento:
Nada mais havendo a tratar, a reunião foi encerrada pelas 18h30.
Lisboa, 18 de dezembro de 2025

02/07/2025

ACTA DA REUNIÃO ENTRE A CUTPS – COMISSÃO DE UTENTES DOS TRANSPORTES PÚBLICOS DO SEIXAL E A SECRETARIA DE ESTADO DA MOBILIDADE - MINISTÉRIO DAS INFRAESTRURAS E HABITAÇÃO

Data: 1 de julho de 2025

Hora: 09h00

Local: Campus XXI – Av. João XXI, n.º 63, 7.º piso – Lisboa

Presentes:

Pela Comissão de Utentes dos Transportes Públicos do Seixal (CUTPS):

• Ana Patrícia do Carmo Pires Ferreira Coelho

• Cristina dos Anjos Mateus Pereira

Pelo Ministério das Infraestruturas e da Habitação (MIH):

• Pedro Duarte Silva (Chefe do Gabinete da Secretaria de Estado da Mobilidade)

• Teresa Santos (Adjunta)

Ordem de Trabalhos:

1. Análise da situação atual do serviço fluvial prestado pela Transtejo, com especial enfoque na ligação Seixal–Lisboa.

2. Avaliação do impacto da aquisição dos navios elétricos na qualidade do serviço e no cumprimento das obrigações contratuais.

3. Discussão de medidas corretivas e acompanhamento das ações em curso pelo MIH.

Resumo da Reunião:

A reunião teve início pelas 09h00, com a exposição, por parte da CUTPS, das suas principais preocupações relativamente ao serviço prestado pela Transtejo, particularmente na ligação Seixal–Lisboa. Foi sublinhado que esta ligação tem sido, nos 2 últimos anos, a mais penalizada da rede, com um serviço público de transporte reiteradamente insatisfatório, sem garantias de melhoria nem alternativas de mobilidade adequadas. A CUTPS reforçou a degradação generalizada da confiança dos passageiros, o que tem conduzido a uma redução da procura e ao agravamento da sobrelotação noutras ofertas, como a Fertagus. Foram igualmente destacados os impactos negativos na vida pessoal, familiar e laboral dos utentes da Margem Sul.

O Chefe de Gabinete da Secretaria de Estado da Mobilidade confirmou que a situação do Seixal é crítica e reconheceu a ausência de redundância na frota da Transtejo. A frota apresenta-se envelhecida, e os novos navios elétricos revelam-se ainda tecnicamente instáveis. Indicou que a empresa opera “no fio da navalha” não apenas no Seixal, mas também noutras ligações como Cacilhas e Montijo.

Foi reconhecido que o projeto de eletrificação da frota, iniciado em 2019, careceu de um planeamento técnico robusto. O investimento público de aproximadamente 100 milhões de euros, distribuído entre aquisição de navios, baterias, infraestruturas de carregamento e eletrificação de cais, foi considerado descoordenado e insuficiente para garantir um serviço eficaz. A implementação foi faseada e desarticulada, gerando falhas operacionais desde o início.

O MIH confirmou a realização de reuniões semanais com a administração da Transtejo e com a empresa construtora GONDAN, bem como a exigência da celebração de um novo contrato de manutenção global com a GONDAN e a ABB Espanha, a assinar durante o mês de julho de 2025. Este contrato incluirá a presença de equipas técnicas em Portugal e penalizações contratuais sempre que os navios estejam inoperacionais por motivos técnicos, eletrónicos ou de software.

Foi também abordada a situação da frota:

• Está prevista para breve a chegada do 10.º e último navio elétrico.

• O abate de navios a diesel será adiado para garantir redundância operacional.

• O navio “Algés” encontra-se em processo de renovação do certificado de navegabilidade.

A CUTPS solicitou esclarecimentos sobre os 7 navios elétricos imobilizados na Doca 13 de Cacilhas. Não foi possível fornecer detalhe por embarcação, sendo apenas confirmado que o navio “Cegonha Branca” se encontra acidentado.

Está em curso o recrutamento de técnicos especializados nas áreas de Engenharia do Ambiente e Engenharia Eletrotécnica, embora os processos sejam morosos e dificultados pela discrepância salarial entre o setor público e privado.

Foi também mencionado que o Chefe de Gabinete não tinha conhecimento prévio da ocorrência de um alegado incêndio num dos navios, mas comprometeu-se a averiguar o sucedido.

Relativamente às coimas contratuais, o Ministério informou que a Transtejo se encontra a regularizar as penalizações relativas a 2022 e 2023, em articulação com o IMT.

Sobre a segurança a bordo dos novos navios, foi referido que todos possuem as certificações exigidas. No entanto, não foi possível confirmar se os marinheiros têm formação específica sobre riscos associados às baterias e materiais inflamáveis. O tema será levado a nova reunião com a empresa operadora.

