09/05/2026
O professor Paulo de Morais no 63º aniversãrio do clube.
“A CORRUPÇÃO MINA OS ALICERCES DO ESTADO.”
O professor Paulo de Morais, antigo Vice-Presidente da Câmara Municipal do Porto e membro destacado da Direção da “Transparência e Integridade, Associação Cívica”, proferiu, no passado dia 8 de maio, no antigo salão dos Bombeiros, uma Palestra subordinada ao tema “Corrupção e Ética em Portugal”. O convite partiu do Rotary Clube de S. João da Madeira que, na pessoa do seu presidente, Andrew Gay, começou por agradecer a presença do palestrante.
Perante uma assistência que deu a noite por muito bem aproveitada, o professor Paulo de Morais começou por traçar um breve quadro da génese e evolução da corrupção em Portugal, desde o século XIX, passando pelo período do Estado Novo, período posterior ao 25 de abril, entrada na Comunidade Europeia e, finalmente, a sua evolução nos últimos anos. A enumeração dos casos de corrupção e os quantitativos neles envolvidos deixavam os presentes progressivamente perplexos, porque se tornava impossível abarcar os milhares de milhões envolvidos em dada um deles. Destacou o papel da Parvalorem, uma entidade pública que tem o objetivo específico de gerir e recuperar os chamados ativos "tóxicos" e onde jazem dívidas incobráveis, consequência da falência do BPN. A partir daí, o caso Sócrates, a falência do BES e o caso EDP, a par de outros de que nem nos apercebemos, foram acumulando essa fabulosa dívida, que estamos e vamos estar a pagar durante muito tempo. E, mais grave do que tudo isso, é que “nos grandes processos nunca há condenados.”
A consequência direta dessa realidade é a descida no Índice de Perceção da Corrupção (CPI) do 23º lugar no ano 2000, para o atual 46º lugar, acompanhado pela correspondente descida no índice de desenvolvimento humano.
Perante tal quadro, o palestrante enumerou uma série de medidas, como a acessibilidade às contas bancárias, a justiça no sistema fiscal, a estruturação da despesa, o conhecimento dos rendimentos dos titulares doa cargos públicos a simplificação da legislação e da justiça.
Na parte final, perante questões levantadas pelos presentes, foi ainda possível abordar o período original da corrupção em Portugal, no século XIX, com a célebre “salamancada”, envolvendo políticos e banqueiros portugueses e espanhóis e que gerou uma crise financeira de grandes proporções. Falou-se ainda da ineficiência do sistema de saúde e da corrupção ao nível das autarquias, por exemplo com a concessão de licenças de construção em zonas de reserva agrícola.
“Não sei como isto irá parar. Estou à espera de uma espécie de clique, que leve o país a inverter o rumo. Pela minha parte, vou fazendo tudo o que posso”.
Depois da palestra, os presentes foram convidados a saborear o bolo de aniversário do clube, que celebrou recentemente o seu 63º aniversário. Depois dos “parabéns a você” um dos fundadores, Dr. Flores Santos Leite, o professor Paulo de Morais e o presidente Andrew Gay encarregaram-se da partilha do bolo.