08/07/2026
Guillaume de Nogaret (c. 1260–1313)
Foi o arquitecto jurídico e propagandístico da destruição da Ordem do Templo (com excepção dos da Peninsula Ibérica).
Originário do Languedoc, no Sul de França, ensinou direito romano em Montpellier, até conseguir ganhar a confiança do rei. Este homem de leis, frio e implacável, conseguiu alcançar o lugar de guarda-selos de Filipe IV, rei de França (o equivalente a chanceler) o que, à época, significaria ser a peça central da máquina do Estado.
É ele o arquiteto operacional, jurídico e propagandístico da destruição da Ordem do Templo. M***a e dirige a grande operação (à época, tratou-se de coisa nunca vista com tal dimensão e eficácia) a nível nacional, as prisões-relâmpago de sexta-feira, 13 de Outubro de 1307. Numa só manhã, quase todos os Templários de França foram presos. De seguida é ele quem orquestra as acusações (heresia, idolatria, adoração do ídolo Baphomet, sodomia, cuspir sobre a cruz) e quem decidiu usar a tortura para arrancar as confissões que "provaram" todas as acusações que ele próprio desenhara.
Não se olhe para este Guillaume de Nogaret como simples e ambicioso aprendiz de malfeitor. Ele já tinha protagonizado outro golpe - Ultraje de Anagni (1303), quando liderou um assalto para capturar o Papa Bonifácio VIII. Do ataque ao pontífice, reinante, resultou a excomunhão do próprio Nogaret. Coisa que não o impediu de continuar a servir o rei Felipe IV de França, ao mais alto nível.
De um lado dos Pirenéus, Guillaume de Nogaret usa a mão do Estado para despojar e destrói a Ordem templária em nome do rei e do tesouro. Do lado oposto, ou seja, em Portugal, é o rei D. Dinis, quem a acolhe e a transforma em Ordem de Cristo para a manter sui iuris.
O nosso "Hic sumus qui imperamus" é, no fundo, a nossa resposta portuguesa ao gesto dos “Nogaret’s” dos dias de hoje. Aqui, ninguém decide o fim do Templo.