A CUTPS alertou para a necessidade de preparar antecipadamente o sistema para as exigências do outono/inverno, período tradicionalmente mais instável, solicitando a criação de planos de contingência para evitar novo colapso na ligação Seixal–Lisboa.

Conclusões:

• O MIH reconhece a gravidade dos problemas na operação da Transtejo e compromete-se a manter reuniões semanais de acompanhamento.

• A CUTPS entregou documentação detalhada sobre incumprimentos contratuais e solicitou maior transparência e celeridade na resposta às falhas verificadas.

• Ambas as partes acordaram na importância de manter um canal de comunicação permanente, transparente e construtivo.

Encerramento:

Nada mais havendo a tratar, a reunião foi encerrada pelas 11h00, sendo lavrada a presente ata, que vai ser assinada por todos os presentes.

19/06/2025

ACTA DA REUNIÃO ENTRE A ADMINISTRAÇÃO DA TRANSTEJO E A CUTS – COMISSÃO DE UTENTES DOS TRANSPORTES PÚBLICOS DO SEIXAL
Data: 11 de junho de 2025
Hora: 17h30
Local: Sede da Transtejo

Participantes:
Pela Transtejo:

Dra. Alexandra Ferreira de Carvalho – Presidente do Conselho de Administração

Eng.º José Manuel Faísca – Vogal do Conselho de Administração

Dra. Margarida Perez Perdigão – Assessora Jurídica

Pela CUTS – Comissão de Utentes dos Transportes Públicos do Seixal:

Ana Patrícia do Carmo Pires Ferreira Coelho

Cristina dos Anjos Mateus Pereira

Vilma Cristina Polido Ramada Maia Martins

Daniel Pinto

1. Abertura da Sessão e Enquadramento
A reunião teve início com a intervenção da Presidente do Conselho de Administração da Transtejo, Dra. Alexandra Ferreira de Carvalho, que reiterou a disponibilidade da empresa para o diálogo construtivo e para o esclarecimento das preocupações manifestadas pela CUTS.

A metodologia adotada baseou-se na escuta ativa, tendo os representantes da CUTS exposto os pontos centrais das suas reivindicações, às quais a administração respondeu subsequentemente.

A pedido da CUTS, foi solicitada autorização para gravação da reunião em formato áudio, pretensão que foi recusada por indicação da assessora jurídica da Transtejo, Dra. Margarida Perdigão.

Ficou acordado que seria elaborada uma ata sumária da reunião, redigida pela CUTS, a submeter posteriormente à revisão e validação pela administração da Transtejo.

A Presidente expressou ainda preocupação com o elevado número de reclamações registadas (139 no mês de maio de 2025), bem como com a imagem pública da empresa, salientando que várias notícias veiculadas pela comunicação social contêm informações incorretas ou descontextualizadas, que comprometem injustamente a reputação institucional.

2. Estado do Serviço Fluvial e Impacto na População
A CUTS expôs os principais constrangimentos sentidos diariamente pelos utentes da ligação Seixal–Cais do Sodré, com destaque para:

Supressões frequentes de carreiras;

Desvio de embarcações afetas à linha do Seixal para suprir falhas noutras ligações;

Intervalos excessivos entre embarcações, atingindo 50 a 60 minutos em horas de ponta;

Insuficiência generalizada de ligações fora dos períodos de maior procura.

A administração reconheceu que a ligação Seixal tem sido particularmente prejudicada no contexto global do serviço. A Presidente reconheceu ainda que a oferta atual é manifestamente insuficiente e assumiu o compromisso de rever os horários nas horas de ponta, logo que a frota elétrica esteja plenamente operacional. Tal ponto será objeto de seguimento na próxima reunião com a CUTS.

Foi igualmente admitido que os horários revistos em maio de 2025 não estão a ser cumpridos, mantendo-se supressões significativas no período da manhã (7h-9h) e ao final do dia (17h-19h).

3. Situação Atual da Frota e Veracidade da Comunicação Institucional
Contrariamente ao anunciado em comunicações oficiais e nas redes sociais da Transtejo, a frota atualmente afeta à ligação Seixal não é composta integralmente por navios elétricos. À data, encontram-se ao serviço dois navios a diesel (Sé e Castelo) e apenas uma embarcação elétrica (Flamingo Rosa ou Perna-Verde).

A inexistência de margem operacional na frota – devido à imobilização de navios elétricos por avarias de software – tem conduzido à realocação de embarcações do Seixal para o Montijo, sempre que ocorrem avarias nesta última linha. A administração fundamentou esta decisão com o facto de os utentes do Montijo não disporem de alternativa de transporte.

A CUTS contrapôs que os utentes do Seixal também não possuem alternativa viável, sublinhando a atual sobrelotação da linha ferroviária da Fertagus, que transporta passageiros em condições comparáveis a “sardinha em lata”. A CUTS considera esta política uma forma de discriminação explícita e continuada dos utentes do Seixal.

