13/10/2026
ANIMAD — ATÉ QUANDO VAMOS CONTINUAR A SALVAR VIDAS SEM QUALQUER APOIO?
A 25 de março de 2023, na sequência de declarações públicas da então secretária regional Susana Prada, que apontava a eutanásia como solução para combater os gatos selvagens, a Animad interveio em defesa da vida e do bem-estar animal.
Na altura, foi estabelecido um entendimento com a associação para que os animais fossem recolhidos, tratados e identificados, evitando que a morte fosse considerada a única solução. Nesse entendimento, foi também referenciada a existência de apoio por parte das entidades competentes.
Mas, até hoje, esse apoio não chegou. Nem sequer 1 € foi disponibilizado para fazer face aos custos dos dezenas de gatos que temos recolhido, alimentado, tratado e identificado.
E perguntamos: estarão as entidades conscientes das nossas necessidades? Estarão verdadeiramente preocupadas com a realidade que enfrentamos diariamente?
A realidade é esta: continuamos à espera de respostas, de soluções e de compromissos que não passam das palavras.
Até à data, não existe uma resposta favorável à conclusão do protocolo relativo ao próximo ano. Entretanto, continuamos a receber inúmeros animais que precisam de cuidados, a intervir em situações de abandono e a dar resposta a problemas que são, efetivamente, uma responsabilidade de toda a sociedade.
E quando dizemos de todos, queremos dizer mesmo de todos!
A Animad tem atualmente cerca de 120 cães e mais de 80 gatos sob a sua responsabilidade. Muitos são animais idosos, provenientes de diferentes pontos da ilha, com necessidades acrescidas de alimentação, acompanhamento veterinário, medicação e cuidados permanentes.
São vidas que não podem ser ignoradas. São animais que não podem ser tratados como meras despesas ou obstáculos a eliminar.
Para evitar a eutanásia, é necessário investir em alternativas. E essas alternativas têm custos!
Não podemos continuar a assumir sozinhos os encargos de uma resposta que foi apresentada como uma solução de interesse público. Não podemos continuar a recolher, alimentar, tratar e identificar animais sem que as entidades responsáveis assumam a sua parte.
Mudaram-se as pessoas, mudaram-se as vozes, mas será que mudaram as atitudes?
Perante tantas prioridades e tantos recursos mobilizados para diferentes áreas, custa-nos compreender que a proteção da vida animal continue sem a resposta necessária.
As vozes que deveriam responder permanecem em silêncio. E esse silêncio tem consequências.
Sabemos, através de diversas situações que chegam ao nosso conhecimento, que continuam a existir casos em que os animais são mortos. É precisamente para evitar que a morte seja a resposta e para promover soluções dignas que continuamos a intervir.
Mas não podemos fazer este caminho sozinhos.
A Animad continuará a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para salvar vidas. No entanto, precisamos que as entidades públicas deixem de ser um obstáculo por omissão e passem a ser parte efetiva da solução.
Por isso, exigimos uma resposta clara da Secretaria Regional competente:
Qual é a posição atual relativamente ao controlo das populações de gatos assilvestrados?
Mantém-se a intenção de apoiar as soluções de recolha, tratamento e identificação acordadas com a Animad?
Quando será concretizado o apoio anunciado e concluído o protocolo para o próximo ano?
Que solução concreta existe para assegurar a continuidade deste trabalho e repartir os custos que não podem continuar a recair exclusivamente sobre a associação?
A vida não pode depender apenas da boa vontade de quem resgata.
A proteção animal exige compromisso, responsabilidade, meios e ação.
Nós continuamos cá. Continuamos a salvar, a tratar e a cuidar.
Agora, perguntamos às entidades responsáveis: até quando vão continuar sem responder?
Governo da Madeira
https://www.dnoticias.pt/2023/3/17/352484-os-gatos-no-pico-do-areeiro-sao-o-maior-perigo-para-a-freira-da-Diário de Notícias Madeira [www.dnoticias.pt]
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