28/04/2026
É tempo de dizer o que muitos sentem, mas poucos têm coragem de admitir. O nosso clube não foi fundado, nem se tornou gigante, à custa de adeptos de ocasião. Foi erguido por gente de fibra, por aqueles que estavam lá quando ninguém mais queria estar e que nunca precisaram de "novas eras" ou de marketing para sentir o peso do símbolo.
Hoje, assistimos a uma realidade que nos devia envergonhar. Vivemos um deslumbramento tal com a "nova era" que práticas antes impensáveis e combatidas, como a candonga, são agora aceites com uma passividade assustadora.
Parece que o rigor e a ética que sempre exigimos só interessavam quando a liderança era outra. Branquear esquemas de bilheteira em nome de uma suposta mudança é o primeiro passo para a nossa ruína moral.
Sempre fomos críticos da candonga e sempre lutámos por uma mudança real; aceitar hoje o que condenámos ontem é uma traição aos nossos próprios princípios.
A verdade é que a vontade de ir ver a bola está a desaparecer para muitos que, ao contrário dos que agora aparecem cheios de bandeiras ao vento, sempre estiveram lá. É difícil sentir motivação para ir ao estádio quando percebemos que o clube está a ser rodeado de oportunistas e de uma massa que só aplaude o que é "novo", esquecendo os princípios básicos de respeito pelo sócio cumpridor.
Quando aceitamos a candonga hoje "porque sim", estamos a abrir a porta a que o clube seja saqueado no futuro. O saque não é só financeiro; é o saque da credibilidade. Se permitimos pequenos vícios agora, perdemos a autoridade moral para travar grandes abusos amanhã. As críticas devem ser feitas sempre que algo está errado, independentemente de quem ocupa a cadeira do poder. O silêncio cúmplice é o maior inimigo da transparência.
Quando o ambiente se torna artificial e os esquemas prevalecem sobre o mérito de ser sócio, quem sempre deu o corpo às balas começa a sentir-se um estranho na própria casa. O clube deixa de ser uma família para passar a ser um negócio de entretenimento. O deslumbramento funciona como uma anestesia: se os sócios deixam de ser críticos e exigentes, o clube f**a sem defesas. Sem fiscalização e sem vozes discordantes, f**amos à mercê de decisões que podem hipotecar o nosso património.
O clube é raça, é verdade e é, acima de tudo, dos seus sócios. Se perdermos a exigência, a ética e aceitarmos o facilitismo, perdemos a nossa mística.
O Porto é de quem o sente na derrota e na vitória, não de quem aparece apenas para a fotografia e aceita tudo para pertencer à moda.