4. Frota Elétrica – Entregas e Estado Operacional
A Presidente referiu que a renovação da frota com navios elétricos representa um projeto inovador, embora reconheça os constrangimentos decorrentes da sua implementação incompleta.

Navios entregues até à data:

Cegonha Branca – Recebido em março de 2023; encontra-se inoperacional desde acidente, aguardando reparação.

Garça Vermelha – Recebido a 29 de janeiro de 2024

Flamingo Rosa – Recebido a 29 de janeiro de 2024

Íbis Preto – Recebido a 21 de abril de 2024

Tarambola Dourada – Recebido a 4 de junho de 2024

Milhafre Preto – [Data de receção não indicada]

Perna-Verde – Com chegada prevista para junho de 2025

Apenas três navios se encontram, atualmente, na posse definitiva da empresa, estando os restantes em fase de te**es. Cada unidade exige um período experimental de um mês, seguido de certificação obrigatória, processo que pode demorar vários meses.

A Presidente afirmou que apenas o navio Cegonha Branca está oficialmente “avariado”, apesar de a CUTS ter referido que cinco embarcações se encontram inoperacionais.

5. Manutenção e Relação com a ABB Espanha
Foi abordado o contrato de manutenção atualmente em vigor com a empresa ABB Espanha, responsável exclusiva pela operação do sistema de navegação dos navios elétricos.

Os técnicos da Transtejo não têm acesso ao sistema, estando impedidos de realizar intervenções diretas. Alguns erros de software são resolvidos remotamente pela ABB, mas a maioria das avarias carece de deslocação de técnicos ao local, sem prazos definidos de resposta, dada a ausência de cláusulas contratuais nesse sentido.

A CUTS questionou por que razão não foi celebrado contrato com a ABB Portugal, que possui presença física e centros de contacto no território nacional. A administração não apresentou justificação concreta para esta escolha.

A Presidente anunciou que está em preparação um novo contrato direto com a ABB, a celebrar até final de julho, que incluirá prazos de resposta (SLA) e penalizações por incumprimento. Reconheceu que o contrato atual é tecnicamente frágil, qualificando-o como “amador”.

6. Certificação Técnica e Navegabilidade
Em resposta a preocupações levantadas pela CUTS quanto à adequação dos navios ao estuário do Tejo, foi reiterado, pela Dra. Margarida Perdigão, que:

Todos os navios possuem certificação oficial de navegabilidade e segurança, emitida pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM);

O caderno de encargos considerou as características específicas do rio Tejo, incluindo as correntes e a agitação marítima no inverno;

As embarcações estão certificadas para navegar com ventos até 40 nós (cerca de 74 km/h).

7. Atendimento ao Público e Reclamações
A CUTS relatou dificuldades no acesso ao livro de reclamações, por este se encontrar fechado na sala de controlo, sob responsabilidade do chefe de terminal. A administração reconheceu o problema e comprometeu-se a rever os procedimentos, com vista a facilitar o acesso ao livro em formato físico.

Relativamente à gestão das reclamações, foi referido que:

São frequentemente agrupadas por tipologia e respondidas de forma padronizada;

A Dra. Margarida Perdigão esclareceu que esta prática é legalmente admissível, apesar de não corresponder às expectativas dos utentes;

A administração reconheceu que o atual modelo de resposta é insatisfatório e justificou-o com a carência de recursos humanos.

8. Situação Financeira da Empresa
A Presidente informou que a empresa herdou, em 2023, um passivo de 200 milhões de euros, o que tem condicionado severamente os investimentos, nomeadamente na reparação da frota a diesel e na contratação de pessoal técnico (marinheiros, eletricistas e mecânicos).

Foi ainda referido que a Transtejo tem sido penalizada com coimas por incumprimento do contrato de serviço público, cuja revisão está prevista para fevereiro de 2026, estando prevista a introdução de melhorias no respetivo enquadramento legal.

9. Questões Não Respondidas
A CUTS assinalou a ausência de resposta clara às seguintes questões:

Quando será regularizada a carreira fluvial do Seixal?

Quais os problemas técnicos específicos que afetam cada um dos novos navios?

Quais os critérios para a alocação e retirada de navios entre cais?

Quais as razões técnicas concretas para a deslocação recorrente de embarcações do Seixal para o Montijo?

10. Continuidade do Diálogo
A administração reiterou disponibilidade para reuniões regulares, com vista à partilha de informações atualizadas e recolha de contributos dos utentes. A próxima reunião ficou agendada, em princípio, para o final do mês de setembro, em data a definir.

Encerramento:
A reunião foi encerrada pelas 18h50, com o compromisso mútuo de manter um canal de comunicação aberto, transparente e construtivo.

Lisboa, 12 de junho de 2025

08/05/2025

Enviámos os 2 comunicados aos vários orgãos de CS nacional, regional e local. Enviámos à Tutela, através da Secretária de Estado.Enviamos à Câmara Municipal do Seixal, a todos os grupos politicos representados na Assembleia da Área Metropolitana de Lisboa e aos cabeças de lista das candidaturas dos partidos com representação parlamentar ao circulo eleitoral de Setúbal, com excepção de um (PAN) pois não conseguimos descortinar endereços electrónicos.
Dos cabeças de lista, tivemos resposta até ao momento da CDU e do LIVRE.

Pela CDU foi dito o seguinte:

"Acusamos a receção do vosso comunicado, a CDU irá realizar uma
iniciativa de solidariedade com os utentes dos transportes públicos do Seixal, com a participação da 1.ª candidata da CDU, Deputada Paula Santos, no terminal do Seixal no dia 14 de maio, pelas 7h00.

Convidávamos a Comissão de Utentes dos transportes Públicos do Seixal a estarem presentes para podermos conversar sobre os vários problemas que referem."

Pelo LIVRE foi dito o seguinte:

"Somos o LIVRE Setúbal e recebemos o vosso comunicado, encaminhado do nosso mail geral. Este é o nosso mail para qualquer contacto.

Como partido de esquerda verde e progressista, defendemos sempre o reforço da mobilidade coletiva, suave e pública no distrito de Setúbal. Por isso, naturalmente que acompanhamos as vossas preocupações com as ligações fluviais Seixal/Lisboa pela Transtejo - Soflusa e defendemos o seu reforço.

Mais que isso, somos também:

- pela extensão do Metro Sul do Tejo no concelho do Seixal.
- pela criação de uma ponte Barreiro-Seixal - pedonal, ciclável e com ligação do MTS até ao Barreiro.
- pelo reforço das carruagens e ligações Fertagus, de modo a acabar com as carruagens sobrelotadas no serviço.
A mobilidade no Seixal - e em todo o distrito de Setúbal - é uma das nossas prioridades legislativas para o próximo mandato.
Posto isto, congratulamos o vosso comunicado e temos todo o interesse em agendar convosco uma conversa em data futura.
Temos já a agenda cheia nesta altura de campanha mas gostaríamos de estar em contacto após as eleições."

O Sr. Presidente da Câmara Municipal do Seixal entrou em contacto comigo a prestar a sua solidariedade à luta dos utentes ontem à noite e ficámos de falar nos próximos dias. Afirmou que a CMS e a AM têm tomado desde há anos posições sobre a péssima qualidade de serviço prestado, ter reunido com a tutela e a administração mas que na prática nem a tutela nem a administração vigente resolveram o que quer que fosse. Até referiu o caso do cais/batelão, em que a CMS se prontificou a disponibilizar condições para que os utentes não sofressem com as mudanças mas que tal oferta foi recusada.

Logo que tenhamos mais respostas, colocá-las-emos aqui.

08/05/2025

Comunicado da CUTS de 7/05/2025

TRANSTEJO, LIGAÇÃO ENTRE O SEIXAL E LISBOA(CAIS DO SODRÉ)

A BALBURDIA CONTINUA!

A ADMINISTRAÇÃO DA TRANSTEJO E A TUTELA ESTÃO CALADAS QUE NEM RATOS!

Alguns dias se passaram desde o início dos novos horários e as supressões já são uma realidade. Explicações? Nem uma! Desculpas por esta pouca vergonha? Nada, “népia”, coisíssima alguma! Estamos à beira da explosão de raiva por tanto desprezo a que somos sujeitos, sabe-se lá porque razão! Será marginalização por sermos do Seixal ou lá trabalharmos? Será que não conseguem atinar com os novos barcos? Será que têm falta de pessoal? Será que pura e simplesmente são incompetentes?

Mas mais! Afinal, continuam os barcos a diesel a fazer ligações entre o Seixal e Lisboa(Cais do Sodré). Ainda hoje, o barco mais pequeno da TRANSTEJO, o “Fantasia” foi o escolhido para a ligação com partida do Seixal às 7.00 horas, um barco com 146 lugares e descrito pela empresa como “Navio dedicado, sobretudo, a atividades de âmbito turístico”!

Basta de marginalização! Basta de brincarem com o tempo das nossas vidas, que deveria ser destinado a estarmos com os nossos familiares, com os nossos amigos ou a g***r do merecido repouso após um dia de trabalho, em vez de sermos forçados a aguardar pelo próximo barco que o esperado não veio, foi suprimido!

Não nos obriguem a vir para a rua gritar, “que já é tempo de Vossas Excelências embalarem a trouxa e zarparem! É que se esta balburdia continuar, viremos mesmo! E exigiremos respostas, doa a quem doer!

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